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O que pode ser?

A partir do sintoma, as possíveis doenças


O que pode ser?

Dor ao digitar? Saiba as causas, sinais e como tratar a tendinite

A tendinite muitas vezes é causada por movimentos repetitivos do dia a dia ou durante a prática esportiva - iStock
A tendinite muitas vezes é causada por movimentos repetitivos do dia a dia ou durante a prática esportiva Imagem: iStock

Cristina Almeida

Colaboração para o UOL VivaBem

23/07/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Tendinite é o processo inflamatório do tendão, estrutura que liga os músculos ao osso
  • A condição dá nome a qualquer lesão ou dor no tendão que provoca limitação do movimento
  • O problema tem como causa atividades intensas, repetitivas ou exageradas; idade e doenças reumatológicas também estão relacionadas
  • O tratamento é feito com medicamentos, fortalecimento muscular e até cirurgia

Se você pensa que a tendinite afeta só atletas e pessoas que passam o dia digitando no computador e celular, está enganado. Processos degenerativos, idade e até predisposição genética são fatores relacionados às lesões dos tendões, que nada mais são que estruturas que ligam os músculos aos ossos.

No passado, a comunidade médica usava o termo tendinopatia para definir todo o incômodo no tendão, como as famosas inflamações e até os rompimentos. Atualmente, porém, considera-se tendinite a dor associada à limitação do movimento ou lesão acompanhada de processo inflamatório.

Por que a dor se manifesta

Você tem cerca de 4.000 tendões em todo o seu corpo. São eles que possibilitam a flexão dos joelhos ou a rotação dos ombros, por exemplo.

Quando os tendões são expostos a algum tipo de atividade intensa, repetitiva ou exagerada, sofrem pequenas lesões que geram o processo inflamatório.

Pode ocorrer, também, que sofram alguma contusão. Em todos esses casos, a dor é o principal sintoma e ela se apresenta de forma progressiva. Começa devagar e vai aumentando, podendo até ser acompanhada de:

  • Inchaço;
  • Dificuldade para movimentar a região afetada;
  • Queimação.

Quem precisa ficar mais atento

A tendinite pode acometer qualquer pessoa, em todas as faixas etárias, mas são mais comuns em:

  • Mulheres;
  • Atletas ou praticantes de esportes;
  • Profissionais cuja atividade requer movimentos repetitivos, como músicos, dentistas, chefes de cozinha, cabeleireiros etc.;
  • Trabalhadores manuais (inclui pessoas que fazem crochê, tricô);
  • Idosos;
  • Fumantes;
  • Sedentários.

Partes do corpo onde a tendinite é mais comum

No consultório médico, os casos mais frequentes são os que afetam as seguintes partes do corpo:

MEMBROS SUPERIORES

Tendões dos antebraços Decorre do movimento feito de forma errada ou do esforço repetitivo. Os exemplos típicos são os tenistas, digitadores, pessoas que fazem crochê etc.

Tendões do ombro Muito relacionado à atividade esportiva, afeta a região do manguito rotador, que é um conjunto de tendões que permitem que o ombro se movimente. Geralmente se manifesta em pessoas que praticam esporte ou atividade que pedem ações de arremesso.

MEMBROS INFERIORES

Tendão do calcâneo (de Aquiles) Decorre do excesso de carga na região. É uma inflamação muito comum entre corredores e jogadores de tênis;

Tendão patelar Afeta a parte anterior do joelho. Tem a ver com todo mecanismo de desaceleração: aquele que permite que você contenha o movimento depois de tê-lo iniciado. Saltadores, corredores de pequena distância, corredores de rua apresentam o problema;

Tendão do glúteo A dor é sentida na coxa ou na parte superior da nádega, também típica dos corredores. Mulheres que têm o quadril muito grande também podem ter esse tipo de tendinite;

Tendão dos dedos dos pés e dos pés Esforço durante a prática de esporte também pode acometer esta região, uma queixa frequente de corredores.

Dor, inchaço, queimação e dificuldade para movimentar a região afetada são sinais de tendinite - iStock
Dor, inchaço, queimação e dificuldade para movimentar a região afetada são sinais de tendinite
Imagem: iStock

Os vários tipos de tendinite

A depender da gravidade da lesão, ela é assim classificada:

Grau I A dor aparece depois que você pratica uma atividade física;
Grau II O incômodo está presente durante toda a prática física;
Grau III A sensação dolorosa é constante ao se fazer ações do dia a dia como subir escada, agachar, levantar um objeto;
Grau IV O tendão rompeu e a dor é insuportável.

Quando é a hora de procurar ajuda médica?

Ao longo do tempo os tendões podem ir sofrendo pequenas lesões que não incomodam muito. Você pode até se automedicar, mas é essencial investigar a causa da dor para evitar que ela se torne crônica ou que ocorra a ruptura do tendão.

Se a dor não passa, já atrapalha a vida e está limitando as suas atividades, é hora de ir ao médico.

"E não é preciso ter medo de que você vai deixar de fazer algo que gosta muito, como correr. Você seguirá com a sua prática. Mas, a partir daí, devidamente orientado para evitar o agravamento do quadro", fala Moises Cohen, Presidente da Sbot (Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia).

Que médico procurar?

O especialista que você deve procurar é o ortopedista. Um reumatologista também estará apto a avaliá-lo, especialmente se você já tem um diagnóstico de alguma enfermidade reumatológica como a espondiloartrite, onde as tendinites podem estar presentes.

Como é feito o diagnóstico?

De acordo com os especialistas, em 90% a 95% dos casos o diagnóstico é clínico. Isso significa que o médico irá conversar com você para ouvir sua história e examinar a região do corpo afetada.

Somente em casos mais complexos ou quando houver alguma dúvida sobre a origem da dor, outros exames como o ultrassom e a ressonância magnética podem ser solicitados. Em alguns casos, quando há suspeita de calcificação, seu médico pode pedir uma radiografia.

Como é o tratamento da tendinite

A terapia dependerá do grau de comprometimento do tendão e pode incluir desde o uso de gelo local e repouso, até cirurgia.

As opções de remédios que o médico dispõe são anti-inflamatórios, analgésicos e corticoides. Em alguns casos, pode ser necessário imobilizar a região.

É raro que a solução seja cirúrgica. E mesmo nesses casos, o médico deve avaliar vários fatores como a sua idade, a função da área afetada, além da melhora da sua qualidade de vida.

Outra aliada do tratamento é a fisioterapia. "As técnicas utilizadas visam tirar a dor e fortalecer os músculos", esclarece Marília Simões Lopes, professora da Faculdade de Fisioterapia Anhembi-Morumbi.

Cada pessoa tem a sua individualidade, mas podem ainda ser indicados exercícios de RPG, Pilates, aulas de alongamento, correções dos gestos, equipamentos esportivos e até mudanças no ambiente de trabalho.

"Apesar de todas essas opções, se o paciente não mudar o gesto esportivo, o movimento repetitivo, a postura ou o equipamento que utiliza no trabalho, por vezes, a medicação e a fisioterapia não serão suficientes", adverte o ortopedista Marco Antonio Pedroni, diretor científico da SBQ (Sociedade Brasileira de Quadril).

E quando a dor é crônica?

A importância de não esperar para procurar um especialista na fase inicial é que você evita que a dor se torne crônica. Quando isso acontece, abre-se espaço para crises de dores cíclicas, o que pode dificultar o tratamento, isto é, será necessário muito mais tempo para diminuir o processo inflamatório. E mesmo após a terapia tradicional, há situações em que a dor persiste. Nesses casos, a ajuda de um especialista em dor será útil.

Nessa fase, além da fisioterapia, usam-se medicamentos específicos, inclusive os precursores do colágeno, que agem diretamente nos tecidos para tentar recuperá-los. "Contudo, o paciente precisa saber que a melhora será progressiva", revela Alexandra Raffaini, médica anestesista e especialista no tratamento da dor.

Entenda a diferença entre bursite e tendinite

Toda a articulação como o ombro, quadril e joelho possui uma "bolsa" que a reveste. Essa bolsa pode inflamar e a tal condição se dá o nome de bursite --uma inflamação ao redor da articulação.

Já a tendinite é uma inflamação na estrutura do tendão. Bursite e tendinite podem andar juntas, mas são problemas que se manifestam em estruturas diferentes.

Como prevenir a tendinite?

A prática regular de exercícios mantém ossos, articulações e tendões mais fortes. Isso reduz o risco de traumas e inflamações, especialmente se você já passou dos 40 anos. Além dessa providência, aposte nas seguintes atitudes:

  • Procure um médico ao sentir que a dor persiste e está impedindo a realização de movimentos;
  • Evite a automedicação. Saber a real origem do problema e a solução adequada para ele evita expor-se a efeitos colaterais indesejáveis como danos renais e hepáticos;
  • Comece novas práticas físicas devagar e aumente aos poucos a sua intensidade;
  • Atente-se à postura ao praticar esportes e também ao fazer atividades do dia a dia;
  • Invista em exercícios de fortalecimento muscular. Os músculos dão suporte às articulações e ainda evitam sobrecarga nos tendões;
  • Acostume-se a fazer pausas a cada uma hora se você trabalha com algo no qual é obrigado a fazer movimentos repetitivos;
  • Substitua ou adapte práticas que você identifica serem causadoras de dor;
  • Fale com seu médico ou preparador físico sobre acessórios que possam proteger as articulações enquanto você faz determinada prática esportiva ou atividade profissional;
  • Faça aquecimento antes de toda atividade física;
  • Use as duas mãos para carregar peso ou fazer determinados movimentos;
  • Evite ficar sentado por tempo prolongado;

Fontes: Moises Cohen, presidente da SBOT (Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia), professor titular do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), presidente-honorário da Isakos (Sociedade Mundial de Artroscopia, Cirurgia do Joelho e Trauma Desportivo) e diretor do Instituto Cohen de Ortopedia, Reabilitação e Medicina do Esporte (SP); Marco Antonio Pedroni, ortopedista, diretor científico da SBQ (Sociedade Brasileira de Quadril), especialista em medicina do esporte e professor de ortopedida da Faculdade de Medicina da PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná); Licia Maria Henrique da Mota, presidente da comissão de Artrite Reumatoide da SBR (Sociedade Brasileira de Reumatologia); Marília Simões Lopes, fisioterapeuta e professora da Faculdade de Fisioterapia Anhembi-Morumbi; Alexandra Raffaini, médica anestesista, especialista no tratamento da dor e em medicina intervencionista da dor, membro da Sobramid (Sociedade Brasileira de Médicos Intervencionista em Dor). Revisão técnica: Marco Antonio Pedroni.
Com informações do NHI (National Institute of Arthritis and Musculoskeletal and Skin Diseases); NCBI (National Center for Biotechnology Information).