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Estudo diz que dormir demais prejudica a memória; mas será mesmo?

Dormir menos do que sete horas ou mais de nove horas por noite pode ser prejudicial, indica novo estudo - iStock
Dormir menos do que sete horas ou mais de nove horas por noite pode ser prejudicial, indica novo estudo Imagem: iStock

Danielle Sanches

Colaboração para o UOL VivaBem, de São Paulo

06/06/2019 16h46

Resumo da notícia

  • Estudo da University College London dá evidências de que dormir demais pode prejudicar a atividade cognitiva
  • O estudo foi realizado a partir da análise de quase 400 mil dados médicos armazenados em um banco de dados público britânico
  • Médicos avaliam que o importante é ter uma noite de sono de qualidade, e que a média de sono nem sempre se aplica a todos

Uma noite mal dormida pode acabar com a concentração e a paciência de qualquer ser humano. Mas o que dizer sobre quem dorme demais? Um novo estudo da University College London e publicado no International Journal of Epidemiology descobriu que, contrariando o senso comum, dormir mais do que nove horas também pode afetar a memória.

Na pesquisa, feita com quase 400 mil participantes, aqueles que dormiram menos de sete horas por dia cometeram 5% mais erros cada hora a menos de sono, enquanto os que dormiram mais de nove horas cometeram 9% de erros por hora a mais de sono. Mas será que podemos mesmo dizer que dormir demais prejudica a memória?

De acordo com a Márcia Pradella-Hallinan, neurologista especialista em medicina do sono do Hospital Sírio-Libanês, é importante analisar os motivos que levam uma pessoa a dormir demais. "Será que o sono é tranquilo, a qualidade é boa? Quem sofre de apneia, por exemplo, acorda diversas vezes, impedindo que o cérebro descanse de fato", diz.

Por outro lado, ela reforça, a medida do sono é algo extremamente individual. "Sabemos que, na média, um adulto precisa dormir de sete a oito horas e meia por dia para se manter saudável", explica. "Mas existem pessoas que dormem apenas seis horas e sentem-se bem porque a qualidade do sono é boa", pondera. Ou seja, talvez mais estudos precisam ser feitos para atribuir ao sono excessivo essa qualidade negativa.

Como o estudo foi feito?

O estudo foi realizado originalmente para explorar melhor a ligação entre sono, função cognitiva e demência. A análise foi feita a partir de um teste simples de memória, em que os participantes precisavam conectar figuras semelhantes.

  • Foram acessados 395.803 participantes do UK Biobank, recrutados entre 2006 e 2010, entre 40 e 69 anos;
  • Os cientistas aplicaram testes de memória com figuras para medir concentração, memória e tempo de reação (quanto tempo leva para fazer a ligação entre figuras);
  • Os resultados sugerem que pessoas que dormiram menos de sete horas por dia cometeram 5% mais erros por hora a menos de sono, enquanto aqueles que dormiram mais de nove horas por noite cometeram 9% de erros por hora adicional de sono.

De acordo com os cientistas, o estudo dá novas evidências sobre como o desequilíbrio do sono --seja dormindo pouco ou muito -- pode ter um impacto negativo nas funções cognitivas, como memória visual e tempo de reação. Ironicamente, as análises não ofereceram evidências de que a falta de sono teria influência no desenvolvimento de demência, embora sejam necessários ainda mais dados para avaliar.

Por que dormir é importante?

Irritação, falta de concentração, dor de cabeça e sonolência são sintomas de quem dorme ou dormiu menos do que deveria.

Além de ajudar na regulação de todos os sistemas do corpo, incluindo o imunológico, é durante o sono que o cérebro faz uma espécie de "higienização" de todos os dados coletados ao longo do dia, classificando e organizando as informações.

É justamente nesse momento que o cérebro cria memórias. "Muitas pessoas procuram o médico justamente quando sentem que não conseguem memorizar coisas pois não se concentram ao longo do dia", explica Márcia Pradella-Hallinan.

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