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Larissa Cassiano

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Transtorno do espectro autista: sinais, tratamento e como diagnosticá-lo

Getty Images
Imagem: Getty Images
Larissa Cassiano

Larissa Cassiano é médica ginecologista e obstetra, especializada em gestação de alto risco pela USP (Universidade de São Paulo). Fez residência médica na Maternidade de Vila Nova Cachoeirinha (SP), uma das maiores do Brasil, referência em parto humanizado no SUS e em gestação de alto risco.

Colunista do UOL

08/06/2021 04h00

Durante o pré-natal, muitos casais buscam testes para saber o máximo possível sobre seu futuro filho, seja para prevenção ou para conhecimento. Com o aumento das técnicas e conhecimento científico algumas condições como o TEA (Transtorno do Espectro Autista) tem entrado na pesquisa de alguns casais.

Autismo ou TEA é uma condição de saúde que pode levar a alterações na atenção, linguagem e nas habilidades de socialização.

Não existe apenas uma forma de autismo e para abordar os diversos níveis de comprometimento falamos em Transtorno do Espectro Autista. Com mais conhecimento sobre o TEA sendo difundido, técnicas de diagnóstico e tratamento podem ser implementadas, além de possibilitar que ele seja feito precocemente e a criança seja tratada corretamente, de forma precoce, e sofra o menor impacto possível.

O diagnóstico do autismo é feito através avaliação clínica sem a necessidade de exames laboratoriais ou de, imagem sendo na maioria das vezes os familiares os primeiros a notarem os sinais de alerta.

Alguns sinais na infância que podem chamar a atenção:

  • durante a amamentação, a criança não olhar nos olhos da mãe, não responder ou não olhar quando for chamada pelo nome
  • dificuldades para falar
  • movimentos repetidos
  • apatia, entre outros sinais de interação com as pessoas próximas.

Já o tratamento é multiprofissional, incluindo neurologistas, psiquiatras, psicólogos, fonoaudiólogos, geneticistas, terapeutas ocupacionais e fisioterapeutas.

Patrícia Maria da Costa Braga, médica geneticista, ajuda a esclarecer algumas dúvidas sobre esse assunto: "O diagnóstico do TEA baseia-se na avaliação comportamental da criança, isto é, o diagnóstico é clínico. Os testes genéticos auxiliam, não no diagnóstico, mas na definição da causa do autismo, buscando a alteração genética responsável por este comportamento.

Atualmente, não temos testes genéticos direcionados exclusivamente para o TEA, porém temos disponíveis testes de detecção precoce de síndromes genéticas que cursam com TEA em seu quadro clínico, além de outras comorbidades."

Segundo a geneticista, "com a fertilização in vitro é possível realizar alguns testes genéticos nos embriões, como o PGT-A, evitando algumas (não todas) síndromes genéticas que podem evoluir com TEA e outras comorbidades."

Pessoas com TEA podem conviver com essa condição e fazer dela uma forma para informar e acolher outras pessoas, um exemplo é Carolina Morais, estudante de medicina aprovada em primeiro lugar na Universidade Federal de Jataí e ativista responsável pelo perfil @autizando, e que já pensa em se formar e pesquisar sobre o diagnóstico precoce, para evitar que outros autistas passem pelas dificuldades que ela passou ao ter o diagnóstico tardiamente.

Tanto no âmbito da saúde quanto social, pessoas com TEA enfrentam muitos desafios, parte deles pelo nosso desconhecimento e pelas limitações de acesso que muitos enfrentam.

Pesquisar pode ajudar muito. Carla Bertin, advogada, mãe de um menino autista e responsável pelo perfil @autismolegal, conta que para famílias de baixa renda que buscam auxílio é possível pleitear o BPC (benefício de prestação continuada), também conhecido como LOAS, que é o nome da lei (Lei orgânica de assistência social), um benefício pago pelo governo para pessoas de baixa renda, famílias que recebem até um quarto do salário mínimo por pessoa.

Outro desafio que alguns pais de crianças com TEA podem encontrar é ao matricular os filhos na escola, vários casos já vieram a público, mostrando as limitações de algumas escolas em lidar com essas condições, Carla explicou que nenhuma escola pode se negar a matricular um aluno por sua condição, apenas pela ausência de vagas. Esses casos são considerados discriminação, o que é crime.

Segundo ela, diante de uma situação de discriminação, informar que a pessoa é autista é o primeiro passo, mas se ainda assim, conhecendo a condição, seguirem com a discriminação, é possível realizar um boletim de ocorrência presencial ou digital, procurar o Ministério Público e, mesmo nos momentos mais difíceis, apesar do sofrimento que a situação envolve, poder superar com resiliência e fazer a denúncia é a melhor maneira de mudar o cenário, fazendo com que as pessoas entendam que isso é um crime e pode ser punido.

Somos seres sociais e para uma vida social harmônica precisamos que todos sejam representados e encontrem no mundo seu local de conforto sem preconceitos.

Gostou deste texto? Dúvidas, comentários, críticas e sugestões podem ser enviadas para: dralarissacassiano@uol.com.br.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL