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Anitta está com estafa; se não tratado, quadro pode evoluir para depressão

Cantora Anitta foi diagnosticada com estafa e teve que se afastar de seu programa no Multishow - reprodução/Multishow
Cantora Anitta foi diagnosticada com estafa e teve que se afastar de seu programa no Multishow Imagem: reprodução/Multishow

Danielle Sanches

Do VivaBem, em São Paulo

02/09/2019 15h40

Resumo da notícia

  • O progarama "Anitta Entrou no Grupo", do Multishow, não terá episódio inédito esta terça foi cantora está com estafa
  • O quadro é um esgotamento mental e causa sensação de cansaço extremo e falta de energia e motivação para realizar as tarefas comuns do dia a dia
  • Quando ocorre em ambiente de trabalho, a estafa também é chamada de Síndrome de Burnout
  • Se o problema não for tratado adequadamente, pode evoluir para algo mais grave, como depressão ou transtorno de ansiedade

Dona de uma rotina dinâmica e com muito, muito trabalho, a cantora Anitta cancelou sua participação no episódio desta terça (3) do programa "Anitta Entrou no Grupo", exibido pelo canal Multishow. De acordo com a assessoria de imprensa do canal, a cantora foi diagnosticada com estafa e, por recomendação médica, precisa ficar em repouso.

Mas o que caracteriza a estafa? Também chamada de esgotamento mental ou fadiga, é a sensação de cansaço extremo e falta de energia e motivação para realizar as tarefas comuns do dia a dia, como trabalhar, estudar, se relacionar com pessoas etc.

Embora bastante relacionado ao trabalho, o problema também pode ser causado por um estresse emocional muito forte, como a vivência do luto, uma separação difícil ou mesmo a perda do emprego. "Quanto mais tempo o estresse durar, mais o quadro pode se agravar", afirma Rodrigo Martins Leite, diretor dos ambulatórios do IPq (Instituto de Psiquiatria) do HC-FMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).

No mundo moderno, em que cada vez mais se exige pensamento rápido, criatividade e empreendedorismo, é muito fácil deixar o cérebro "cansado", exigindo que ele trabalhe com energia total por períodos muito longos. Para isso, é necessário uma combinação de hormônios e neurotransmissores como cortisol (um dos grandes responsáveis pela preparação do organismo para os enfrentamentos dos desafios do dia a dia e das situações de perigo) e noradrenalina (neurotransmissor responsável pela sensação de motivação e também da atenção)*.

"Vários estudos mostram queda nessas substâncias durante esses períodos de estafa", diz Sergio Klepacz, psiquiatra do Hospital Samaritano de São Paulo. "Podemos dizer que o excesso de demanda da química necessária para manter o corpo e a mente ativados se 'esgotam'", alerta. As consequências mais imediatas são falta de atenção, dificuldade de memória, perda de concentração, pensamento mais lento, desânimo, alterações no sono e, é claro, cansaço —excessivo e crônico*.

Quando tudo vira cinzas

Um dos problemas que podem decorrer desse esgotamento mental é a Síndrome de Burnout, ou síndrome do esgotamento profissional, que acontece quando o cérebro entra em processo de falência e não consegue mais trabalhar direito.

Em inglês, o termo burnout é definido como aquilo que deixou de funcionar por absoluta falta de energia. Metaforicamente, é algo (ou alguém) que chegou ao seu limite, com grande prejuízo em seu desempenho físico ou mental.

A síndrome, que foi inicialmente descrita na década de 1970, passou a integrar a Classificação Internacional de Doenças da OMS (Organização Mundial da Saúde) em 2019 sob o código QD85.

Fadiga, sensação de exaustão, falta de energia para o dia a dia, alterações de sono e apetite, além de um total desinteresse para realizar coisas que antes davam prazer e satisfação são sintomas do problema.

Mas os sintomas também podem ser físicos: taquicardia, dores musculares, problemas gástricos e intestinais e até aumento da pressão arterial podem estar presentes nos quadros de burnout. De acordo com Leite, a síndrome tem acometido justamente o público mais jovem, que está mais vulnerável às pressões sociais modernas.

"A cultura atual tem uma cobrança muito grande por desempenho, por perfeição. O público mais jovem, que em grande parte ainda precisa amadurecer para encarar as coisas com mais serenidade, acaba mais exposto e mais vulnerável a isso", acredita.

O especialista lembra ainda que personalidades como Anitta sofrem uma enorme pressão pela exposição que vivem nas redes sociais, um meio que está cada vez mais ligado ao sofrimento emocional e mental. "A exigência que vem com a fama, e ter que lidar com haters, por exemplo, são coisas que causam sofrimento emocional importante", diz o médico.

Sem tratamento, problema pode evoluir

Muitos dos sintomas desenvolvidos por quem sofre de estafa estão associados a quadros depressivos ou ansiosos. Por isso, quando não tratado, o problema pode evoluir para algo mais grave, como depressão, transtorno de ansiedade ou quadros de abuso de substâncias (como álcool e drogas).

De acordo com Leite, é importante observar os sinais de alerta de que a estafa está indo além da necessidade de descanso. "Quando estamos tristes e desanimados, mas seguimos levando a vida, é sinal de que estamos apenas reagindo a algo que nos afeta negativamente", explica o médico. "Mas quando esses sentimentos nos impedem de trabalhar, de fazer atividades que nos dão prazer, de nos relacionar com pessoas de que gostamos, é um sinal importante de que precisamos de ajuda", diz o especialista.

Nestes casos, é importante o acompanhamento psiquiátrico e psicológico para reversão do quadro. "A atividade física que proporciona bem-estar também é indicada para melhorar a autoestima", afirma o psiquiatra, que também recomenda estar com pessoas em quem confiamos para buscar conforto emocional nos momentos difíceis.

* informações retiradas de matéria publicada em 31/05/2013.

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