PUBLICIDADE

Topo

Saúde

Sintomas, prevenção e tratamentos para uma vida melhor


Vacinas contra a covid-19: tire dúvidas sobre a imunização

Cadu Rolim/Fotoarena/Estadão Conteúdo
Imagem: Cadu Rolim/Fotoarena/Estadão Conteúdo

De VivaBem, em São Paulo

18/01/2021 12h25Atualizada em 25/01/2021 12h16

O uso emergencial de duas vacinas foi liberado no Brasil pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) no dia 17 de janeiro.

Com o PNI (Plano Nacional de Imunização) já iniciado, muitos brasileiros ainda têm dúvidas sobre a proteção e os hábitos que devem seguir após receberem o imunizante. VivaBem conversou com especialistas para responder às dúvidas mais comuns:

Tire dúvidas sobre as vacinas contra covid-19

Já tive covid-19, preciso tomar a vacina?

Para garantir a proteção, sim. Conforme explica o imunologista Gustavo Cabral, pesquisador da USP (Universidade de São Paulo)/Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de S. Paulo) e colunista do UOL VivaBem, em tese, quem já foi infectado pelo Sars-CoV-2 já estaria naturalmente vacinado, já que o sistema imunológico já foi ativado e desenvolveu uma proteção e uma memória imunológica para que, quando tiver contato novamente com o vírus, o corpo possa se proteger da doença.

Mas para certificar-se de que essa proteção é duradoura e suficiente — já que alguns estudos científicos mostram que assintomáticos, por exemplo, não desenvolveram memória imune duradoura — seriam necessárias pesquisas científicas com recortes específicos para esses pacientes, o que ainda não foi realizado em grande escala.

Por enquanto, algumas dúvidas para quem já foi infectado ainda ficam: Seria apenas uma vacinação? Como um reforço para estimular o sistema imune a gerar uma memória imunológica mais eficiente? Ou precisaria das duas doses estipuladas para a maioria das vacinas?

Portanto, o PNI (Plano Nacional de Imunizações) não prevê a separação de quem já foi infectado com o vírus, e o ideal é que essas pessoas também recebam a vacina.

Quem pode se vacinar? Já posso ir ao postinho?

Neste momento, somente os grupos considerados prioritários serão imunizados. A vacina ainda não está disponível amplamente, então não se dirija a nenhum posto de saúde.

Não tenho cartão SUS, vou poder me vacinar?

Sim. Você pode apenas levar um documento de identificação para comprovar que está dentro da faixa etária ou grupo a ser vacinado em cada período determinado pelo governo federal, como mostra a apuração de UOL Notícias.

O Cartão SUS, contudo, vai ser usado para ser um controle das pessoas que já tiverem tomado a vacina, sem ter a obrigatoriedade de apresentação nesse momento.

Qual documento preciso para me vacinar?

O governo está desenvolvendo um sistema informatizado para agilizar o tempo médio de realização do registro do vacinado, conforme mostra reportagem de UOL Notícias.

Ele vai usar o QR Code gerado pelo cidadão por meio do aplicativo do Conecte SUS para facilitar a identificação da pessoa na hora de receber a imunização. É possível baixar o aplicativo por meio das plataformas da Play Store e App Store.

Mas caso o cidadão chegue ao posto sem o QR Code, não deixará de ser vacinado. No entanto, será preciso comprovar que faz parte do grupo alvo daquela fase de imunização. Mesmo assim, para que seja possível ter um controle de quem já foi vacinado, é preciso que seja apresentado o CPF ou o CNS (Cartão Nacional de Saúde), também conhecido como o Cartão SUS.

Com ele, o paciente tem o histórico salvo na rede pública de saúde. Além disso, apresentar um dos documentos faz com que seja feita a identificação, controle, segurança e monitoramento adequado das pessoas que receberam as doses.

Quais são os grupos prioritários?

Conforme o Ministério da Saúde, os primeiros a receber as vacinas são os profissionais de saúde da linha de frente do combate à covid-19, idosos com mais de 60 anos que vivem em instituições de longa permanência; pessoas a partir de 18 anos de idade com deficiência, que vivem em residências inclusivas, e indígenas que vivem em terras indígenas. Quilombolas foram tirados da lista pelo ministério, mas o governo de São Paulo decidiu que eles também serão vacinados em São Paulo.

As pessoas desses grupos vão receber a imunização nos locais onde vivem/trabalham, sob a coordenação de cada município. O número limitado de doses disponíveis no momento obrigou o ministério a priorizar indivíduos com mais risco. São cerca de 156,8 mil idosos que vivem em instituições de longa permanência e representam apenas 0,5% do total de idosos no país.

Quando os idosos que não vivem em asilos serão vacinados?

Ainda não foi definido. Isso vai depender da disponibilidade das doses de vacina. O governo de São Paulo tinha divulgado ainda no ano passado um cronograma com datas conforme a faixa etária. Havia uma previsão de que idosos com mais de 75 anos começariam a ser vacinados em 8 de fevereiro. Mas como há poucas doses da CoronaVac no Brasil e elas estão sendo compartilhadas com todo o país por meio do Ministério da Saúde e ainda há um atraso na chegada de novos insumos, esse cronograma original foi alterado e novas datas ainda serão anunciadas pelo governo.

A vacina será gratuita?

Sim. Inicialmente, a vacina será aplicada apenas pelo SUS (Sistema Único de Saúde), de forma gratuita a toda população.

Há previsão de que se possa comprar a vacina em clínicas particulares?

Ainda não há previsão de compra das vacinas aprovadas pelas clínicas particulares. A autorização da Anvisa para uso emergencial é restrita para a rede pública de saúde.

As vacinas são seguras?

Sim. Todas as vacinas aprovadas até agora no Brasil contra o coronavírus passaram pelos testes de segurança e foram reconhecidas como seguras pela Anvisa. Os eventos adversos, em geral já apresentados em bula, são leves. Os mais comuns são dores no local da aplicação e às vezes febre baixa, além de fadiga e dor de cabeça.

"Mesmo que existam casos relatados com evolução para alguma gravidade, a chance de isso ocorrer é pequena e o risco é totalmente compensado pelos benefícios obtidos com a vacina", explica a rede Todos pelas Vacinas. O grupo também ressalta: vacinas não alteram DNA. Isso é impossível. "A gente pode ficar muito tranquilo. Nenhuma vacina vai fazer mal para ninguém, não vai transformar em jacaré. E o benefício que elas trazem para a sociedade supera absurdamente os riscos mínimos", disse a microbiologista Natália Pasternak, da USP e do Instituto Questão de Ciência.

A taxa geral de eficácia da CoronaVac é 50,38%. O que isso significa?

Essa taxa significa que a vacina reduz pela metade o risco de adoecer. Essa é a capacidade da vacina de evitar casos sintomáticos de um modo geral, independentemente da gravidade. Com ela, a pessoa vacinada tem 50,38% menos chance de desenvolver a doença.

Qual é a diferença desse nº para o que foi anunciado anteriormente, de 78%?

Esse número foi obtido com um recorte do estudo, que considerou a ocorrência de casos leves de covid-19 que demandaram alguma intervenção médica ao paciente. Foram 31 casos assim no grupo que recebeu placebo e apenas sete no que foi vacinado. Ou seja, mesmo entre quem acabou ficando doente, a vacina reduziu em 78% a chance de a pessoa precisar de algum tipo de assistência médica.

A vacina de Oxford tem melhor eficácia?

As duas vacinas têm eficácia suficiente para ajudar no combate à pandemia. Nos testes, a vacina de Oxford foi administrada de duas formas diferentes: na primeira delas, os voluntários receberam metade de uma dose e, um mês depois, uma dose completa. Nesse grupo de voluntários, a eficácia foi de 90%.

Já no segundo grupo, que recebeu duas doses completas da vacina, a eficácia foi reduzida a 62%. Esses dois resultados permitiram estimar que a eficácia média da vacina é de 70%.

É possível tomar duas vacinas diferentes? É possível escolher qual tomar?

Não será possível escolher qual vacina tomar. Elas estão sendo distribuídas por estado e a distribuição está a cargo do PNI (Programa Nacional de Imunizações). Não há essa opção de escolher.

Há um risco da vacina para pessoas mais velhas e doentes?

Os testes tanto com a vacina de Oxford quanto com a CoronaVac tiveram poucos participantes idosos e ainda não foi possível concluir quanto elas são eficazes para eles, mas a segurança em geral foi similar.

Recentemente, houve um alerta feito pelo governo da Noruega em relação à vacina da Pfizer. No último dia 14, a Agência Norueguesa de Medicamentos atualizou suas recomendações sobre quem deve receber a vacina após alguns idosos morrerem pouco tempo depois de serem vacinados. Mas não foi estabelecida uma relação causal entre as mortes e as vacinas.

Desde o início da campanha de vacinação, no final de dezembro, 33 idosos que receberam a primeira dose morreram. Entre essas mortes, 13 foram analisadas de forma mais abrangente e se observou que eram "pessoas muito idosas, frágeis e gravemente doentes", com mais de 80 anos. A diretora da autoridade de saúde norueguesa, Camilla Stoltenberg, lembrou que diariamente morrem 45 pessoas em lares de idosos no país e disse que não há evidências de que a vacina tenha causado as mortes recentes.

Grávidas podem tomar a vacina?

Segundo os especialistas, vai depender do caso. "Não há estudos que indiquem efeito prejudicial da aplicação das vacinas contra a covid-19 em grávidas. Porém, fique de olho: também não há, ainda, estudos que comprovem sua segurança neste grupo", aponta a rede Todos pelas Vacinas. Os estudos clínicos dos imunizantes aprovados para uso emergencial no Brasil não incluíram mulheres grávidas entre os voluntários.

Caso pertença a algum grupo de risco —seja ela obesa, hipertensa ou diabética—, a mulher deve ser informada de que se trata de uma vacina nova, ainda não testada para o caso dela. Mas, mesmo assim, ser infectada pela covid-19 representa um risco maior que o de ser vacinada. A recomendação é de que as gestantes conversem com seus obstetras antes de tomar uma decisão. A Sociedade Brasileira de Infectologia chegou a fazer uma recomendação de que a CoronaVac é segura para grávidas no terceiro trimestre. Mas isso não está em bula, nem está na recomendação do PNI.

Quem está com febre pode tomar a vacina? E quem está tomando antibiótico?

As pessoas com febre devem aguardar para receber a vacina. Quem está tomando antibiótico deve conversar com o seu médico antes.

Uma pessoa infectada, mas ainda sem o diagnóstico, pode tomar a vacina?

Pode. E quem já foi infectado deve sim tomar a vacina. Por que a imunidade natural ao vírus não é constante na população e não é mensurável. Algumas pessoas que tiverem uma forma leve da doença às vezes nem produzem muitos anticorpos, enquanto gente que teve uma forma mais grave pode ter uma resposta mais robusta. Quando se dá a vacina para a população como um todo, essa resposta fica padronizada e é mais garantido que de fato todo mundo está imunizado. .

Hábitos saudáveis podem proteger contra a covid-19 e substituir a vacina?

Não. A rede Todos pelas Vacinas explica: "Qualquer imunização é a provocação de uma resposta imune adaptativa (anticorpos e linfócitos de memória) através da inoculação de antígenos. Uma pessoa só está imune a uma doença se produzir anticorpos e linfócitos de memória. Hábitos saudáveis podem auxiliar na resposta imune eficaz, mas não imunizar".

Contrair a covid-19 dá uma proteção melhor do que tomar a vacina?

Não. A imunidade que o nosso corpo desenvolve após contrair a doença ainda não está clara e pode durar pouco tempo, como sugerem os casos de reinfecção que vêm sendo relatados. Além disso, o risco de morrer ao contrair a covid-19 é de cerca de 1% —taxa que aumenta consideravelmente com a idade e com a ocorrência de comorbidades (como diabetes, hipertensão e obesidade).

E mesmo quem se recupera da doença pode apresentar ainda por vários meses sintomas, como fadiga, além de outras sequelas mais graves. Então não vale a pena. Melhor tomar a vacina.

Depois de quantos dias a vacina começa a fazer efeito?

A proteção não é imediata. "Existem vacinas que, se a gente espera quinze dias após a primeira dose, 50% das pessoas que a tomaram já terão desenvolvido alguma proteção, enquanto a outra metade, nada", explicou Luís Fernando Aranha, infectologista do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, à Lúcia Helena, colunista de VivaBem.

De acordo com Álvaro Costa, infectologista do HC-SP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), quatro semanas após a segunda dose é um período de tempo considerado suficiente para que a defesa imunológica da maioria das pessoas desenvolva uma resposta robusta. "No caso da Coronavac, já conseguiríamos os benefícios descritos na pesquisa: impedir formas graves, internações e a proteção de 50,38% para casos leves."

Preciso mesmo tomar duas doses da vacina?

Sim. Segundo Costa, é essencial tomar as duas doses, como o intervalo previsto nos estudos, já que foi assim que os estudos científicos demonstraram que o imunizante fornece a proteção adequada.

"Pode até ser que uma só dose promova algum grau de proteção, mas não sabemos quanto, já que a eficácia divulgada foi referente a duas doses. Para controlar a pandemia, é muito importante que todos sigam as medidas preconizadas pelo protocolo do plano de vacinação, que tem como base os resultados dos testes", indica.

Conforme explica a colunista Lúcia Helena ao descrever o processo da construção de defesa imunológica detalhadamente, é a segunda dose, no final das contas, que garante três objetivos preciosos diante da ameaça que nos cerca: um volume maior de células defensoras, necessário para uma defesa realmente eficaz; uma resposta mais intensa contra um vírus que não está de brincadeira e uma especificidade maior também, isto é, a habilidade de não confundi-lo e, mais, acertá-lo em cheio.

Quantas pessoas precisam ser vacinadas para termos a imunidade de rebanho?

Considerando somente a CoronaVac, será preciso aplicá-la em praticamente toda sua população apta a recebê-la (99%) para alcançar a imunidade coletiva —e assim deter a circulação do novo coronavírus no país, segundo cálculo do microbiologista Luiz Gustavo de Almeida, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto Questão de Ciência.

Segundo Almeida, seriam necessários dez meses para que todos recebessem a primeira dose. Ou seja, se tudo der certo, a vacinação, considerando que são necessárias duas doses para imunizar, só terá detido totalmente o vírus no 2º semestre de 2022.

Fico imune após a vacina, ainda assim posso transmitir a covid-19?

Sim. A Coronavac, vacina com a qual os brasileiros começaram a se imunizar a partir desta segunda-feira (18), conta com uma proteção global de 50,38%.

"Isso significa que é possível que ainda você seja infectado pelo Sars-CoV-2 mesmo tomando a vacina, mas será de uma forma leve, que não evoluirá para internação ou óbito. Mas mesmo quem tem sintomas brandos tem potencial de transmissão. A recomendação é que mesmo quem já tomou a vacina não tenha na cabeça que o imunizante é um passaporte definitivo de proteção e deixe de usar máscara e tomar outras medidas protetivas — como a higiene das mãos e o distanciamento social", aponta Álvaro Costa.

Gustavo Cabral, imunologista pesquisador da USP (Universidade de São Paulo)/Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de S. Paulo) e colunista do UOL VivaBem, esclarece que a transmissão pode acontecer pois, para desenvolver a doença no ser humano, o vírus se prolifera no organismo e cria uma carga viral alta.

"Se o sistema imunológico já tiver uma preparação prévia para enfrentar esse vírus, por exemplo por ter recebido uma vacina, o corpo vai lutar de maneira mais eficientemente para que esse vírus não prolifere ao ponto de adoecer. Porém, em muitos casos, nesse período de luta entre sistema imune e vírus, mesmo com uma carga viral baixa, o coronavírus pode ser transmitido para outras pessoas", explicou, em sua coluna.

Tomei vacina, preciso continuar usando máscara?

Sim. "Como, na vida real, fora do universo dos ensaios clínicos, a gente não sabe apontar quem são as pessoas que vão responder bem à vacina ou não, na prática continuam valendo as normas não só sobre o uso de máscara, mas sobre higienizar as mãos com frequência e manter o distanciamento mínimo de 1,5 metro de outras pessoas", explica a médica Karen Mirna Loro Morejón, infectologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP entrevistada por Lúcia Helena, colunista do UOL VivaBem.

Em média, as vacinas que estão chegando contra a covid-19 têm de 70% a 80% de eficácia, umas mais e outras menos. No caso da Coronavac, único imunizante atualmente disponível em solo brasileiro, a proteção é 100% garantida para casos graves e óbitos, mas quem tomou ainda pode pegar a covid-19 em forma leve e transmitir para outras pessoas, conforme explicado acima.

A não ser que queiram se arriscar — e, pior, arriscar a vida dos outros, caso contraiam o vírus —, elas devem seguir a vida com aqueles cuidados de sempre para frear a propagação da covid-19.

"Só quando a cobertura vacinal for alta, com 80% ou mais da população vacinada, é que poderemos tirar a máscara", explicou Rosana Richtmann, médica do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, à jornalista Lúcia Helena. "Por isso que, se a gente quer mesmo arrancá-la, é tão fundamental que as pessoas não se recusem a vacinação. Quanto mais depressa elas forem vacinadas, mais rápido nos livraremos da máscara e de tudo."

A CoronaVac pode ser tomada com outras vacinas?

O Ministério da Saúde recomendou um intervalo mínimo de 14 dias entre as vacinas covid-19 e as diferentes vacinas do Calendário Nacional de Vacinação, visto que não foram feitos estudos de administração simultânea das vacinas.

Crianças e adolescentes também serão vacinados?

Por enquanto não. Além de ainda não terem sido feitos testes clínicos das vacinas com menores de 18 anos, o risco para essa faixa etária é considerado menor.

Depois de tomar a vacina, posso abraçar as pessoas normalmente?

Não. Os cuidados de distanciamento social continuam até que se alcance a imunidade de rebanho, ou seja, em que cerca de 60% a 70% da população esteja imunizada. Como as vacinas não têm 100% de eficácia, ainda existe a chance de se infectar, então é preciso continuar se precavendo.

À medida que a imunização ocorra, a circulação pode aumentar?

Não. Os próprios técnicos da Anvisa ressaltaram na reunião pública em que aprovaram o uso emergencial de ambas as vacinas —a CoronaVac e a produzida por Oxford—, que o país ainda está longe de vislumbrar um cenário em que as medidas de restrição impostas com base na ciência deixem de ser necessárias. Por isso, ainda é fundamental manter o isolamento sempre que possível, o distanciamento e usar máscara e álcool em gel.

Se o intervalo para voltar a vacinar for grande, imunidade pode se perder?

Ainda não se sabe.

A imunidade da vacina é duradoura?

Ainda não se sabe. Essa resposta só será obtida com o passar do tempo, depois que muitas pessoas estiverem vacinadas. Há o risco de que novas variantes do vírus possam acabar "driblando" a vacina e muitos especialistas estimam que, com o tempo, seja necessário atualizar a vacina e reaplicá-la, como ocorre com as vacinas da gripe.

Quando a população em geral vai começar a ser vacinada?

Ainda não se sabe. Isso vai depender da disponibilidade de mais vacinas. Anteriormente, o Ministério da Saúde tinha informado que o cronograma seguiria a seguinte ordem: idosos a partir de 75 anos; pessoas de 60 a 74 anos; pessoas com comorbidades (doenças que aumentam o risco de agravamento da covid-19, como diabetes, hipertensão, doenças pulmonares e cardiovasculares; professores, forças de segurança e salvamento e funcionários do sistema prisional.

Vacinas disponíveis são capazes de nos proteger contra as novas variantes?

Mutações em vírus são esperadas e ocorrem com mais rapidez quando o vírus está se replicando muito, como ocorre em uma situação de pandemia. De vez em quando, podem ocorrer mutações que tornem o vírus mais transmissível, mais virulento ou mais agressivo.

"Em geral as mutações não fazem grande diferença, mas se ela trouxer uma vantagem para o vírus, como ser mais transmissível, ao competir com as linhagens anteriores, ele ganha a briga. Se ele consegue se transmitir com mais eficiência, logo pode se tornar a linhagem prevalente", explica Natália Pasternak.

"Até agora, a notícia é boa. A Pfizer testou sua vacina com os mutantes do Reino Unido e da África do Sul e funcionou perfeitamente. Até agora, as mutações que apareceram não tornam o vírus tão diferente a ponto de não ser mais reconhecido pela vacina. Mas tem de ficar de olho, porque se aparecer uma muito diferente, vamos precisar adaptar as vacinas", afirma. Vacinas que usam o vírus inativado, como a CoronaVac, têm a vantagem de, por usar o vírus inteiro, terem também mais alvos para a vacina, de modo que esse tipo de mutação não deve ser um problema.

Por que a vacinação é importante e todos devem se vacinar?

Quanto maior o número de pessoas vacinadas, mais rápido terminará a pandemia. Isso porque diminuirá a circulação do vírus e maior parte da população fica protegida. De acordo com a rede Todos pelas Vacinas, "para uma vacina ser eficaz no indivíduo e na comunidade, ela deve cobrir uma porção determinada da população. Essa quantidade de pessoas depende do tipo de vacina e do patógeno. Uma cobertura vacinal alta previne pessoas vulneráveis a infecções, como pacientes com o sistema imunológico debilitado, recém-nascidos e idosos". Esse fenômeno de proteção indireta é o que ficou conhecido como "imunidade de rebanho".

Referências

Ministério da Saúde; Governo de São Paulo; Rede Todos pelas Vacinas; Natália Pasternak, microbiologista da USP e presidente do Instituto Questão de Ciência; Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm); Luiz Gustavo de Almeida, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto Questão de Ciência; Eliana Bicudo, consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI/DF); Rosimeire Alves, doutora em Química Orgânica pela Universidade de Brasília (UnB); Ubiracir F. Lima, membro da Comissão Química Farmacêutica do Conselho Regional de Química/SP; e Gerson Pianetti, professor titular na Faculdade de Farmácia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e conselheiro do Conselho Federal de Farmácia (CFF).

Fonte: com reportagem de Giulia Granchi, do VivaBem e Bruno Ribeiro, Fabiana Cambricoli, Giovana Girardi, João Prata, Pablo Pereira, Paulo Favero, Renata Okumura e Roberta Jansen, do Estadão Conteúdo

Saúde

Saúde