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Elânia Francisca

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Defender direitos sexuais e reprodutivos protege crianças e adolescentes

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Imagem: iStock
Elânia Francisca

Elânia Francisca é psicóloga, especialista em gênero e sexualidade e mestra em educação sexual. Realiza atividades educativas, consultoria e supervisão nas temáticas de gênero, sexualidade e direitos sexuais e reprodutivos.

Colunista do VivaBem

07/05/2021 04h00

Estamos em maio e, no texto da semana passada, falei um pouco sobre o significado do Maio Laranja. Imagino que, após saber que há o mês e o Dia de Combate ao Abuso e Exploração Sexual Contra Crianças e Adolescentes, você deve ter se interessado em conhecer mais sobre o dia 18 de maio e formas de contribuir nessa luta. Por isso, sugiro que acesse o site da campanha nacional e fique por dentro da programação deste ano.

Se organizar para participar de alguma roda de conversa, oficina ou manifestações culturais online é muito importante não só para chamar a atenção para a urgência da proteção de crianças e adolescentes, como também para aprender sobre a complexidade que envolve a garantia do direito ao desenvolvimento sexual saudável infantojuvenil.

Hoje, quero começar nossa reflexão salientando que, tanto o abuso quanto a exploração sexual violam os direitos sexuais e direitos reprodutivos. E, sim, crianças e adolescentes têm direitos sexuais e reprodutivos.

Algumas pessoas se espantam quando trazemos tal afirmação. Isso porque muita gente ainda acredita que direitos sexuais se resumem ao direito de fazer sexo e associam os direitos reprodutivos com o único direito de engravidar, mas não se trata somente disso.

Esses direitos são mais amplos do que se imagina e quero convidar você a pensarmos neles despidas e despidos de pré-conceitos. Vamos tentar?

Os direitos sexuais infantojuvenis estão relacionados ao direito de ter informações sobre autocuidado, aprendizado e diálogo sobre respeito às pessoas, conhecimento do próprio corpo para assim amá-lo e protegê-lo.

Sobre os direitos reprodutivos, vou trazer um exemplo:

Sabe quando a criança te pergunta: "Pai, de onde vem os bebês?" e você tenta responder a essa questão? Ou quando ela diz: "O que acontece se eu não quiser ter bebês?" e você ensina que a escolha de ter bebês ou não é um direito e ninguém deve forçar uma pessoa a ter ou não filhos? Pois é, quando você realiza esse diálogo com uma criança, está promovendo o direito reprodutivo, afinal você trouxe informação sobre reprodução e isso é parte dos direitos reprodutivos.

Viu só? Direitos sexuais e reprodutivos não são um bicho de sete cabeças ou tentativa de roubar a infância das crianças, pelo contrário, eles existem para garantir que as informações e as vivências sobre sexualidade aconteçam no momento e ritmo certo, respeitando a faixa etária.

Muitas vezes, com o desejo de proteger as crianças e adolescentes, nós nos fechamos em nossos conceitos preestabelecidos e deixamos de aprofundar num assunto, acreditando que isso protegerá a população infantojuvenil. Mas é importante dizer que é a informação que protege!

Deixar de falar sobre qualquer assunto só gera mais fragilidades. É por isso que precisamos nos aproximar de estudos sérios sobre o tema da sexualidade infantojuvenil e não nos contentarmos com o "eu acho", "na minha opinião".

Direitos sexuais e direitos reprodutivos de crianças e adolescentes não são temas rasos como uma poça d'água, são temas do tamanho do oceano!

E nós sabemos que o oceano é profundo, tem muita vida dentro dele e que é preciso se preparar para o mergulho, tomar fôlego e se permitir respirar de forma diferente.

Não dá para proteger crianças e adolescentes de violências sexuais sem defender os direitos sexuais e reprodutivos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL