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Saiba mais sobre as vacinas contra a covid-19 liberadas hoje pela Anvisa

Getty Images
Imagem: Getty Images

De VivaBem, em São Paulo

17/01/2021 15h03

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) liberou hoje (17) o uso emergencial de duas vacinas contra a covid-19 no Brasil: a CoronaVac, produzida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, e a vacina da Universidade de Oxford/AstraZeneca, que será produzida no Brasil pela Fiocruz.

Uma diferença crucial entre as duas é que já há cerca de 11 milhões de doses prontas da CoronaVac para uso imediato no país —o pedido de aval, porém, refere-se apenas a 6 milhões de doses. Já a vacina de Oxford ainda não se encontra em solo brasileiro —a viagem para buscar as doses produzidas na Índia foi vetada pelo país, que alegou que era preciso começar primeiro sua própria campanha de vacinação, o que ocorreu neste sábado (16).

Veja abaixo as principais informações sobre os dois imunizantes liberados hoje:

Testes no Brasil

  • CoronaVac

Os testes para estudos clínicos com a CoronaVac começaram em julho do ano passado em 8 estados. O estudo foi realizado com 13.060 voluntários, todos profissionais da saúde e expostos diariamente à covid-19.

Metade do grupo recebeu placebo e a outra metade tomou a vacina. Desde o início dos estudos, 252 pessoas foram infectadas: 167 do grupo placebo e 87 que tomaram a vacina. Entre os vacinados, não houve nenhum caso grave e nem moderado.

  • Oxford

Já a vacina de Oxford realizou os testes em 5 estados com 10 mil voluntários no total.

Tecnologia empregada

  • CoronaVac

A vacina de origem chinesa é feita com o vírus inativado, tecnologia muito utilizada entre as produções do Butantan: o vírus é cultivado e multiplicado numa cultura de células e depois inativado por meio de calor ou produto químico. Ou seja, o corpo que recebe a vacina com o vírus —já inativado— começa a gerar os anticorpos necessários no combate da doença.

O processo começa logo após a aplicação da vacina. As células que dão início à resposta imune encontram os vírus inativados e os capturam, ativando os linfócitos, células especializadas capazes de combater microrganismos. Os linfócitos produzem anticorpos, que se ligam aos vírus para impedir que eles infectem nossas células.

Enquanto isso, estimulam a produção e recrutam outras células do sistema imune, que começam a destruir as células que já foram infectadas pelos vírus da vacina. Os linfócitos se diferenciam em células de memória, que permanecem no corpo e permitem uma reação imune mais ágil se o vírus nos infectar de novo.

Após tomar a vacina, quem contrair o vírus não desenvolverá a doença, mas poderá transmiti-la. As vacinas atuam na prevenção e evitam o contágio, induzindo a criação de anticorpos por parte do sistema imunológico.

  • Oxford
Vacina de Oxford/AstraZeneca           - Geoff Caddick/AFP - Geoff Caddick/AFP
Imagem: Geoff Caddick/AFP

A vacina produzida pela Universidade de Oxford usa uma tecnologia conhecida como vetor viral não replicante. Por isso, utiliza um "vírus vivo", como um adenovírus, que não tem capacidade de se replicar no organismo humano ou prejudicar a saúde.

Este adenovírus também é modificado por meio de engenharia genética para passar a carregar em si as instruções para a produção de uma proteína característica do coronavírus, conhecida como espícula.

Ao entrar nas células, o adenovírus faz com que elas passem a produzir essa proteína e a exibam em sua superfície, o que é detectado pelo sistema imune, que cria formas de combater o coronavírus e cria uma resposta protetora contra uma infecção de verdade.

Origem

  • CoronaVac

A vacina foi criada na China pela farmacêutica Sinovac. No Brasil, a parceria com transferência de tecnologia é com o Instituto Butantan.

  • Oxford

A vacina foi criada no Reino Unido em uma parceria entre a Universidade de Oxford e a farmacêutica AstraZeneca. No Brasil, haverá transferência de tecnologia para Bio-Manguinhos, a unidade produtora de imunobiológicos da Fiocruz.

Doses

  • CoronaVac

A aplicação da CoronaVac ocorre em duas doses, sendo a segunda entre 14 e 28 dias após a aplicação da primeira.

  • Oxford

A aplicação da vacina de Oxford também ocorre em duas doses. Especialistas britânicos disseram que o imunizante tem eficácia de 70% com 21 dias após a primeira dose. Mas segundo a farmacêutica AstraZeneca, quando a segunda dose é aplicada 12 semanas após a primeira, esse número pode chegar a 100%.

Reações

  • CoronaVac

Os efeitos mais comuns apresentados após a vacina foram: dor no local da aplicação e dor de cabeça após a primeira dose. Também não foram registrados efeitos adversos graves e de interesse especial relacionados à vacinação.

  • Oxford

Não houve registro de eventos graves relacionados à segurança da vacina. No entanto, de acordo com o estudo, ocorreram efeitos adversos leves: 66% dos voluntários que tomaram a vacina tiveram dor no local da aplicação, 70% relataram fadiga, 68% tiveram dor de cabeça e 17% tiverem febre.

Vale destacar que a pesquisa chegou a ser suspensa em setembro de 2020 por alguns dias no Reino Unido após ter sido constatado um efeito colateral em um participante. Ele apresentou mielite transversa, uma síndrome inflamatória que afeta a medula espinhal e pode ser causada por infecções virais.

Mas uma análise feita por um comitê independente e a agência reguladora britânica concluiu que seria seguro prosseguir com o estudo. Na ocasião, a Anvisa concluiu que a relação benefício/risco se mantém favorável e, por isso, o estudo poderia ser retomado.

Eficácia

  • CoronaVac
Coronavac - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

O estudo foi feito com 13.060 voluntários, todos profissionais da saúde, uma população muito exposta à doença. Metade do grupo tomou a vacina CoronaVac e a outra parte recebeu placebo. Desde o início do ensaio, em julho, 252 pessoas foram infectadas com covid-19 —167 do grupo placebo e 85 entre os vacinados.

Entre elas, no grupo vacinado, não houve nenhum caso com doença moderada a grave, que precisou de internação. Sete casos foram registrados no grupo que não foi vacinado.

Se não houve nenhum caso no grupo vacinado, isso configura em uma eficácia de 100% para evitar casos graves, moderados, internações e mortes pela doença. Para as infecções que foram leves, ou seja, quando pessoa apresentou poucos sintomas de covid-19 e recebeu algum tipo de assistência médica, mas não precisou de internação, houve sete casos no grupo vacinado e 31 no grupo de placebo.

Isso significa que, para a prevenção para casos leves de covid-19, com sintomas, mas sem necessidade de internação, a eficácia é de 78%.

Em resumo: significa que temos 50,38% menos chances de contrair a doença. Se contrairmos, há 78% de chance de não precisarmos de qualquer atendimento médico e 100% de certeza de que a enfermidade não vai se agravar.

  • Oxford

A AstraZeneca e a Universidade de Oxford anunciaram dois resultados distintos de eficácia desta vacina —62% quando aplicada em duas doses completas e 90% com meia dose seguida de outra completa. A eficácia média, segundo os cientistas responsáveis, é de 70%.

Os dados analisados envolveram mais de 11 mil voluntários, aproximadamente 2,7 mil com o protocolo mais eficaz e quase 8,9 mil com o protocolo de duas doses completas. A resposta imune, ou seja, a produção de anticorpos, foi semelhante em todas as faixas etárias, após a segunda dose.

Nenhum dos voluntários que recebeu a vacina desenvolveu casos graves da covid-19 ou precisou ser hospitalizado

Produção no Brasil

  • CoronaVac

No começo de dezembro, o Instituto Butantan anunciou que a fabricação ocorrerá em turnos sucessivos, sete dias por semana, para que a produção diária alcance a capacidade de 1 milhão de doses por dia. Desta forma, a fábrica funciona sem parar, 24 horas por dia, para dar conta da demanda.

O Butantan espera ter 40 milhões de doses prontas produzidas localmente até o fim de janeiro. Atualmente, já há em solo nacional 10,8 milhões de doses.

No mesmo complexo são envasados anualmente 80 milhões de doses da vacina contra a gripe, além de 13 tipos diferentes de soros que são usados na rede pública de saúde. O imunizante tem composição semelhante a outros produzidos pelo Butantan, o que facilita e agiliza o processo de envase.

  • Oxford

A Fiocruz prevê produzir 100 milhões de doses da vacina a partir de um ingrediente farmacêutico ativo (IFA) importado ainda neste no primeiro semestre. No segundo semestre, mais 110 milhões de doses devem ser produzidas inteiramente em Bio-Manguinhos.

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