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Sexo vegano? Mercado sexual se adapta para se tornar mais sustentável

Sexo vegano e sustentável: empresas apostam cada vez em sustentabilidade e têm lucros em seus investimentos  - Getty Images/iStockphoto
Sexo vegano e sustentável: empresas apostam cada vez em sustentabilidade e têm lucros em seus investimentos Imagem: Getty Images/iStockphoto

Rafaela Polo

De Universa, São Paulo

24/05/2022 04h00

Você se preocupa com a origem das matérias-primas que são usadas para a produção do sex toy ou do lubrificante que mais usa? Uma pesquisa de 2019 feita pela Nielsen mostra que o consumidor se vê cada vez mais sustentável, com 42% dos brasileiros admitindo que estão mudando seus hábitos de consumo em busca de minimizar o impacto no meio ambiente.

De olho nessa tendência, grandes marcas do mercado sexual estão pensando em seus produtos de uma nova maneira. Muitas das mais recentes já nascem com o selo de veganas, sustentáveis e focada em matérias-primas saudáveis. Mas o que isso quer dizer, na prática?

Para Marina Ratton, fundadora e CEO da Feel, femtech de produtos naturais e veganos para o bem-estar íntimo da mulher, as pesquisas de mercado para a criação da marca mostraram que existia uma oportunidade no mercado natural em ascensão desde 2008 no país.

"Pesquisamos muito sobre produtos e saúde íntima. Entendemos que tinha essa tendência de ingredientes orgânicos nos produtos, mas que não chegava naqueles desenvolvido para a intimidade feminina", conta. Além disso, ela afirma que muitas mulheres admitiram usar óleo de coco na região íntima, por ser mais natural.

O caminho de Chiara Luzzati, CEO da Lubs, marca de sexual-care sem gênero e vegana, não foi diferente. A marca já nasceu com esse olhar visionário de que, no futuro, cada vez mais as mulheres irão buscar produtos naturais para seu uso íntimo. "Nascemos com um pilar de sustentabilidade muito forte. A questão da fórmula vegana e embalagens ecologicamente corretas fazem parte do nosso DNA", diz.

Até quem está há muito mais tempo no mercado se rendeu ao natural. A Reckitt Health & Nutrition, responsável pelas tradicionais marcas de preservativos Olla e Jontex, lançou no ano de 2020 um lubrificante com produtos 100% naturais.

Em nota, Ricardo Monteiro, gerente de marca de Jontex na Reckitt Health & Nutrition Comercial, disse que "estamos comprometidos com o desenvolvimento sustentável e focamos não só na formulação, que é livre de parabenos, corantes e/ou fragrâncias, sendo ideal para regiões íntimas com seu pH neutro, como também na embalagem", já que o produto é entregue ao consumidor em uma embalagem 100% reciclável.

Sustentabilidade além da fórmula

Natural por dentro e poluente por fora? Não. A sustentabilidade tem que englobar os produtos por completo. Por isso, pensar em reciclagem e matérias-primas retornáveis é tão fundamental quanto a proposta de ser vegano.

"Nossas bisnagas são feitas de plástico verde, patenteado pela Braskem, produzido a partir da cana de açúcar. Pensamos na sustentabilidade em todo o ecossistema da marca", diz Chiara. Para a CEO, ainda existem muitas barreiras no mercado para que a sustentabilidade seja completa, mas a Lubs sempre busca fornecedores com novas alternativas.

Já a Feel, diz Marina, tem uma parceria com uma startup de reciclagem, que as ajuda a desenvolver soluções de sustentabilidade, já que manter esse estilo para empresas muito pequenas é muito caro. Além de usar plástico 100% reciclável nos produtos, ela convida a todos para uma reflexão, já que não deveria ser apenas responsabilidade das empresas pensar no meio ambiente, mas do governo também.

"Sustentabilidade é um pacto social coletivo, que tem que ser cobrado da sociedade civil, mas também do governo, que tem uma verba para dedicar ao tratamento de lixo das cidades. Esse comportamento só funciona se cada um fizer a sua parte", diz Marina.

Resposta do consumidor

"Temos um crescimento de vendas de 20% por mês, em apenas um ano e meio de marca. Antecipamos nossa captação porque tínhamos uma demanda muito grande de produto e o descolamento fabril é muito forte para a empresa", conta Marina, da Feel. Inicialmente, era necessário aguardar um mês para a chegada do pedido na casa do consumidor. Quando a marca foi lançada, por exemplo, o estoque de três meses foi vendido em uma semana e meia.

"Existia uma demanda reprimida e crescemos de indicação de cliente para cliente. Mãe que usava o lubrificante por causa da menopausa que avisou a filha e que comprava também. Teve muito boca a boca. Não temos espaço para falar de sexualidade, então esse momento foi importante", diz Marina.

Chiara não falou qual o lucro real da empresa, porque a Lubs não passou por uma transição de pilar, já nasceu pensando na sustentabilidade - assim como a Feel. "Entendemos que grande parte do sucesso da marca acontece por ser sustentável, sem gênero e com produtos de alta tecnologia!", conta.

Ainda assim, há quem desconfie da performance do produto. "Existe um tabu de que o que é vegano tem prazo de validade curto e não funciona bem por ser natural, mas em nossas fórmulas temos muita tecnologia e conseguimos trazer todos os benefícios em uma fórmula natural e vegana", conta Chiara. Todos os fornecedores são homologados para que tenham a certeza que seguem as diretrizes da marca.

Camisinha x latex

O preservativo masculino é imprescindível na prevenção de IST (infecções sexualmente transmissíveis) e não pode ser esquecido em nenhuma relação sexual - nem mesmo naquelas de relacionamentos estáveis. Mas não dá para negar que seu material é poluente. E como não dá para colocar no lixo reciclável após o uso, o que fazer?

"Temos focado principalmente nas embalagens e na logística. Por exemplo, atualmente, para a embalagem secundária dos preservativos, possuímos tecnologia para sua reciclagem, já que ela é feita de BOPP (Polipropileno Biorientado). Há esforços e pesquisas em andamento para entendermos a aplicabilidade disso em embalagens primárias também", diz Ricardo Monteiro, ainda por nota oficial, assinada também em parceria com Livia de Cicco, Analista Sênior de Pesquisa e Desenvolvimento de Embalagens da Reckitt Health & Nutrition. A marca também está pensando em novas perspectivas de logística, para usar menos plástico e reduzir o uso de carbono.

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