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Larissa Cassiano

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Covid-19 e gravidez: mais dúvidas relacionadas à doença nessa fase de vida

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Imagem: iStock
Larissa Cassiano

Larissa Cassiano é médica ginecologista e obstetra, especializada em gestação de alto risco pela USP (Universidade de São Paulo). Fez residência médica na Maternidade de Vila Nova Cachoeirinha (SP), uma das maiores do Brasil, referência em parto humanizado no SUS e em gestação de alto risco.

Colunista do UOL

16/03/2021 04h00

Como disse na semana passada, o número de dúvidas e informações novas sobre a covid-19 é muito grande, por isso separei duas semanas para conseguir responder todas as principais perguntas que tenho recebido.

Se você não leu o texto da semana passada dê um clique e veja o que foi dito.

Segundo Denize Ornelas, médica de família e comunidade, "desde o início da pandemia avançamos muito nos cuidados que podemos propiciar às pessoas que estão com covid-19; se por um lado não temos nenhum medicamento capaz de prevenir a doença, já sabemos agora o momento adequado para monitorar a hipóxia oculta (falta de oxigênio nos tecidos), o período em que utilizar corticoides traz mais benefícios, as melhores práticas de intubação, de como posicionar o paciente no leito e solicitar exames que podem fazer diferença.

Uma medicação, o rendesivir, já se demonstrou capaz de diminuir o tempo de recuperação de adultos quando bem indicado. Sabemos também que a covid-19 pode causar danos graves nas gestantes, especialmente as com fatores de risco e no terceiro trimestre, precisando serem monitoradas de perto caso contraiam a doença."

Falando em gestantes, como ficam as internações durante o parto e pós-parto?
Conversando com diversos profissionais percebi que não existem consensos ou protocolos uniformes sobre internações durante o parto. Sobre os acompanhantes, existe a Lei 11.108 de 07 de abril de 2005 que permite a presença do acompanhante durante o trabalho de pré-parto, parto e pós-parto, então sem outra determinação, a lei deve ser respeitada, ou seja, o direito a um acompanhante deve ser preservado. Já as visitas dependem da avaliação de cada hospital, assim como o número de profissionais durante a assistência, para evitar a circulação de muitas pessoas.

Gestantes e puérperas devem ser vacinadas?
Não existem dados sobre a eficácia e segurança para esses grupos até o momento, pois eles começaram a ser testados recentemente. A vacina da Pfizer, que recentemente passou a ser negociada pelo Brasil e já está sendo utilizada em alguns países do mundo, não é uma vacina com partículas virais vivas, esse é o motivo pelo qual o American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) e a Society for Maternal-Fetal Medicine (SMFM) tem orientado para que ela não seja negada às gestantes e puérperas.

Mas e as vacinas que já estão disponíveis no país?
Infelizmente ainda não foram testadas, por isso para todas que estão em grupos prioritários e possuem a possibilidade de se vacinarem é importante a sua opinião, do médico obstetra que a acompanha, avaliar o risco de contaminação ocupacional, por exemplo quem trabalha em setores com alto número de infectados, com grande circulação de pessoas e baixa ventilação ou se apresentarem fatores de riscos pessoais. Sabendo também que uma gestante infectada pela covid- 19 que precisar de UTI provavelmente utilizará muitos medicamentos e procedimentos que assim como a vacina ainda não estão bem estabelecidos, então talvez até que tenhamos estudos sobre o tema não existe uma resposta exata.

Os casais devem esperar para engravidar?
No ano passado, diversos órgãos emitiram notas orientando que os casais que estavam planejando uma gestação aguardassem. Hoje, infelizmente com tantas incertezas e falta de vacinas, pedir para um casal para esperar até um prazo indeterminado é algo muito complicado, o que vale novamente é a avaliação caso a caso, para casais em que essa espera possa significar uma redução importante nas chances de uma gestação, talvez a espera não seja benéfica.

O infectologista Alexandre Fernandes Adami me ajuda a responder mais algumas dúvidas que também apareceram muito.

Tenho cesárea ou indução de parto agendada, devo fazer teste antes da internação?
Cada serviço de saúde tem um protocolo específico ditando as necessidades de realizar tal exame de triagem ou não. Mas a maioria dos locais está pedindo realização do RT-PCR para Sars-CoV-2 de 3 a 5 dias antes da realização do procedimento eletivo.

Tive contato com alguém infectado por covid-19, caso opte por realizar teste particular depois de quanto tempo?
Todos os testes para pesquisa do Sars-CoV2 têm sua melhor época para realização do exame de acordo com o dia de início dos sintomas. O ideal é manter uma observação de 7 a 10 dias após o contato com o paciente infectado. Caso nesse período não apareçam sintomas relacionados à covid-19, provavelmente a pessoa não se infectou neste contato específico.

Após o contato com alguém infectado devo ficar em isolamento?
Seria ideal ficar em isolamento por um período mínimo de 7 dias. Como o período de incubação médio é de 5 a 6 dias, 7 dias é considerado um período mínimo de observação.

Essas tem sido as dúvidas mais frequentes que tenho recebido sobre a covid-19, espero ter ajudado e que em breve possamos conseguir imunizar o maior número de pessoas.

Gostou deste texto? Dúvidas, comentários, críticas e sugestões podem ser enviadas para: dralarissacassiano@uol.com.br.

Referências:

https://portugues.medscape.com/verartigo/6505971

https://pebmed.com.br/vacina-contra-a-covid-19-da-pfizer-biontech-comeca-a-ser-testada-em-gestantes/