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Sintomas, prevenção e tratamentos para uma vida melhor


Dor na nuca: causa mais comum é muscular e tem a ver com sua postura

Entenda as principais causas da dor na nuca e como tratar - Freepik
Entenda as principais causas da dor na nuca e como tratar Imagem: Freepik

Cristina Almeida

Colaboração para VivaBem

04/03/2021 04h00

Atire a primeira pedra aquele que não teve dor na nuca depois de horas passadas diante do celular ou durante longos períodos na frente da tela do computador. Com a chegada da pandemia da covid-19, e o novo hábito de trabalhar em casa, essa queixa passou a ser mais frequente nos consultórios médicos. Na maioria das vezes, o incômodo passa rápido, mas, a depender de sua origem, ele merecerá maior atenção.

Classificada em 4º lugar entre as maiores causas de incapacidade, as cervicalgias, ou dores na região do pescoço, são comuns entre adultos, mas podem também acometer pessoas de qualquer idade. Para quase 50% desses indivíduos, algum grau da dor pode se instalar de vez ou se tornar mais presente ao longo do tempo.

A dor na nuca tem como principais causas problemas musculares decorrentes da má postura e o trabalho prolongado com a cabeça flexionada. Mas ela também pode decorrer de problemas estruturais ou intracranianos. Isso significa que você deve estar atento e pronto para buscar ajuda médica, caso esse mal-estar persista. Quanto mais rápido for feito o diagnóstico, maiores serão as chances de você se livrar dele.

Abaixo, tiramos as principais dúvidas sobre dor na nuca.

Tire suas dúvidas sobre dor na nuca

Níveis da dor na nuca

Ela pode aparecer de repente ou ser intermitente. E pode, ainda, se instalar devagar ou ser o resultado de anos de má postura ou mesmo de algum desgaste da coluna cervical. Assim, a dor pode ser classificada das seguintes formas:

  • Aguda - dura cerca de 4 semanas
  • Subaguda - tem duração de 4 a 12 semanas
  • Crônica - permanece por 3 meses ou mais

Principais causas da dor na nuca

As origens da dor cervical são multifatoriais e podem se relacionar a vários problemas estruturais (como traumas, tumores, defeitos de formação) e intracranianas (enxaqueca, por exemplo). A explicação é de Emiliano Vialle, ortopedista do Hospital Universitário Cajuru (SUS), de Curitiba.

Entre as principais causas da dor na nuca, estão:

  • Má postura
  • Trabalho prolongado com a cabeça em flexão
  • Dormir ou sentar-se em posição desconfortável
  • Movimentos repetitivos
  • Trauma
  • Uso de celular, tablets e computador
  • Estresse
  • Obesidade

Existem outras possíveis causas menos comuns, como:

  • Osteoartrite cervical
  • Hérnia de disco cervical
  • Infecções (como a meningite)
  • Síndrome miofascial (dor muscular regional)
  • Fibromialgia (causa dor e sensibilidade em pontos determinados)
  • Tumor
  • Espondilolistesis
  • Cefaleia (que pode decorrer da pressão alta)

Reconhecendo os sintomas da dor na nuca

A sensação dolorosa geralmente é localizada, mas pode subir em direção ao crânio ou ser acompanhada por dor de cabeça. Por vezes, o mal-estar também se manifesta com espasmos no pescoço ou em volta do ombro. Tossir e movimentar-se podem piorar o quadro.

Você também poderá observar as manifestações a seguir:

  • Rigidez
  • Dor aguda em outra parte do pescoço
  • Dor generalizada
  • Dor irradiada para os membros superiores

Quem está mais suscetível à dor na nuca

A dor na nuca acomete adultos, mas pode se manifestar em todas as idades. Confira outras condições que podem predispor ao incômodo:

  • Uso intenso de celular, tablet ou computador
  • Ter tido problemas anteriores na região cervical
  • Má postura
  • Uso do tabaco
  • Sensação de pouco suporte familiar, profissional ou social

Quando procurar o médico

Todo sintoma que não passa, altera a qualidade de vida ou atrapalha o sono deve ser avaliado. No caso da dor cervical, se ela não cessa no prazo de um ou dois dias, mesmo após o uso de analgésicos comuns, é preciso consultar um especialista em coluna, um ortopedista, um neurologista, um clínico geral, reumatologista ou até um fisiatra. Todos esses profissionais são treinados para examiná-lo e dar início às investigações das possíveis causas da sua queixa.

No entanto, você deve procurar ajuda imediata quando à dor cervical se somam as seguintes manifestações:

  • Formigamento
  • Amortecimento ou perda de força na região dos membros inferiores
  • Problemas de coordenação
  • Febre
  • Perda de peso
  • Tremores
  • Dor irradiada para braços ou pernas
  • Perda de equilíbrio
  • Dor de cabeça forte
  • Alteração de controle de fezes e urina

Diagnóstico da dor na nuca

Na hora da consulta, o médico vai ouvir sua queixa, levantar seu histórico de saúde e ainda realizará o exame físico.

Marco Antônio Pedroni, ortopedista e professor da Escola de Medicina e do curso de fisioterapia da PUC-PR, explica que o profissional deve observar a contratura da musculatura, eventual limitação de movimentos, reflexos, além da dificuldade de girar ou inclinar o pescoço. "Na maioria das vezes, o diagnóstico é clínico, isto é, se baseia nessas informações", acrescenta o especialista.

Apesar disso, testes complementares podem ser solicitados, como exames de imagem —desde uma simples radiografia, até a ressonância magnética.

Tratamento da dor na nuca

O objetivo do tratamento da dor na nuca é aliviar a dor, garantindo ao paciente o retorno às suas atividades o mais rápido possível.

Como, na maioria das vezes, as causas são de origem muscular, as estratégias terapêuticas se baseiam em mudanças no estilo de vida, que abrangem alterações na postura, investimento em ergometria ou mudanças de gesto esportivo (quando couber). Além disso, o médico pode valer-se de medicamentos como analgésicos, anti-inflamatórios e relaxantes musculares.

Nos casos mais graves, a reabilitação é indicada, e ela abrange práticas físicas como correção postural, fisioterapia, pilates, hidroginástica etc. "Essas práticas constituem medidas terapêuticas analgésicas, e ainda quebram o padrão da dor na fase crônica por meio de uma reprogramação muscular organizada. Ela gera força e estabilidade, reduzindo todas as sobrecargas nas estruturas cervicais", explica a fisioterapeuta Eliane Coutinho, diretora executiva e acadêmica da Fisiociência, em São Paulo.

A boa notícia é que, quando a origem da dor é musculoesquelética, a resposta costuma ser excelente. Já quadros degenerativos como artrose ou hérnia de disco podem ser mais desafiadores.

Possíveis complicações

Caso o sintoma seja ignorado, a dor pode se tornar crônica e não mais responder à medicação com analgésicos. Essa atitude preocupa porque poderia dificultar um tratamento posterior.

Outra situação possível é que a dor na nuca decorra de uma compressão de estruturas neurológicas —a medula— que passam pela coluna cervical. Nesses casos, adiar a consulta poderia levar à perda de força e dos movimentos. Mas como a dor é intensa e incômoda, é raro que isso aconteça.

Quando é o caso de cirurgia?

Mais rara, ela será indicada para os quadros mais graves de processos degenerativos, como a hérnia de disco cervical, quando há compressão neurológica com fraqueza progressiva, ou nas situações em que há falha do tratamento conservador (mudanças no estilo de vida, uso de medicamentos e reabilitação).

Quando a imobilização é necessária?

Essa estratégia pode ser utilizada em algumas situações, como fraturas.

Para controle da dor (analgesia), o recurso deve ser usado com cuidado, e por pouco tempo, nos quadros de contratura ou dor muscular que não respondam ao tratamento. Afinal, a cabeça pesa entre 6 kg a 10 kg e se apoia sobre uma estrutura que já está fatigada.

Como prevenir a dor na nuca?

Quando as causas da dor na nuca decorrem de má postura ou da prática de movimentos repetitivos, é possível reduzir as chances de ela aparecer. Coloque em prática as seguintes medidas:

  • Invista em uma boa ergonomia no ambiente de trabalho (mesmo no home office), seja com cuidados com a altura do monitor, posição do teclado, estrutura e altura da cadeira e da mesa;
  • Reduza o tempo de uso do celular, tablets e computador;
  • Habitue-se a fazer exercícios de relaxamento durante a jornada de trabalho. Você pode testar várias técnicas até descobrir a que é melhor para você;
  • Evite ficar muito tempo sentado diante da TV;
  • Aposte na correção postural por meio de práticas como pilates, fisioterapia, hidroginástica, RPG;
  • Pratique exercícios regularmente, dando atenção ao fortalecimento de ombros, costas e peitoral, regiões que dão sustentação ao pescoço;
  • Mantenha peso adequado.

O que é a região cervical?

A região cervical é a mais proximal da sua coluna. Esta é dividida por partes —a coluna cervical, a dorsal, a lombar e sacrococcígea. A primeira é formada pelas 7 primeiras vértebras (C1 a C7).

Pela coluna passam estruturas neurológicas —a medula— que é responsável pela comunicação do cérebro com o restante do corpo, e por onde transitam impulsos elétricos originados no cérebro e que se dirigem para os braços e para as pernas. É da coluna cervical que saem nervos que controlam os membros superiores. A explicação é de Alexandre Fogaça Cristante, médico ortopedista e presidente da regional São Paulo da SBOT.

Toda a região é móvel e possui músculos estabilizadores.

Fonte: Alexandre Fogaça Cristante, médico ortopedista do Grupo de Coluna do IOTHCFMUSP (Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo), e presidente da regional São Paulo da SBOT (Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia);; Marco Antônio Pedroni, ortopedista e professor da Escola de Medicina e do curso de fisioterapia da PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná); Emiliano Vialle, ortopedista do HUC (Hospital Universitário Cajuru-SUS); Eliane Coutinho, fisioterapeuta com mestrado e doutorado pela UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) e Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Revisão técnica: Alexandre Fogaça.

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