PUBLICIDADE

Topo

Ageless

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Como tratar sintomas da menopausa sem reposição hormonal

iStock
Imagem: iStock
Conteúdo exclusivo para assinantes
Silvia Ruiz

Silvia Ruiz é jornalista e trabalha com comunicação digital e PR. Durante mais de 15 anos atuou na cobertura de saúde, bem-estar e estilo de vida. É apaixonada por alimentação natural, meditação e práticas holísticas. Mãe do Tom, do Gabriel e da Myra, tem bem mais de 40 anos e está tentando aprender a viver bem na própria pele em qualquer idade.

Colunista do UOL

20/08/2021 04h00

Um dos meus primeiros textos aqui no Ageless foi sobre minha experiência com a reposição hormonal para aliviar os sintomas do climatério que começaram a aparecer aos 47 anos. Lá se vão três anos convivendo com a queda gradativa dos hormônios, e não é por menos que esse é um dos assuntos mais recorrentes por aqui e no meu perfil no Instagram (me siga lá também @silviaruizmanga).

A aproximação da menopausa (que acontece 12 meses depois da ultima menstruação) e do climatério, que inclui um período antes e depois desse final da fase reprodutiva, traz sintomas e transformações físicas e emocionais extremamente desafiadores para as mulheres. E esse quadro pode durar vários anos.

Embora os sintomas possam ter intensidades diferentes para cada mulher, raramente alguma de nós passa batido por eles. A solução é buscar ajuda médica para amenizar os famosos calores, insônia, desânimo, alterações de humor, secura vaginal, entre outros. Para muitas mulheres, como eu, a terapia de reposição hormonal pode funcionar muito bem e praticamente eliminar os sintomas.

Mas, junto aos benefícios, há riscos associados que tornam a reposição contraindicada para algumas mulheres. Esses riscos dependem de alguns fatores. Segundo o médico Maurício Simões Abrão, Coordenador da Ginecologia da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo e Professor Associado da Ginecologia da FMUSP, as principais contraindicações são para mulheres que tiveram câncer de mama ou de endométrio ou doenças relacionadas à tromboembolia. O médico também deve investigar o histórico familiar para essas condições e, eventualmente, fazer uma investigação extra, com exames genéticos, por exemplo, para avaliar os riscos. E quando a reposição não é possível, o que podemos fazer? O especialista indicou alguns caminhos que, obviamente, devem ser discutidos com seu médico.

Calores e suor noturno

Medicamentos naturais que tem estrutura semelhante ao do hormônio estrogênio, que deixa de ser produzido pelos ovários com a aproximação da menopausa podem ajudar a aliviar os sintomas. O principal deles é a Isoflavona, extraída principalmente da soja. Outro ativo natural que também pode ter uma ação positiva segundo o médico, é o chá de amora. Além de atuar nos calores, esses fitoterápicos podem ajudar nos demais sintomas mais comuns.

Sintomas depressivos e alterações de humor

A questão emocional pode ser um dos maiores desafios do climatério. A falta dos hormônios pode causar sintomas semelhantes aos da depressão, como desânimo, falta de energia para a vida, mudanças constantes de humor. "Nesses casos, uma avaliação deve ser feita para a possibilidade do uso de antidepressivos", diz o médico.

Secura vaginal

Esse é um dos incômodos mais comuns que as mulheres enfrentam, segundo o especialista. Há duas soluções possíveis. A primeira é o uso de lubrificantes vaginais com baixa dose de estradiol com efeito local. A segunda, que eu já até falei por aqui, é o tratamento com laser vaginal. Mas ambos devem ser discutidos com seu ginecologista.

Baixa da Libido

Ao contrário do que muita gente pensa, a nossa libido não é só controlada pelos hormônios. Na verdade há um conjunto de fatores que podem afeta-la até mesmo quando somos jovens, por isso é preciso haver uma avaliação com especialista se esse for o seu caso. Como alternativa de tratamento natural, Abrão cita o fitoterápico Tribulus terrestris que possui estudos positivos para esse efeito de aumento do desejo sexual.

Insônia

Esse é certamente um dos piores sintomas, já que não dormir afeta todo o resto do nosso bem estar físico e mental. Abrão diz que alguns fitoterápicos à base de Passiflora incarnata, que atua principalmente no controle da ansiedade, podem ajudar com o sono. Em casos mais graves e que não possam ser resolvidos com produtos naturais, um especialista pode avaliar o uso de medicamentos que induzem o sono.

Osteoporose

Não há discussão, a atividade física é fundamental. Aliás, se você estiver passando por essa fase, saiba que estudos mostram que se mover melhora os sintomas da menopausa como um todo. Por isso, nada de ficar parada. É hora de apostar nos exercícios mais do que nunca. O médico recomenda musculação, além de atividades aeróbias moderadas, como corrida leve ou caminhada de 30 a 40 minutos, cinco vezes por semana.

Sejam quais for os sintomas que você estiver passando, não deixe de buscar ajuda. Falar sobre o assunto, que ainda é tabu, é fundamental para que a gente possa lidar melhor com ele. Você não está sozinha neste barco, milhões de mulheres estão passando por isso, e conversar sobre o assunto abre um espaço para encontrar o melhor tratamento.