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O que pode ser?

A partir do sintoma, as possíveis doenças


O que pode ser?

Mais de 25% dos adultos e crianças têm dor de dente; veja principais causas

Prestar atenção às características da dor é chave para comunicar a queixa ao profissional e receber o tratamento adequado - iStock
Prestar atenção às características da dor é chave para comunicar a queixa ao profissional e receber o tratamento adequado Imagem: iStock

Cristina Almeida

Colaboração para o UOL VivaBem

09/04/2019 04h00

Resumo da notícia

  • As causas mais comuns de dor de dente em adultos e crianças são cárie e as doenças periodontais, que afetam as estruturas de sustentação do dente
  • Na infância, traumas na boca (por tombo ou pancada) e alterações na mineralização dos dentes podem causar sensibilidade
  • Higiene diária com escova, pasta e fio dental é indispensável para evitar doenças bucais
  • Comer maçã e vegetais crus ajuda a manter os dentes limpos, mas não substitui escovação

Xarope de ópio, folha de coca, tabaco, cerveja e vinho. No tempo das Cruzadas, eram esses os medicamentos disponíveis para o tratamento da dor de dente, cujas fórmulas teriam sido ensinadas pelos árabes aos Cavaleiros Hospitalários, ordem religiosa e militar que prestava serviços médicos aos cristãos ameaçados pelos islâmicos.

Embora os analgésicos e anestésicos hoje disponíveis sejam derivados de algumas dessas substâncias e já se conheçam estratégias preventivas e tratamentos eficazes para dor de dente, o fato é que ela ainda incomoda muita gente.

Dados do último levantamento feito pelo Ministério da Saúde, em 2010, sobre as condições da saúde bucal dos brasileiros revelam que, nos seis meses anteriores à pesquisa, 24,6% das crianças com até 12 anos tinham tido dor de dente; dos jovens na faixa entre 15 e 20 anos, 24,7%. Entre os adultos, 27,5% tiveram a queixa, enquanto os idosos representaram 10,8% --a explicação para o menor percentual nesse grupo é a perda dentária.

Como reconhecer a dor

Ela pode começar leve, se manifestar aos poucos e se tornar aguda. Quando persiste no tempo, a dor é crônica e, nesse caso, geralmente está relacionada ao contato anormal das arcadas superior e inferior dos dentes (má oclusão). Pode acontecer também de ela ser contínua ou intermitente (aparecer e ir embora).

Há casos em que o incômodo responde a algum tipo de estímulo, como quando você consome alimentos e bebidas quentes ou frios. Pode ainda ser pontual (e se referir a apenas um dente ou determinada região da arcada) ou difusa (quando acomete e abrange vários dentes ou áreas). Uma sinusite, que leva ao acúmulo de secreção nas vias aéreas, pode fazer pressão nas terminações nervosas dos dentes próximos e provocar uma dor difusa, por exemplo.

Algumas pessoas relatam que a sensação piora na posição deitada.

Por que isso acontece?

As causas comuns da dor de dente em adultos e crianças são consequência das doenças mais prevalentes: a cárie dentária e as doenças periodontais, que afetam as estruturas de sustentação do dente. Exemplo delas são a gengivite e a periodontite.

Além desses fatores, a origem pode estar relacionada às seguintes condições:

  • Má oclusão dentária (problemas de encaixe na articulação das arcadas ou dos dentes),
  • Restauração infiltrada (problemas com as obturações),
  • Exposição radicular (raiz dos dentes aparente, causando sensibilidade),
  • Sinusite (a inflamação do seio maxilar pode refletir nas raízes dos dentes superiores).

Quando procurar ajuda

A recomendação é que você vá ao dentista o mais rápido possível. Evite automedicar-se. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento gratuito.

O que esperar da consulta

O profissional deve fazer perguntas para saber a causa da visita e conhecer as suas condições gerais de saúde. Depois disso virá o exame clínico para verificar o aumento de gânglios na região do pescoço, as condições da gengiva e dentes. Podem ser necessários exames complementares como radiografia, tomografia, ressonância magnética, ultrassonografia e laboratoriais.

Como é o tratamento

O plano terapêutico dependerá da causa da dor identificada pelo profissional.

Nas hipóteses de cárie ou problemas com a obturação, o tratamento é a restauração do dente. Se houver exposição da raiz, a aplicação de flúor, o recobrimento local ou enxerto de gengiva são as possíveis soluções. Nas situações em que há maior comprometimento da polpa do dente, a única solução é o tratamento endodôntico, ou seja, o de canal.

Analgésicos e anti-inflamatórios ajudarão no controle de dor enquanto os procedimentos não forem realizados, mas sempre a partir da recomendação e supervisão de um profissional.

O que fazer quando seu filho tem dor de dente

Segundo os especialistas, na falta de interesse dos pais ou responsáveis pela estética ou saúde bucal, a visita ao dentista só acontecerá quando os pequenos sentirem dor. Muitas vezes, é provável que a qualidade de vida deles já tenha sido afetada a ponto de atrapalhar o rendimento escolar.

Na infância, a dor pode estar relacionada a:

  • Cárie: especialmente as lesões mais profundas, com exposição da polpa (canal exposto). Em crianças muito pequenas, as cáries podem decorrer de mamadeiras muito açucaradas e higiene bucal inadequada.
  • Trauma: consequente a quedas, tombos ou acidentes. Geralmente acomete os dentes da frente ou os tecidos moles (lábios, gengivas e bochechas). Caso o dente saia totalmente, deve ser mergulhado no leite ou na saliva e a criança levada ao odontopediatra para o reimplante imediato do dente. O sucesso da prática dependerá da saúde da criança, do local da lesão e do intervalo de tempo decorrido entre o trauma e o reimplante. A dor pode persistir até depois desse procedimento e, nesse caso, são indicados analgésicos infantis.
  • Defeito na superfície do dente: pode ser hipomineralização dos molares decíduos (HMD) ou dos molares incisivos permanentes (HMI), que causa sensibilidade local.

Como prevenir

A melhor forma de ficar longe da dor de dente é investir na saúde da boca. Aqui está o que você deve fazer:

  • Visitar regularmente o dentista. É ele quem pode dizer quantas vezes ao ano a consulta será necessária.
  • Caprichar na higiene oral: escove os dentes pelo menos 3 vezes ao dia com creme dental com flúor e passe fio dental diariamente.
  • Utilizar antisséptico bucal para fazer bochecho quando indicado pelo seu dentista. Para as crianças, o uso só pode ser feito após os 12 anos.
  • Seguir uma dieta equilibrada: inclua alimentos duros como maçã e vegetais crus. Eles estimulam a mastigação e ajudam a limpar os dentes --mas não substituem a escovação.
  • Limitar o consumo de alimentos e bebidas com açúcar.
  • Não fumar.

Para reconhecer e aliviar a dor em crianças, aposte nestas estratégias:

  • Esteja atento ao comportamento dos pequenos. Quando os dentes começam a despontar, eles costumam levar a mão à boca o tempo todo. Além disso, podem perder o apetite e apresentar dificuldade para mastigar.
  • Ofereça aos bebês mordedores resfriados, bem como bebidas e alimentos frios e duros, como frutas e vegetais crus. Isso promove a contração dos vasos sanguíneos e incentiva a mastigação, reduzindo o incômodo nas gengivas.
  • Faça uso de analgésico desde que indicado pelo dentista ou pediatra.
  • Certifique-se de que os ambientes frequentados sejam seguros, sobretudo quando a criança está começando a andar.
  • Adote o uso de protetor bucal caso seu filho pratique algum esporte de contato físico.

Fontes: Eliete Rodrigues de Almeida, mestre e doutora em saúde pública, professora de graduação e pós-graduação em Odontologia da Universidade Cruzeiro do Sul (SP); Fernando Martins Baeder, doutor em odontopediatria e professor de farmacologia da Faculdade de Odontologia da Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas (FAOA-APCD); Marco Antonio Manfredini, doutor em Saúde Pública pela USP (Universidade de São Paulo) e tesoureiro do CROSP (Conselho Regional de Odontologia de São Paulo); Mayra de Freitas Centelhas Martinelli, otorrinolaringologista, membro da ABORL-CCF (Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial) e do corpo clínico da Amil (SP).

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