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Novo micro-órgão é descoberto no sistema imunológico

Lente ampliada e artificialmente tingida do tecido linfático - defun/iStock
Lente ampliada e artificialmente tingida do tecido linfático Imagem: defun/iStock

Do VivaBem

24/08/2018 12h27

O corpo humano ainda é um universo cheio de mistérios para a ciência. Depois da descoberta dos órgãos mesentério e interstício, pesquisadores identificaram outro "micro-órgão" dentro do sistema imunológico de camundongos e seres humanos.

Os cientistas do Instituto Garvan de Pesquisa Médica da Austrália descobriram estruturas finas e planas em cima dos gânglios linfáticos do sistema imunológico que eles chamaram de "focos proliferativos subcapsulares" (ou SPFs).

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Esses SPFs parecem funcionar como quartéis-generais biológicos para planejar um contra-ataque à infecção. Mas eles só aparecem quando o sistema imunológico está lutando contra invasões que já foram encontradas antes.

Descoberta foi “sorte”

As abordagens tradicionais de microscopia analisam fatias finas de tecido 2D e os pesquisadores acham que é por isso que os FPSs não foram vistos antes --eles são muito finos e só aparecem temporariamente.

Dessa vez, a equipe fez o equivalente a um filme em 3D do sistema imunológico em ação, que revelou muitos tipos diferentes de células imunes nesses FPSs. Uma delas, que continha células de memória do tipo B (que dizem ao sistema imunológico como combater uma infecção específica) se transformam em células de plasma para produzir anticorpos e fazem o trabalho real de combater a ameaça.

"Foi emocionante ver as células B de memória sendo ativadas e agrupadas nesta nova estrutura que nunca havia sido vista antes", diz um dos integrantes da equipe, Imogen Moran. "Nós a vimos se movimentando, interagindo com todas essas outras células do sistema imunológico e se transformando em células plasmáticas diante de nossos olhos".

O trabalho foi publicado no periódico Nature Communications na quarta-feira (22).

Células imunológicas reunidas no SPF, com a parte roxa mostrando a superfície do novo órgão - Imogen Moran/Tri Phan
Células imunológicas reunidas no SPF, com a parte roxa mostrando a superfície do novo órgão
Imagem: Imogen Moran/Tri Phan

Vacinas à vista

Segundo os cientistas, esse novo órgão pode ajudar no desenvolvimento de vacinas mais eficazes no futuro.

As vacinas são baseadas no fato de que, uma vez que o corpo tenha encontrado um tipo específico de infecção, ele é mais capaz de se defender contra isso na próxima vez. Essa nova pesquisa sugere que o micro-órgão pode ser a chave para a maneira como nosso corpo "lembra" a imunidade.

"Quando você está combatendo bactérias que podem duplicar em número a cada 20 ou 30 minutos, cada momento é importante", diz o pesquisador sênior Tri Phan. "Para ser franco, se o seu sistema imunológico leva muito tempo para montar as ferramentas para combater a infecção, você morre."

É por isso que as vacinas são tão importantes. A vacinação treina o sistema imunológico, para que ele possa produzir anticorpos muito rapidamente quando uma infecção reaparece. O problema é que até agora os cientistas não sabiam como e onde isso acontece.

Segundo os pesquisadores, as estruturas do SPF no topo dos linfonodos os posiciona perfeitamente para combater infecções --e rápido.

Atualmente, as vacinas se concentram na produção de células B de memória, mas este estudo sugere que o processo poderia ser mais eficiente também observando como elas se transformam em células plasmáticas por meio do funcionamento interno de um SPF.

"Essa é uma estrutura que está lá desde o começo, mas ninguém a tinha visto ainda, porque não usavam as ferramentas certas", diz Phan. "É um lembrete notável de que ainda existem mistérios escondidos dentro do corpo --embora nós, cientistas, examinemos os tecidos através do microscópio há mais de 300 anos".

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