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Paola Machado

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Dor no quadril: conheça as possíveis causas e o que fazer e não fazer

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Imagem: Getty Images
Paola Machado

Paola Machado é formada em educação física, mestre em ciências da saúde (foco em fisiologia do exercício e imunologia) e doutora em ciências da saúde (foco em fisiopatologia da obesidade e fisiologia da nutrição) pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Atualmente, atua como pesquisadora, desenvolvendo trabalhos científicos sobre exercícios, nutrição e saúde. CREF: 080213-G | SP

Colunista do UOL

11/05/2021 04h00

O quadril é uma articulação muito estável, sendo que sua anatomia permite um encaixe perfeito entre a cabeça do fêmur (osso da coxa) e o acetábulo (estrutura óssea da pelve).

É interessante pensar que apesar de ter grande estabilidade, ela ainda assim permite movimentos em todos os planos, sendo eles de abdução e adução (o abrir e fechar as pernas), flexão e extensão (dobrar e esticar) e rotação medial e lateral (fazer o movimento como se levássemos o osso da perna para rodar para dentro e para fora).

Nessa articulação, além das estruturas ósseas que a compõem, há também estruturas extra-articulares em torno da mesma e que fazem parte da sua estabilidade, tais como, ligamentos, músculos e tendões.

Se tenho dor no quadril, o que pode ser e de onde vem?

Como disse, o quadril é composto por diferentes estruturas, então a dor pode surgir dessas regiões. Lembre-se que a dor é um sintoma e o objetivo deste texto não é diagnosticar e, sim, abordar as estruturas que compõem a articulação e como você pode prevenir-se.

Especialistas explicam que a dor que sentimos pode ser decorrente de um problema que se iniciou em outra região, então é necessário que cada caso seja avaliado individualmente.

  • Dor articular

Uma vez compreendido um pouco da anatomia, conseguimos diferenciar os principais tipos de dor no quadril, como a dor articular, que está relacionada a possíveis processos degenerativos (de desgaste) da cartilagem que recobre essas estruturas ósseas; uma possível síndrome do impacto femoroacetabular, que se relaciona a alterações morfológicas entre essas estruturas; uma possível lesão do lábio acetabular ou também conhecida por muitos como lesão labral quando são encaminhados ao fisioterapeuta.

O lábio acetabular é uma fibrocartilagem que aumenta a estabilidade do quadril e é altamente inervada em suas extremidades.

De qualquer forma, o que precisamos compreender é que qualquer uma dessas lesões são designadas como dor articular e o paciente vai referir a dor na região inguinal (na virilha), sendo o diagnóstico realizado de maneira mais precisa pelo médico e funcionalmente pelo fisioterapeuta.

  • Dor extra-articular

As dores extra-articulares estão relacionadas com o acometimento de estruturas que envolvem a articulação, mas não estão dentro dela, como os músculos, tendões e bursas.

Dentre esses acometimentos, podemos destacar a tendinopatia do glúteo médio, glúteo mínimo, as bursites, ou até pontos-gatilho de sobrecarga muscular. Todas essas lesões são colocadas em um mesmo pacote e reconhecidas como síndrome do trocânter maior, pois todos estão muito próximos.

Diferente das dores articulares, as extra-articulares costumam se apresentar mais na região lateral do quadril. Evidentemente, isso não é uma regra absoluta, pois existem situações específicas que apenas o profissional é capaz de avaliar.

Será que fiz algo para desenvolver essas lesões?

As dores articulares podem ter uma causa primária, isso é, decorrente do processo natural de envelhecimento, ou secundária, que são decorrentes de lesões prévias em práticas esportivas de alto rendimento

Já as dores extra-articulares estão relacionadas a traumas diretos na região, desequilíbrio muscular ou sobrecarga por esforços nessas estruturas quando não há capacidade o suficiente para receber aquela demanda.

Por exemplo, um corredor iniciante que não fez um trabalho de fortalecimento prévio e ultrapassou o limite da capacidade dessas estruturas. Por isso, fique atento para respeitar os limites do seu corpo e desenvolver um trabalho preventivo e progressivo

O que devo fazer?

  • Prevenção

Sim! A chave sempre está na prevenção. Em ambas as situações, é importante um trabalho global de fortalecimento, em especial, de músculos que estabilizam o quadril, bem como desenvolver o treinamento sempre supervisionado e periodizado.

Por isso, a importância do trabalho em conjunto e multidisciplinar de profissionais de fisioterapia e educação física.

No que consiste a reabilitação?

O tratamento conservador feito por fisioterapeuta é a opção primária nesses casos. Cada paciente possui características únicas que serão avaliadas pelo profissional e, a partir disso, é organizado e direcionado um trabalho específico para o paciente.

De maneira geral, o tratamento envolve um trabalho inicial para reduzir o quadro de dor através de liberações musculares, tração da articulação, principalmente em casos de comprometimento articular, recursos eletrotermofototerapêuticos utilizados como coadjuvante, trabalho de mobilidade articular e uma abordagem secundária focando em um bom fortalecimento muscular com atenção aos músculos mais enfraquecidos.

O que não fazer?

Se automedicar e mascarar sua dor, mantendo sua rotina como se não houvesse nenhum tipo de alerta em seu corpo.

Caso sinta dores na região do quadril, não hesite em procurar pelo tratamento adequado, pois postergá-lo poderá trazer prejuízos maiores a longo prazo e dificuldades para um resultado eficaz. Cultive e preze pela qualidade de vida.

*Colaboração Raone Daltro, fisioterapeuta especializado pela ISCMSP, responsável pelos atendimentos de fisioterapia ortopédica na Clínica La Posture e Renata Luri, fisioterapeuta doutora pela Unifesp

Referências:

DEREK, et al. Femoroacetabular impingement: current concepts in diagnosis and treatment. Orthopedics. 2015.

MULLIGAN, et al. Evaluation and Management of Greater Trochanter Pain Syndrome. 2014. Physical Therapy in Sport. 2015.

NIELSEN, et al. Excessive progression in weekly running distance and risk of running-related injuries: an association which varies according to type of injury. JOSPT. 2014.

SEGAL et al. Greater Trochanteric Pain Syndrome: Epidemiology and Associated Factors. Arch Phys Med Rehabil. 2007.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL