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Sintomas, prevenção e tratamentos para uma vida melhor


Garganta inflamada: quando a dor deixa de ser normal e necessita de médico?

Entenda quando a garganta inflamada pode preocupar e como aliviar - Getty Images
Entenda quando a garganta inflamada pode preocupar e como aliviar Imagem: Getty Images

Cristina Almeida

Colaboração para VivaBem

26/11/2021 04h00

Se a garganta está inflamada, é muito difícil ignorar seus sintomas. Pode até ser que a dor seja leve, mas haverá a sensação de que ela está seca ou raspando. Aí, comer e beber podem se tornar tarefas difíceis. Nessa hora é preciso ter calma porque, geralmente, o problema pode se resolver sozinho no período de 5 a 7 dias.

A inflamação na garganta é uma resposta a algum tipo de infecção ou lesão de tecidos, acomete igualmente homens e mulheres, mas é mais comum entre jovens e crianças, principalmente em países nos quais há maior prescrição de antibióticos. Tal prática tem como consequência a resistência bacteriana, além da baixa adesão a tratamentos.

Para boa parte desses quadros, o alívio da inflamação na garganta se dá com muito repouso, boa hidratação e uma dieta equilibrada. Quando o uso de medicamentos é indicado, em geral, o objetivo do tratamento é reduzir o incômodo que a dor e a febre causam.

Por que a garganta inflama?

A inflamação é uma das doenças da garganta e se trata de uma resposta do sistema de defesa do corpo aos mais diversos tipos de agentes agressores, como vírus, bactérias e até fungos. A explicação é de Paulo Camiz, clínico geral e geriatra.

Os microrganismos mais predominantes nesses quadros são o rinovírus, o vírus sincicial respiratório, o influenza e, mais recentemente, o coronavírus. Entre as bactérias, a infecção mais comum se dá por estreptococos do Grupo A.

Conheça as outras possíveis causas:

Entre as crianças, nos 2 primeiros anos de vida, em mais de 90% das vezes as inflamações são causadas por vírus. Depois dessa idade, estas infecções prosseguem, mas já começam a aparecer as de origem bacteriana.

Entenda a diferença entre inflamação viral e bacteriana

A maior diferença está exatamente na origem do problema: um vírus ou uma bactéria. Mas a forma como essas inflamações se manifestam também têm suas peculiaridades. Bruno Spadoni, clínico geral e professor da Escola de Medicina da PUC-PR, diz que não é comum que as inflamações virais apresentem complicações.

"O coronavírus é uma infeliz exceção porque ele consegue afetar outros órgãos à distância da garganta, principalmente os pulmões. Já no caso das bactérias, as complicações costumam ser mais locais, como a formação de pus ou abscesso —situação rara, mas possível", esclarece.

Além disso, nas bacterianas a febre costuma ser alta, a dor é mais intensa, o fundo da garganta fica mais inchado e vermelho, pode apresentar pontos de pus sobre ela e ainda são perceptíveis o inchaço de gânglios do pescoço que também ficam doloridos.

Como saber se a garganta está inflamada?

Independente da origem da inflamação, além da dor e da típico vermelhidão local, podem estar presentes as seguintes manifestações:

Quando ela decorre de vírus, você observará os sintomas a seguir:

Infecções bacterianas incluem também:

  • Secreção purulenta nas amígdalas ou petéquias (manchas avermelhadas no palato).

Como reconhecer esses sintomas nas crianças?

Nas infecções virais, em geral, as crianças têm pouca dor, conseguem se alimentar e podem relatar a sensação de raspar a garganta. A febre é baixa e o estado geral delas se mantém preservado.

Já nas infecções bacterianas, a dor é intensa, a febre é mais alta, o estado geral é pior. Além disso, a criança baba porque ela sente dor até para engolir a saliva.

Saiba quando procurar ajuda médica

O otorrinolaringologista Bruno Moraes, professor da Faculdade de Medicina do Recife, sugere que, se não houver melhora do quadro após o período de 5 a 7 dias, é preciso submeter-se a uma avaliação médica para prevenir complicações.

"O mesmo se indica na presença de sintomas intensos, prostração [mal-estar geral] importante, febre elevada que não passa, mesmo com o uso de antitérmicos, dor intensa, aumento de volume do pescoço, além de falta de ar ou aquela sensação de 'bolo na garganta'", acrescenta Moraes.

Os especialistas consultados ressaltam ainda que, até que acabe a pandemia, você também deve considerar fazer um teste para o vírus da covid-19, mesmo que já tenha sido vacinado. Se não tiver acesso a ele, é recomendado manter-se isolado até que o médico descarte essa possibilidade, ou até que se completem os 10 dias do início dos sintomas —caso você esteja bem após esse período.

Quando procurar o pediatra?

O conselho do médico pediatra Ivan Savioli Ferraz é que se busque ajuda quando a inflamação persista por mais de 2 ou 3 dias, e o quadro evolua para uma piora com o aumento da febre e a recusa da criança em se alimentar. Isso se não houver nenhum outro sinal de alarme.

"Quando a inflamação é de origem bacteriana, o estado geral da criança é mais comprometido. Portanto, assim que observar essa condição é preciso levar ao pediatra. Cabe a ele descartar outras doenças, como a herpangina [infecção viral que acomete a garganta e é comum em bebês e crianças], cujo sintoma é a febre alta", completa Ferraz.

Como é feito o diagnóstico?

Na hora da consulta, o médico ouvirá a sua queixa, levantará seu histórico de saúde e fará o exame detalhado da garganta. O diagnóstico se fundamentará nesses elementos e, por isso, é chamado de diagnóstico clínico. Na maioria das vezes, não são requisitados exames complementares.

O médico somente o fará caso seja necessário definir o agente causador da infecção. Nessas situações, os exames mais comumente solicitados são os laboratoriais como o hemograma, o PCR, teste rápido para Streptococcus pyogenes e cultura de secreções. Exames de imagem, como a radiografia ou a tomografia, em geral, são úteis na presença de complicações.

Possíveis tratamentos

A estratégia terapêutica dependerá da causa da inflamação na garganta. Na maioria das vezes ela se baseia em cuidados como repouso, boa hidratação —inclusive com a introdução de soro fisiológico— e dieta equilibrada, além do alívio de sintomas como febre e dor, por meio de antitérmicos e analgésicos.

Quando há evidência clínica ou laboratorial de infecção bacteriana, o médico pode indicar o uso de antibiótico. Nos quadros em que haja maior desconforto, os anti-inflamatórios podem ser úteis. No entanto, ele é desaconselhado para as crianças nas inflamações virais. Em todas as idades, deve-se estar atento ao histórico de alergias ou uso crônico de outros medicamentos.

Quando os pequenos são acometidos por infecções bacterianas, pode ser necessário o uso do antibiótico. Você deve administrá-lo à criança na forma indicada pelo médico. Além de combater a bactéria, o medicamento também reduz a chance de complicações como a febre reumática e a gomerulonefrite pós-estreptocócica, uma doença renal.

Em raras complicações, pode ser necessária a internação do paciente para investigação do sintoma e seu devido tratamento.

Cuidado com a automedicação

Os especialistas desaconselham veementemente a automedicação, especialmente o uso de antibióticos sem indicação médica. A utilização indevida desse medicamento pode não só piorar o quadro, como provocar a resistência bacteriana, ou seja, quando for realmente necessário usar esse fármaco, ele pode não mais fazer efeito para você ou seu filho.

Dá para prevenir?

Nem sempre é possível prevenir a infecção por vírus ou bactérias. Mas manter a carteira de vacinação em dia, adotar hábitos de higiene, bem como a etiqueta respiratória (cobrir a boca e o nariz ao espirrar ou tossir), reduzem as chances de ter uma inflamação na garganta.

Além disso, mesmo após passar a pandemia, adote o hábito de usar máscara quando tiver dor de garganta para evitar a transmissão de agentes infecciosos a outras pessoas.

Fontes e referências

Fontes: Bruno Moraes, otorrinolaringologista, professor da Faculdade de Medicina do Recife da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), chefe do Serviço de Otorrinolaringologia do Hospital das Clínicas da mesma instituição, que integra a Rede Ebserh; Bruno Spadoni, clínico geral e professor da Escola de Medicina da PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná); Ivan Savioli Ferraz, médico pediatra e docente do Departamento de Puericultura e Pediatria da FMRP-USP (Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo); Paulo Camiz, clínico geral e geriatra do HC-FMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo). Revisão Técnica: Bruno Moraes.

Referência: Wolford RW, Goyal A, Belgam Syed SY, et al. Pharyngitis. [Atualizado em 2021 Aug 11]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2021 Jan-. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK519550/

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