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Victor Machado

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Eliminar todos os alimentos "proibidos" ou melhorar a relação com a comida?

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Victor Machado

Victor Machado é nutricionista, pós-Graduado em nutrição esportiva e em nutrição Comportamental. Atua com foco em comportamento alimentar e é o idealizador da marca Nutrição Sincera, que tem como objetivo passar informações sobre saúde, alimentação e bem-estar por meio do humor.

Colunista do UOL

01/03/2021 04h00

Já sabemos que as dietas restritivas normalmente são buscadas como forma de emagrecimento e, com elas, vem a constante eliminação de vários grupos alimentares, dentre eles todos aqueles palatáveis com alta densidade calórica.

É bem verdade que esses alimentos têm influência no desenvolvimento de doenças como diabetes, obesidade e hipertensão. Mas será que o problema é apenas o fato de esses alimentos existirem ou se trata de algo mais profundo?

É possível que tudo comece na relação que temos com esses alimentos. Comer não precisa ser um quebra-cabeças e nem uma restrição eterna de calorias, onde tudo é numérico. Imagine uma vida em que sempre antes de uma refeição fosse necessário olhar um papel grudado na geladeira e depois disso pesar toda a refeição em uma balança de precisão. Além disso, os alimentos mais calóricos só apareceriam aos finais de semana, em uma refeição chamada de "livre".

Será que são atos naturais da vida? Isso não quer dizer que ferramentas da nutrição tradicional devam ser descartadas, pois temos diferentes pessoas no mundo e para cada um temos formas diferentes de se orientar para uma boa alimentação.

Desde sempre, aprendemos a dizer não para os alimentos considerados proibidos, sejam eles doces, frituras, ultraprocessados, entre outros. Pouquíssimas pessoas aprenderam a dizer um sim de forma consciente. Reparem que isso não é um incentivo a prejudicar a saúde, mas um convite a olhar para dentro e entender os motivos que possam levá-lo a comer em excesso esses alimentos "proibidos".

Quando pensamos em comer e estar em paz estamos falando de simplificar a nutrição e reaprender a fazer o básico: sentir prazer com a comida, aprender a não se culpar quando come e entender quando é a hora e o momento de se permitir comer alimentos considerados não tão saudáveis assim.

Talvez lá atrás você tenha sido uma criança que não aprendeu a lidar com suas limitações, pode ter tido uma infância em que esses alimentos estavam sempre ausentes e hoje você os têm disponíveis em abundância. Ou talvez tenha crescido em um ambiente com maus hábitos alimentares e não teve uma boa educação nutricional.

De toda a forma, não é todo mundo que tem capacidade emocional para comer esses alimentos de forma mecanizada, em que só é permitido comer no final de semana. E isso traz uma eterna guerra com a comida, pois muitos não conseguem se adequar a esse padrão alimentar, deixando uma sensação de fracasso.

Quando você aprende a dizer sim para esses alimentos, dizer não passa a acontecer de forma natural e sem guerra com a comida. E assim, aos poucos, é possível estabelecer um equilíbrio em que todo e qualquer alimento possa fazer parte da sua vida, não apenas aos finais de semana, mas nos momentos em que faz sentido para o seu corpo, sem nenhum malefício à sua saúde.

Desejo uma excelente semana e o convido a estabelecer as pazes com a comida. Que você possa se permitir e dizer sim de forma consciente para algum alimento que você gosta muito, mas que sempre teve dificuldade de comer em quantidades adequadas. Desejo a você uma boa relação com a comida sem restrições severas.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL