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'Hormônio do sono', melatonina tem venda liberada, mas uso requer cuidados

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Imagem: iStock

Danielle Sanches

Colaboração para VivaBem

02/05/2022 04h00

Para os médicos, dormir é uma necessidade fisiológica tão importante quanto comer ou respirar. Não à toa, nosso corpo é biologicamente programado para começar a desligar quando a luz ambiente começa a desaparecer —dando a deixa para relaxar e repousar no período da noite.

Isso só é possível porque há uma série de processos que se iniciam quando o sol começa a ir embora. E um deles é a liberação da melatonina, um hormônio produzido na glândula pineal, estrutura que fica bem no centro do cérebro.

É essa substância a responsável por avisar órgãos como estômago e fígado que é hora de desacelerar e se preparar para repousar. Mas não é só isso. Em paralelo, outros processos do corpo que só acontecem enquanto dormimos se preparam para começar. É o caso, por exemplo, da atividade cerebral que envolve a memória.

O problema é que, com o ritmo de vida do mundo moderno, com muitas horas em frente ao computador, aos smartphones e luzes artificiais acesas quando está escuro lá fora, nosso relógio biológico vem sofrendo para entrar nesse ritmo —provocando uma dificuldade para dormir ou manter o sono depois de deitar.

Não é à toa, então, que o "hormônio do sono", como a melatonina também é conhecida, vem sendo buscado por muita gente que não consegue dormir direito. No entanto, ela não é indicada para todos as pessoas que têm dificuldade para dormir e pode, sim, apresentar alguns efeitos desagradáveis se for usada incorretamente.

A seguir, tire suas dúvidas sobre a melatonina.

Melatonina: o que é, para que serve e mais

O que é melatonina?

A melatonina é um neurohormônio, ou seja, uma substância química produzida pelo corpo que tem um efeito fisiológico específico.

Nesse caso, a melatonina é produzida na glândula pineal, localizada no centro do cérebro.

Para que serve melatonina?

A melatonina tem como função regular o nosso relógio biológico, avisando ao corpo —e orientando o funcionamento de órgãos e do próprio metabolismo— quando é hora de dormir e quando é hora de acordar. É o chamado ciclo de sono e vigília.

Por isso, ela começa a ser liberada no nosso organismo no início da noite, quando a iluminação natural começa a cair, e tem seu pico de produção algumas horas depois de anoitecer.

Quando o dia nasce e a claridade volta a surgir no horizonte, a melatonina deixa de ser produzida, preparando o corpo para despertar e seguir com as atividades diárias.

A melatonina pode curar insônia?

Não. De cara, já vale deixar claro: não existe nenhuma diretriz médica que recomende a melatonina para o tratamento da insônia.

E a dificuldade para dormir não necessariamente é causada por insônia: atualmente, existem cerca de 50 doenças catalogadas na Classificação Internacional de Distúrbios do Sono. A insônia, assim como a apneia (ou Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono, como também é chamada), outra doença comum, está entre elas.

Por isso, antes de se automedicar, o recomendado é buscar ajuda de um especialista em medicina do sono para conseguir o diagnóstico correto e só então buscar a suplementação, se necessário.

Quem pode tomar melatonina?

A melatonina é indicada por médicos para quadros específicos em que o indivíduo sofre por não produzir ou produzir de forma errada ou insuficiente o "hormônio do sono".

É o caso, por exemplo, do distúrbio do ritmo circadiano, quando a liberação de melatonina ocorre fora do ritmo normal e faz com que o ciclo de sono e vigília do indivíduo fique desalinhado ao ciclo de claro e escuro da rotina diária.

Outro caso específico de recomendação para suplementar a melatonina é o transtorno comportamental de sono REM, em que a pessoa reage de forma física (gritando, chutando ou batendo, por exemplo) aos sonhos vívidos.

Há ainda algumas síndromes e até pacientes com TEA (transtorno do espectro autista) que também podem apresentar alteração na produção de melatonina, necessitando de reposição para alcançarem uma melhor qualidade de vida.

Quem não deve tomar melatonina?

A substância não é recomendada para mulheres grávidas ou amamentando ou para crianças —apenas sob orientação médica.

Indivíduos com histórico de doenças autoimunes, problemas no fígado ou nos rins, convulsão, depressão, pressão alta ou diabetes também devem conversar com o médico de confiança para saber se podem ou não tomar o suplemento.

Como tomar melatonina?

Por ser sensível à luz, a melatonina deve ser ingerida próximo à hora de dormir, de preferência com as luzes apagadas.

Onde comprar melatonina?

Após a liberação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), no final de 2021, a melatonina pode ser encontrada em comprimidos ou gotas em qualquer farmácia brasileira e pode ser adquirida sem a necessidade de prescrição médica.

É perigoso tomar melatonina?

Não. Os estudos feitos até agora não mostraram efeitos tóxicos no uso de melatonina por seres humanos, mesmo em altas doses.

No entanto, e embora a comercialização esteja liberada pela Anvisa, os especialistas não recomendam a automedicação.

Quais são os efeitos colaterais da da melatonina?

Os efeitos mais comuns do uso da melatonina são excesso de sonolência durante o dia, tontura, dor de cabeça e náuseas.

Qual a dosagem recomendada de melatonina para dormir?

No Brasil, a Anvisa autorizou a venda de melatonina como suplemento alimentar para consumo diário máximo de 0,21 mg.

No entanto, a dose recomendada pode variar —para mais ou para menos— de acordo com o quadro do paciente. Por isso, e mais uma vez, os especialistas são unânimes ao afirmar que o melhor é buscar orientação médica antes de utilizar a substância.

Fontes

Alan Luiz Eckeli, professor do Departamento de Neurociência e Ciências do Comportamento da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP (Universidade de São Paulo); Andrea Bacelar, presidente da ABS (Associação Brasileira do Sono); Claudia Chang, pós-doutora em endocrinologia e metabologia pela FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), membro da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia); Cristina Salles, responsável pelo serviço de Medicina do Sono no Hospital Universitário Professor Edgard Santos (Hupes-UFBA/Ebserh) e professora adjunta da EBMSP (Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública).

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