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Giro Pela Vida: importância da descoberta precoce do câncer de mama

Aline Scherer

Colaboração para Universa

08/10/2021 15h27

Na 9ª edição do Giro Pela Vida — evento sobre a importância da descoberta precoce e da atenção ao câncer de mama, promovido pelo Instituto Avon, com transmissão do UOL — a principal mensagem foi para as mulheres olharem para si mesmas e cuidarem de sua saúde, bem-estar, humor e afetos. "No contexto da pandemia, as mulheres, que por natureza cuidam e olham por todos ao seu redor, se dedicaram mais aos que amam e um pouco menos a si próprias", disse a apresentadora Sabrina Parlatore.

De acordo com um levantamento realizado pela empresa social Gênero e Número, de jornalismo de dados, a pedido do Instituto Avon, o foco em tentar conter a Covid-19 tirou a atenção de outras doenças com risco de morte. Neste período, o câncer de mama se tornou o tipo de câncer mais comum no mundo. Houve queda na realização de exames preventivos, como a mamografia e o ultrassom das mamas. "A vida das mulheres não pode esperar", disse Sabrina, que enfrentou o câncer há seis anos e ressaltou a importância de encontrar uma rede de apoio para superar o diagnóstico e o tratamento. No telefone 08007731666, da ONG Oncoguia, qualquer mulher que tenha a doença ou queira apoiar outra pessoa pode se informar.

"A pandemia nos atinge a todos, a angústia, a ansiedade e essas questões afetivas e emocionais estão ligadas a nossa saúde física, porque nós somos o corpo inteiro e o pensamento", disse Viviane Mosé, poeta, psicanalista, especialista em políticas públicas e sócia-diretora da Usina Pensamento. Ela recitou um de seus poemas sobre as emoções e sobre como é possível evitar doenças, ao desenvolver e valorizar nossa capacidade de expressão, aprendendo a se colocar, a falar sobre as próprias emoções. "A maioria das doenças que as pessoas têm são poemas presos. Abscessos, tumores, nódulos, pedras são palavras calcificadas, poemas sem vazão..."


Busque Seus Direitos
A informação é o primeiro passo para prevenir a doença. "Quando descoberto precocemente há mais de 95% de chance de cura e tratamentos menos agressivos", ressaltou a médica mastologista Juliana Francisco. "E a principal ferramenta para descobrir é a mamografia, que deve ser realizada anualmente por mulheres a partir dos 40 anos de idade, se não houver nenhum sintoma. Mas em alguns casos é preciso começar antes", alertou a doutora. As convidadas do evento também recomendaram às mulheres a buscar seus direitos.

"Desde a desconfiança do diagnóstico, todos os pacientes do Sistema Único de Saúde têm o direito de ter acesso a exames para confirmar a doença em até 30 dias", disse Renata Vilhena, sócia fundadora da Vilhena Silva Advogados, especialista em direito à saúde. "Também existe o direito ao início do tratamento em até 60 dias após o diagnóstico". Quem não conseguir fazer com que a lei seja cumprida de imediato, em uma isntituição de saúde, pode procurar o Juizado de Pequenas Causas, sem a necessidade de consultar um advogado. Basta fazer uma reclamação verbal, apresentando ao funcionário do fórum ou ao juiz, um relatório do médico afirmando que existe a suspeita da doença, para conseguir o exame, ou que existe o diagnóstico confirmado, para garantir o acesso ao diagnóstico.

A empresária, atriz e modelo Luiza Brunet contou sobre como o ativismo foi ganhando espaço na sua agenda pública, depois de se tornar embaixadora do Instituto Avon. "A história de cada mulher impactou muito minha vida e vi que através da minha fala, da minha voz, e da minha imagem de pessoa pública, eu poderia contribuir muito mais com essas mulheres. Fiz disso então uma nova etapa na minha vida, de se tornar ativista, e este é meu propósito hoje", disse Luiza. "Toda mulher nasceu para ser ativista, ela só precisa encontrar o momento da fala para contribuir para a sociedade. As mulheres precisam desse acolhimento, e cada mulher dar acolhimento a outra".

O Instituto Avon é braço social da empresa de cosméticos Avon, que atua em diferentes causas importantes às mulheres, entre elas, a do combate ao câncer de mama, iniciada pela organização no Brasil há 18 anos. "Globalmente, a Avon se dedica à causa há 70 anos. Nosso objetivo é reduzir as mortes de mulheres causadas pela doença", disse Daniela Grelin, diretora do Instituto Avon. Segundo a executiva, a Avon já apoiou 230 projetos no país ligados ao câncer de mama, doou 372 mil mamografias, mais de 50 mamógrafos e 32 aparelhos de ultrassom. Nos 252 municípios brasileiros que o Instituto Avon está presente, a cobertura de exames preventivos da doença é de 11%.

Vivendo com uma doença crônica
A jornalista Ana Michelle Soares descobriu o câncer de mama aos 28 anos de idade, em 2011. Embora o tumor estivesse em estágio inicial e ela tenha começado o tratamento de imediato, a doença atingiu o ponto de metástase, quando se reproduz para células de outros órgãos. Ela faz parte dos 5% de mulheres que, mesmo com a descoberta precoce do câncer, ainda não dispõem de cura, apenas cuidados paliativos para a não evolução da doença.

Ana Michelle descobriu sozinha, ao pesquisar no Google mais detalhes sobre a prescrição de um dos medicamentos receitados pelo seu primeiro médico, que seu câncer é incurável. Decidiu trocar de profissional e criou o perfil @paliativas, para inspirar outras pessoas que descobrem doenças crônicas e graves a aproveitar o presente e buscar qualidade de vida, e a realização de sonhos. "Eu estou doente, mas como vocês eu não sei o que vai acontecer comigo amanhã", disse durante o evento. "Minha alma não tem câncer. Vou viver o tempo que eu tiver que viver, e minha vida não se resume à minha doença", concluiu Ana Michelle.

Hoje ela é acompanhada pela oncologista Ana Baccarin e um time multidisciplinar, no momento, dedicado a transformá-la numa atleta. "Ao descobrir que possui uma doença crônica, que precisa ser tratada para o resto da vida, não vamos jogar a notícia para baixo do tapete. Vamos enfrentá-la. A vida será transformada, mas não é preciso viver uma rotina só em torno da doença, deixando de fazer as viagens que gosta, tocar a vida, o trabalho", disse a doutora Ana.

"Todos nós temos células que se replicam errado o tempo todo. Nosso sistema imunológico é responsável por não deixar que elas se reproduzam, por isso precisamos buscar cuidados integrativos. São técnicas que cuidam da mente e do corpo, como acupuntura, relaxamento e muito mais, como a saúde metabólica de cada célula, procurando estar com o nível de vitaminas e minerais perfeitos", concluiu a oncologista. "Não sei quanto tempo eu tenho, mas quero viver bem o tempo que eu tenho e os cuidados paliativos me ensinam a valorizar o momento presente", refletiu Ana Michelle. "Já que não dá para ficar curada, eu vou ficar sarada", disse sobre o desejo de se tornar atleta.

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