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Como Naomi e Vivi Araújo, elas engravidaram depois dos 40: 'foi milagre'

Gabriela tinha aceitado que não seria mãe quando engravidou de Luigi, de 3 anos, aos 43 - arquivo pessoal
Gabriela tinha aceitado que não seria mãe quando engravidou de Luigi, de 3 anos, aos 43 Imagem: arquivo pessoal

Ana Carolina Pinheiro

Colaboração para Universa

26/02/2022 04h00

Incontrolável, o tempo é um dos personagens principais na vida de quem deseja ou começa a pensar na possibilidade de ter um filho, especialmente das mulheres. Carreira, questões fisiológicas e a busca por um parceiro estão entre os fatores que podem levar uma mulher a se tornar mãe em uma faixa etária definida como tardia pela medicina, como aconteceu, por exemplo, com Viviane Araújo e Naomi Campbell.

A atriz brasileira, que completa 47 anos em março, anunciou sua primeira gravidez no dia 19 de fevereiro. "Vocês não têm noção da emoção que senti neste momento! Meu sonho se tornou realidade", disse Vivi no vídeo em que revela a novidade ao lado do marido Guilherme Militão. Já a top model inglesa, aos 50 anos, publicou em maio de 2021 a foto dos pezinhos da sua primeira filha. Naomi, que estampa com sua filha a capa da Vogue britânica deste mês, não descarta a possibilidade de ter mais um: "Por que não?", disse, em entrevista à publicação.

Essa tendência de ter filhos numa idade até então considerada "fora do padrão", não se restringe às duas personalidades. Em 20 anos, a média de idade de primeira gestação teve uma mudança considerável no Brasil, segundo o IBGE. As estatísticas do Registro Civil divulgadas em dezembro de 2019 mostram que houve um aumento no número de mulheres que se tornaram mães com mais de 30 anos. De acordo com o levantamento, a média nacional de mães acima dessa idade hoje no país é de 37,4%.

Riscos, surpresas, tratamentos. Universa conversou com mulheres sobre os desafios e as conquistas que surgiram com a chegada da maternidade depois dos 40 anos. Leia a seguir:

Gravidez tardia: elas engravidaram após os 40 anos

"Meu marido precisou reverter vasectomia e eu fiz tratamento"

Daniela engravidou aos 41, depois de 2 anos tentando - arquivo pessoal - arquivo pessoal
Daniela engravidou aos 41, depois de 2 anos tentando
Imagem: arquivo pessoal

Daniela Fiedler, 43 anos, sempre teve certo para a sua vida que se tornaria mãe apenas se encontrasse um parceiro seguro. Aos 35 anos, a enfermeira começou um relacionamento que deu em casamento e, aos 38 anos, sentiu a vontade de montar minha família. "Como o André já tinha dois filhos e feito vasectomia, ele precisou reverter a cirurgia. Foram dois anos após o procedimento na tentativa, mas fingindo que não a expectativa não existia. No começo da pandemia, em maio, descobri que estava grávida do Pedro, aos 41 anos", conta Daniela.

Daniela é mãe do Pedro, de 1 ano - arquivo pessoal - arquivo pessoal
Daniela é mãe do Pedro, de 1 ano
Imagem: arquivo pessoal

A gestação seguiu tranquila, mesmo com um diagnóstico de diabetes gestacional, mas a distância dos familiares e amigos por conta do isolamento pesou no emocional. "Não foi fácil, por isso o alívio foi enorme após o nascimento. Só que a parte delicada começou ali, quando sofri uma hemorragia severa em casa seis dias depois do parto e da laqueadura. A combinação de cirurgia com a minha idade pode ter provocado o quadro, que foi contornado", explica a enfermeira, que perdeu 14 kg em uma semana. "Isso só fez aumentar o meu amor pelo Pedro. As coisas se encaixaram e aconteceram no tempo certo."

"Quando aceitei minha gestação, enxerguei como uma honra"

Gabriela descobriu que estava grávida aos 46 anos, quando já estava se conformando em não ter filhos  - arquivo pessoal - arquivo pessoal
Gabriela descobriu que estava grávida aos 46 anos, quando já estava se conformando em não ter filhos
Imagem: arquivo pessoal

Em vez de fazer um pedido ao cortar o bolo de aniversário, em 2018, Gabriela Bueno, 46 anos, fez um agradecimento. "Falei para Deus que aceitava que não seria mãe nesta vida e que estava bem com isso. Eu só não sabia que já estava grávida naquele momento", conta a naturopata, que participava de competições do universo fitness e não entendia o motivo da barriga não estar trincada como antes. O físico era uma questão que afastava um pouco a ideia da maternidade, assim como os estudos e a vida social que sempre passaram na frente na sua lista de prioridade.

"Me casei aos 35 anos e três anos depois resolvi baixar o aplicativo para acompanhar a ovulação. Meu marido também não tinha um sonho forte de ser pai, por isso a pressão não foi grande. Quando alguém me perguntava sobre ter filho, falava que estava tentando para o julgamento se tornar pena pelo menos", diz Gabi. "O resultado positivo foi um misto de alegria e pânico, mas, quando aceitei a gestação, passei a me sentir honrada pela oportunidade", comenta a mãe do Luigi, que nasceu prematuro, com 37 semanas." A maturidade me dá a chance de dedicar um tempo importante a ele, mas também a noção de que não vou abrir mão da minha rotina, como fazer atividade física, por exemplo. Consigo organizar minha vida, colocando-o como prioridade", pondera.

"Ser mãe aos 40, para mim, foi um milagre"

Simone Garcia, 43 anos, é mãe da Agnes, 3 anos - arquivo pessoal - arquivo pessoal
Simone Garcia, 43 anos, é mãe da Agnes, 3 anos
Imagem: arquivo pessoal

O diagnóstico de degeneração molar, um distúrbio hormonal, que Simone Garcia recebeu aos 21 anos veio acompanhado de um alerta: "Se você engravidar, a gestação será de risco", disse a médica na época. O tratamento prescrito envolvia o uso do anticoncepcional, que a acompanhou por décadas. "Sou casada há 22 anos e com essa informação já no início do relacionamento, desencantei de ser mãe e preveni de todas as formas", explica a analista contábil, que hoje tem 43 anos.

"Ao completar 38 anos, a médica pediu para trocar o remédio, mas acabei deixando de lado. Voltei ao consultório um ano e meio depois e precisei fazer uma pausa de três meses no anticoncepcional para evitar trombose. Nesse período, aos 40 anos, acabei engravidando da Agnes", pontua Simone. Contrariando a tendência à gravidez de risco pela disfunção hormonal e idade, a contadora passou por uma gestação tranquila e livre de intercorrências. "Precisei controlar a alimentação para evitar diabetes gestacional e pré-eclâmpsia e deu certo. O parto aconteceu por uma cirurgia cesariana, e não tive problemas após o nascimento. A experiência de ser mãe aos 40 foi um milagre para mim, só tenho a agradecer", celebra.

"Gravidez fase tardia exige pré-natal minucioso", diz obstetra

Com o avanço do tempo, a qualidade e quantidade de óvulos sofre uma queda, o que gera pontos de atenção para a pessoa que deseja ou acaba engravidando depois dos 35 anos. A obstetra Flavia Tarabini, da clínica André Braz, no Rio de Janeiro, alerta para esses casos uma tendência de alterações genéticas, como as trissomias. "A mais frequente delas é a do cromossomo 21, que caracteriza a síndrome de Down. Por esse motivo, as taxas de aborto espontâneo também aumentam", diz a especialista.

A primeira gravidez em uma fase tardia exige um acompanhamento ainda mais minucioso durante o pré-natal por conta das pré-disposições que a cercam. "O aumento de risco diz respeito à mãe que não apenas acumula mais chances de doenças que tenham aparecido ao longo da vida como hipertensão e diabetes, mas também incrementa chances de patologias específicas da gravidez, como a pré-eclâmpsia, um tipo de hipertensão específica dessa fase, assim como diabetes gestacional", Flavia. Os bebês ainda podem herdar essas doenças das mães e têm mais chances de nascerem prematuros.

No pós-parto, o acompanhamento segue com atenção redobrada. "Considerando que essa mãe já está em um momento da vida de perda de massa muscular e mais próxima das alterações hormonais típicas do período de transição menopausa, os cuidados com o assoalho pélvico depois do parto são ainda mais necessários", sinaliza a especialista.

Entender os riscos e cuidados que envolvem a maternidade após os 40 anos é uma forma de se preparar, e não de criar pânico. Segundo a médica, há evidências científicas que comprovam a redução do risco de pré-eclâmpsia e diabetes com a adoção de hábitos saudáveis, como exercícios físicos acompanhados por profissionais e alimentação saudável.