PUBLICIDADE

Topo

Larissa Cassiano

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Covid-19 e gravidez: tire dúvidas e atualize-se sobre o tema

istock
Imagem: istock
Conteúdo exclusivo para assinantes
Larissa Cassiano

Larissa Cassiano é médica ginecologista e obstetra, especializada em gestação de alto risco pela USP (Universidade de São Paulo). Fez residência médica na Maternidade de Vila Nova Cachoeirinha (SP), uma das maiores do Brasil, referência em parto humanizado no SUS e em gestação de alto risco.

Colunista do UOL

09/03/2021 04h00

No ano passado escrevi sobre covid-19, e de lá para cá tenho recebido muitas perguntas através da coluna, redes sociais e consultório, por este motivo resolvi retomar esse assunto com alguns dados que se confirmaram e algumas atualizações, principalmente porque estamos vendo esse aumento tão importante no número de casos.

É relevante lembrar que gestantes são grupo de risco para a covid-19. No Brasil, o número de mortes entre gestantes e puérperas é 3,4 vezes maior do que no restante do mundo, a internação ocorre 31,5% das vezes entre gestantes contra 5,8% entre as não gestantes, elas também são mais propensas a necessitar de ventilação mecânica do que mulheres não grávidas e possuem maior risco de parto prematuro, o que demonstra a importância de cuidados redobrados em todas as fases da gestação.

Pensando em todas as perguntas que recebi nos últimos tempos, fiz um apanhado geral para responder da melhor maneira possível. Para que a leitura não fique cansativa, dividi o texto em duas partes, na próxima semana trarei o restante das informações.

O que aumenta o risco de covid-19 para as gestantes?
Em artigo de revisão que avaliou 77 estudos foi observado que gestantes com mais idade, IMC elevado, hipertensão e diabetes pré-gestacional têm risco de complicações maior.

Como deve ser o pré-natal no caso de infecção?
A gestante deve aguardar o período de isolamento para retornar as consultas, de preferência com equipe especializada em gestação de alto risco, com ultrassons mais frequentes e controle rigoroso da pressão, pois foi observado que após a infeção pela covid-19 o risco de hipertensão na gravidez e pré-eclâmpsia foi maior.

Como ficam as gestantes que trabalham?
Segundo a advogada Karina Moori, "não existe lei obrigando o afastamento da trabalhadora gestante durante o período da pandemia da covid-19. Há um Projeto de Lei da Câmara dos Deputados estabelecendo o direito ao afastamento, para que o trabalho seja realizado em home office ou em caso de incompatibilidade entre o trabalho remoto, que a gestante seja efetivamente afastada, mas seja mantida a sua remuneração. Contudo esse projeto está parado no Senado deste agosto de 2020. Em janeiro de 2021, o Ministério Público do Trabalho emitiu uma Nota Técnica estabelecendo 'diretrizes' para serem adotadas por empresas, pessoas físicas empregadoras, sindicatos e órgãos da administração pública nas relações de trabalho, a fim de garantir a proteção de trabalhadoras gestantes. Essa Nota Técnica não tem força de lei, ou seja, são orientações, mas se a gestante está em um ambiente de trabalho ou se seu trajeto até o trabalho possui risco, com apoio de laudo médico a gestante pode buscar judicialmente a aplicação dessa diretriz."

E os recém-nascidos?
Segundo a pediatra Nathalia Fontana Machado, "sabemos o quanto é aflitivo pensar em um ser tão indefeso frente à realidade atual: a pandemia nunca pareceu estar tão próxima a nós. Para mães com suspeita ou confirmação de covid-19, o bebê não deve ser submetido ao contato pele a pele com a mãe. Entretanto, a Sociedade Brasileira de Pediatria reforça e orienta que os benefícios da amamentação superam os riscos de transmissão da covid-19 --ela deve ser mantida! As visitas devem e podem esperar, para segurança de todos e principalmente do binômio mãe e recém-nascido, a rede de apoio pode se fazer presente de várias outras formas: o amor, carinho e assistência quebram as barreiras físicas."

Na próxima semana voltarei para finalizar esse tema cheio atualizações e detalhes.

Se você tiver dúvidas ou sugestões me envie, pois elas poderão fazer parte do próximo texto: dralarissacassiano@uol.com.br.

Referências:

Ellington S, Strid P, Tong VT, et al. Characteristics of Women of Reproductive Age with Laboratory-Confirmed SARS-CoV-2 Infection by Pregnancy Status — United States, January 22-June 7, 2020. MMWR Morb Mortal Wkly Rep 2020;69:769-775.

https://portugues.medscape.com/verartigo/6505940?pa=pmzi5Kxd8h9GJ90CS5eLj%2B2wg%2FYm4vf%2B1Rkyh1%2FDJnL6Q7FAT6nwXwLnQpOaGA9OcFrqow%2Bf2%2F37XuRaZT6JAA%3D%3D

https://www.conjur.com.br/dl/nota-tecnica-gestante1.pdf

Delahoy MJ, et al. Characteristics and maternal and birth outcomes of hospitalized pregnant women with laboratory-confirmed COVID-19 - COVID-NET, 13 states, March 1-August 22, 2020. MMWR Morb Mortal Wkly Rep. 2020;69(38):1347-1354.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL