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Tem gente dormindo 20 horas para emagrecer e isso é um perigo

Getty Images
Imagem: Getty Images

Thamires Andrade

Do UOL

06/06/2017 18h19

Não podemos comer enquanto dormimos, certo? É com base nesse pensamento que ressurge a "Dieta da Bela Adormecida". Difundida em grupos e fóruns pró-anorexia, essa dieta --se é que podemos chamar assim-- recomenda dormir o máximo de tempo possível [até 20 horas por dia], lançando mão de remédios e sedativos, tudo para não precisar comer.

Ela teve seu boom durante a década de 60/70 e um dos adeptos desse método seria o cantor Elvis Presley, que supostamente se sedava para dormir por dias seguidos, tudo para conseguir emagrecer.

A ideia de emagrecer dormindo pode até parecer legal, mas, segundo Maria Edna de Melo, endocrinologista e presidente da Abeso (Associação Brasileira para Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica), além de perigosa para saúde, essa invenção tem pouco efeito para quem quer eliminar os quilinhos extras.

"Quando dormimos, o gasto energético é praticamente nulo. É a partir do momento que abrimos os olhos que começamos a queimar calorias. Ou seja, deixar de viver para dormir não leva a lugar nenhum, nem ajuda a emagrecer", diz.

Além disso, essa prática pode fazer muito mal para a saúde por vários motivos. A deficiência nutricional e a desidratação são alguns exemplos. Maria Edna explica que nós precisamos de nutrientes para nos manter vivos e, ao dormir mais de 20 horas, como é preconizado nesses grupos, podemos ter problemas de saúde por falta de nutrientes e de água.

Uso e abuso de remédios

Outro problema dessa prática é o uso indiscriminado de remédios que são controlados e que não deveriam ser usados sem acompanhamento médico. A principal delas são as benzodiazepina, ansiolíticos usados como sedativos.

"Esse medicamento rebaixa o nível de consciência e induz ao sono. Ele tem tempo de ação prolongado. Você toma e, na hora que acorda, ainda não recobra as funções cognitivas prontamente", explica.

Ou seja, o risco de comprometer o seu rendimento no trabalho ou na escola ou até se envolver em um acidente é grande. “Fora que compromete a função cerebral, diminuindo a memória, aumentando o risco de demência. E como são medicamentos que causam dependência, a dose para te fazer dormir sempre aumentará”, explica.

Descontentamento vai além da balança

Sabrina Gonzalez, psicóloga hospitalar e de transtornos alimentares, explica que as pessoas que buscam essa "dieta" têm mais predisposição a ter anorexia ou compulsão por perder peso, o que faz com que elas restrinjam ao máximo a ingestão calórica.

No entanto, Sabrina explica que essa preocupação extrema com a forma física muitas vezes é mais profunda do que parece. "Essa busca pela magreza é mais uma questão de como essa pessoa está lidando com o sentido da vida dela. Muitas não aguentam mais viver. Elas estão insatisfeitas e não só com a balança, mas com tudo que a rodeia", fala.

Para a psicóloga, é só com o apoio da família e dos amigos que a pessoa que está vivendo essa situação conseguirá buscar o tratamento adequado, já que muitas vezes o paciente não percebe que está se prejudicando.

"O principal é que essas pessoas a escutem e não só façam críticas sobre o comportamento. Isso só gera mais culpa para o paciente. É preciso acolher e buscar tratamento com um psiquiatra. É um trabalho de formiguinha até que a pessoa reconheça que esse comportamento faz mal ", explica.