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Exótica estação de esqui atrai turistas do mundo inteiro à Caxemira

Igor G. Barbero

11/02/2012 16h31

Gulmarg (Índia), 11 fev (EFE).- Atraídos pelos baixos preços ou pela oportunidade de desbravar a neve virgem aos pés do Himalaia, os amantes do esqui de todo o mundo encontraram um paraíso na exótica estação de Gulmarg, na região da Caxemira, que é disputada pela Índia e o Paquistão.

Os mais ousados podem tentar superar desníveis quase verticais de mais de 4 mil metros de altitude na Cordilheira de Apharwat, que abriga o teleférico mais alto do planeta, construído há poucos anos pelos franceses.

Para os principiantes, há também percursos menos complicados ao longo dos 5,2 quilômetros das pistas da estação, localizada numa imensidão de enormes cedros a 52 quilômetros de Srinagar, a capital de verão da Caxemira indiana.

"Adoro o aspecto selvagem desse lugar. Tirando o teleférico, é como estar no meio da floresta. As pistas não são marcadas, e a adrenalina e a sensação de perigo aumentam", disse à Agência Efe Jordi Castellà, um apaixonado pelo snowboard que vive em Nova Délhi.

Canadenses, japoneses, neozelandeses, alemães; são muitos os fãs desse esporte que, como Castellà, decidem provar a experiência caxemiriana - ou "a Suíça da Ásia" - numa temporada que em algumas ocasiões se estende de novembro a junho.

Longe de buscar templos milenares ou encantadores de serpentes, algumas pessoas vão à Índia apenas para praticar esse esporte.

"Gulmarg é a estação de esqui mais acessível do mundo. Não é tão comercial, os preços são quatro vezes menores que os da Europa, a neve é sublime e há muito sol", defende em declarações à Efe Farouk Shah, o diretor do departamento de Turismo da Caxemira.

As tarifas são, certamente, próprias de tempos de crise. Por US$ 10 por dia é possível alugar botas e esquis nas lojas do local, nas quais também há acessórios como calças, abrigos e capacetes de reconhecidas marcas internacionais, embora às vezes os produtos estejam em estado precário.

E o preço para aproveitar intensamente todo o dia sai por US$ 14, aos quais é preciso somar uma quantidade adicional se a pessoa quiser chegar às áreas mais altas.

O embrião da estação de Gulmarg foi projetado em 1927 pelo Império Britânico com a criação do Clube de Esqui da Índia, e as instalações, que no verão abrigam um campo de golfe, foram modernizadas para os Jogos Nacionais de Inverno de 1998.

A abertura de um teleférico nessa data e de outro sete anos depois multiplicaram os lucros da estação, que em pouco mais de meia década passou de mil de esquiadores estrangeiros por temporada para cerca de 5 mil atuais.

O dado não é absurdo; são os estrangeiros os que mais contribuem para dar vida à estação de Gulmarg, onde além de instrutores caxemirianos, poucos indianos se atrevem a praticar o esporte.

Muitos deles vão à estação, mas para ver a neve pela primeira vez, apreciar a paisagem e passear em pequenos trenós arrastados por moradores da localidade vestidos com o "feran", uma túnica que cobre o corpo até os pés.

A paisagem bucólica do lugar pode fazer esquecer que a Caxemira, de maioria muçulmana, é uma das zonas mais quentes e militarizadas do planeta.

A região é dividida pela China, Índia e Paquistão, e esses dois últimos países travaram duas guerras e outros conflitos menores por sua soberania desde a independência de ambos, há mais de seis décadas.

No entanto, a ausência de conflitos desde os protestos civis do verão de 2010 levou a Caxemira indiana a registrar um recorde histórico de turistas.

Os 1,3 milhão de visitantes do ano passado foram o dobro dos do ano anterior, marcado por "um problema local", eufemismo utilizado pelo diretor de Turismo para se referir aos choques com as forças de segurança que deixaram mais de 100 mortos.

"Se essa boa fase continuar, há planos de investimentos em hotéis e novas infraestruturas. Na Caxemira, temos a melhor oferta", afirmou Shah.