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Larissa Cassiano

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

O que pode ser um sangramento no início da gestação?

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Larissa Cassiano

Larissa Cassiano é médica ginecologista e obstetra, especializada em gestação de alto risco pela USP (Universidade de São Paulo). Fez residência médica na Maternidade de Vila Nova Cachoeirinha (SP), uma das maiores do Brasil, referência em parto humanizado no SUS e em gestação de alto risco.

Colunista do UOL

13/04/2022 04h00

Os sangramentos que ocorrem na gestação são divididos entre a primeira metade da gestação, até 20 semanas, e os que ocorrem após a segunda metade da gestação, independente do momento em que o sangramento ocorrer ele deve ser visto como um sinal de alerta.

Causas para o sangramento no início da gestação:

  • Abortamento
  • Ameaça de abortamento
  • Gravidez ectópica
  • Mola hidatiforme

No início da gestação, o sangramento pode ter diversas causas, o aborto é uma das que mais assusta. A definição de aborto se baseia na perda gestacional que ocorre até 20 semanas ou, se essa informação não for conhecida, o peso do feto de até 500 gramas e/ou estatura igual ou superior a 25 cm.

Até 20 semanas, as perdas gestacionais que ocorrerem serão consideradas um abortamento, mas sabemos que após 12 semanas de gestação o risco de um abortamento cai significativamente chegando a cerca de 1% das gestações, diferente do início da gestação, em que 31% de todas as gestações podem evoluir com um abortamento.

A ameaça de aborto ocorre quando a gestante tem a queixa de sangramento vaginal, geralmente em pequena quantidade, dor abdominal leve e o colo do útero não apresenta dilatação. Este é um quadro que pode gerar grande ansiedade, pois o sangramento pode persistir por alguns dias ou semanas sem que a gestação evolua para um desfecho negativo.

Neste caso, a recomendação é de observação clínica, aguardando a evolução da gestação. Entre os trabalhos científicos não existe consenso sobre como deve ser realizado o seguimento nestes casos, alguns recomendam repouso físico, sexual e uso de progesterona, mas cada caso deve ser individualizado.

Gravidez ectópica é aquela em que o embrião se desenvolve fora da cavidade interna do útero. Ele pode se implantar na tuba (90% a 95% dos casos), região abdominal, ovariana e do colo uterino. Com o passar do tempo, se a gestação continuar evoluindo pode ocorrer hemorragia e dor aguda e intensa no abdome. O tratamento em alguns casos é realizado com cirurgia, medicações ou observação clínica.

Mola hidatiforme está dentro do grupo das doenças trofoblásticas gestacionais que são alterações nas células que levam inclusive a alterações na placenta. Nesses casos, geralmente a gestação não evolui com a formação de um feto e deve ser acompanhada, pois essa alteração nas células pode ter uma evolução maligna com indicação de tratamento quimioterápico.

O que aumenta risco de um abortamento:

  • Alterações genéticas
  • Infecções pélvicas
  • Alterações uterinas (mioma, pólipo, septo, sinequia)
  • Idade materna avançada
  • Antecedente de abortamento
  • Insuficiência istmo cervical
  • Alterações clínicas (diabetes, hipertensão, trombofilia, lúpus)
  • Uso de medicações contraindicadas na gestação

Geralmente, após o óbito do embrião ou feto, um sangramento começa a acontecer seguido de cólicas abdominais, além disso algumas pessoas podem sentir fraqueza, tonturas, suor intenso, oscilação na pressão sanguínea entre outros sintomas que dependem da evolução clínica.

Medidas para reduzir as possibilidades de um abortamento:

  • Mudanças no estilo de vida com suspensão ou redução no uso de tabaco, álcool, cafeína;
  • Nos casos em que o aborto já ocorreu mais de duas vezes pesquisar alterações pode ser necessário;
  • Realizar consulta de aconselhamento e avaliação ginecológica antes de iniciar as tentativas;
  • Períodos adequados de sono;
  • Independente da idade gestacional, sangramento na gestação deve ser um sinal de alerta para todas as pessoas gestantes.

Gostou deste texto? Dúvidas, comentários, críticas e sugestões podem ser enviadas para: dralarissacassiano@uol.com.br.

Referências:

Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Aborto: classificação, diagnóstico e conduta. São Paulo: FEBRASGO; 2021. (Protocolo FEBRASGO - Obstetrícia, nº 1/ Comissão Nacional Especializada em Assistência ao Abortamento, Parto e Puerpério);

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Departamento de Ações Programáticas. Manual de gestação de alto risco [recurso eletrônico] / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Departamento de Ações Programáticas. - Brasília: Ministério da Saúde, 2022.