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Taise Spolti

Depois da tapioca, agora é farinha de milho em flocos: vale a pena a troca?

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Taise Spolti

Taise Spolti é formada em educação física e, atualmente, estuda nutrição. Já foi fisiculturista profissional e hoje tem interesse em aliar sua rotina alimentar à gastronomia. Costuma dizer que não se satisfaz com pratos pequenos ou sabores comuns. Participou do programa ?Masterchef?, da Band, onde pode mostrar em rede nacional suas receitas.

Colunista do UOL

19/09/2021 04h00

Que muita coisa hoje em dia vira moda, a gente já sabe. Basta um famoso publicar em suas redes alguma dica que aquilo se transforma em um grande e poderoso protocolo, seja para emagrecer, seja para ficar mais definido. Algo que deu certo para um, obrigatoriamente dará certo para milhares —ou pelo menos esta seria a lógica da internet. Mas sabemos que isso é falho e que pode causar danos em muitas vidas, como no caso de diabéticos ou pessoas com doenças metabólicas.

Em meados de 2012/2013, no boom das musas fitness do Instagram e do Facebook, eu me lembro do sucesso da tapioca como substituta do pão por não conter glúten. Acho que ela foi a rainha das dicas durante muitos anos, foi uma febre. Um alimento que na região Sul do país era quase impossível de achar nos supermercados virou o mais procurado em questão de semanas.

Após um período de altíssimo consumo, foi então revelado que, por mais que ela não tivesse glúten, isso não a tornaria melhor do que o pão, mas sim mais perigosa para alguns grupos de pessoas, já que seu índice glicêmico era acima do máximo permitido até então e pouco estudado (em comparação ao pão, que sabia-se ter um valor médio de 75 na tabela de IG, a tapioca tinha mais de 115!).

Falo do IG no passado porque não usamos mais essa referência para um marcador exclusivo de alimentação saudável, e sim a carga glicêmica, que se refere também à quantidade em determinados alimentos e à glicemia pós-prandial, ou seja, a glicemia após ingestão de determinados alimentos. E ao passado também me refiro ao saber que a tapioca seria a solução para todos os problemas, e então logo descobrir-se que, de fato, ela era apenas mais um dos ricos e deliciosos alimentos que nosso país possui, em suas diferentes culturas, mas que não a torna mais ou menos saudável que outros, e sim apenas mais uma opção que pode ser útil para determinados grupos.

Assim como a tapioca, a grande febre de agora, a farinha de milho, também faz sucesso por não conter glúten, ou seja, uma excelente opção para celíacos. Única e exclusivamente nesse caso, ambas são melhores que o pão e outras opções, pelo fato de poderem ser usados em receitas diversas, facilitando o consumo alimentar de pessoas que devem excluir de sua alimentação alimentos que contenham glúten. Fora isso, são farinhas (mas não do mesmo saco).

O alerta dessa matéria é exatamente isso: um alimento já conhecido por ser uma farinha simples, e mesmo a encontrada em flocos (farinha flocada), virar febre pode fazer confusão alimentar na vida daqueles que estão prontos para buscar uma vida mais saudável.

Antes de sair incluindo a farinha de milho em suas receitas e em vários momentos do seu dia a dia, reconheça:

  • É um alimento rico em carboidratos, e esse carboidrato encontrado é um açúcar simples;
  • A massacrante maioria das marcas e opções de farinha de milho encontradas no mercado vêm de grãos transgênicos. Ou seja, são alimentos geneticamente modificados;
  • Assim como a tapioca, o consumo é gostoso, pode ser saudável, mas deve ser levado em consideração o equilíbrio. Faça trocas, mas não use exclusivamente essa fonte de alimento para receitas ou como única opção para o café da manhã, jantar e lanches;
  • Novamente, assim como a tapioca e outras farinhas, o consumo desse carboidrato faz com que haja uma grande produção de insulina, então a dica é sempre consumir com moderação, aliado a outro grão ou fibra, e incluir sempre uma fonte de proteína, como o ovo, queijo ou recheios de carne. A proteína, assim como fibras provenientes dos grãos e cereais (como aveia por exemplo), reduz o tempo de liberação dessa glicose no organismo, facilitando a produção de insulina e captação do açúcar no sangue pelo organismo. Isso diminui o que chamamos de pico de insulina e evita problemas maiores como uma propensão ao diabetes;
  • Atenção diabéticos: o uso deve sim ser controlado e orientado pelo seu nutricionista!

Por fim, a avaliação é de que o Brasil é rico em opções de alimentos. Temos uma variedade gigantesca de alimentos naturais que poderiam estar nas nossas mesas diariamente, sem cairmos na mesmice de achar que temos que comer todo dia a mesma coisa, ou que apenas uma seleta lista de alimentos são os poderosos e saudáveis, e todo restante não presta.

Assim como a tapioca, as outras farinhas vindas de tantos alimentos, tubérculos, frutos, sementes, grãos e cereais podem, e devem, ser consumidas, mas com controle, orientação de um nutricionista caso seja portador de uma patologia metabólica, e sempre que houver interesse em consumir o alimento para um plano de emagrecimento ou algo do gênero. A farinha de milho pode ser uma opção, mas não a única, e não com o mesmo exagero que foi com a tapioca.