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"Minha ex é louca": a versão dos fatos de quem saiu com má fama da relação

Bárbara relata que o ex-namorado dormia com o celular no bolso para evitar ser descoberto - Acervo pessoal
Bárbara relata que o ex-namorado dormia com o celular no bolso para evitar ser descoberto Imagem: Acervo pessoal

Ana Bardella

De Universa

24/06/2021 04h00

Possessiva, maluca, ciumenta, exagerada, controladora, surtada: quem nunca conheceu um homem que jura ter saído traumatizado de uma relação em função do comportamento da ex-namorada? Alguns, inclusive, afirmam que até o momento se relacionaram apenas com mulheres com esse perfil — e, na hora de conquistar uma nova parceira, usam o passado como régua, elogiando a atual o argumento de que ela sim é "diferente das outras".

Apesar de existir a possibilidade de as namoradas do passado terem, de fato, passado dos limites quando o assunto é ciúmes, a psicóloga Névia Rocha considera esse tipo de discurso um sinal de alerta. "A maior parte dos homens abusivos diz para suas novas parceiras que as antigas eram problemáticas. Isso fomenta a rivalidade feminina: faz com que a mulher enxergue a outra como uma figura não confiável, de quem ela precisa se distanciar", diz.

Ao mesmo tempo, o argumento torna a mulher mais dócil, já que ela quer agir diferente para agradá-lo. Como deseja evitar ser comparada com a ex 'ruim', muitas aceitam situações de desrespeito ou deixam de questionar o parceiro diante de alguma desconfiança".

Além disso, Névia ressalta que questionar a sanidade mental feminina faz parte de um tipo sutil de abuso psicológico e acaba funcionando como ferramenta para isentar a responsabilidade masculina sobre as atitudes que tomou quando estava na relação anterior. A seguir, três mulheres contam como levaram essa fama — tanto durante a relação, como depois do término:

"Ele dormia com o celular no bolso, mas dizia que eu era paranoica"

Bárbara tinha fama ruim entre a família do ex-namorado - Acervo pessoal - Acervo pessoal
Bárbara tinha fama ruim entre a família do ex-namorado
Imagem: Acervo pessoal

Tive um relacionamento longo com um rapaz cinco anos mais velho. Ele sempre foi bastante ciumento, o que me dava um 'aval' para ter ciúmes também. Como era adolescente na época, não entendia essas atitudes como sendo tóxicas e achava que nosso ciúme era algo natural. No decorrer do tempo, tivemos idas e vindas.

Depois do nosso primeiro término, começaram as mentiras. Como não me dava bem com uma parte dos seus amigos, ele passou a dizer que ia em outros lugares quando na verdade saía com eles. Por não haver indícios de que ele me traía, eu acabava relevando.

Justamente por eu ser sociável e gostar de viajar e de dançar, acabei levando a fama de 'pipa avoada' entre a família dele. Sempre que chegávamos perto de terminar, ele era visto como o lado certo da história. Brigávamos praticamente toda semana, mas nunca conseguia colocar um ponto final na história.

Como era enganada sobre suas saídas, desenvolvi o hábito de investigar para saber se era verdade o que ele me dizia ou não. Mesmo quando achava algum indício que provava que eu estava certa, ele negava friamente, dizia que eu era louca. Chegou a dormir com o celular no bolso para não correr o risco de eu mexer. A situação foi piorando depois que marquei um intercâmbio. Ele me pediu em noivado e eu aceitei, mas já sentia que algo não estava correto.

Um dia, no seu histórico de pesquisa, vi que havia várias procuras por 'sexo casual', mas ele inventou que estava procurando algo para tirar sarro de um amigo. Isso é um resumo da nossa história: mesmo tendo prints e provas, meu ex-namorado encontrava um jeito de virar o jogo para dizer que o que eu estava dizendo não tinha nada a ver.

Até que me mudei para os Estados Unidos e descobri sobre a conversa com uma outra mulher. Ali, decidi aproveitar que estava longe para colocar um fim na relação. Mas, como já conversei com uma mulher com quem ele se envolveu depois do término, sei que ele fala de mim para os outros como a ex que se mudou de país e jogou no lixo uma relação de anos, sem nenhum motivo". Bárbara Lewis, 25 anos, estudante, de Iowa, nos Estados Unidos

"Cheguei a ouvir que era uma psicopata"

Nathy acha que a experiência ruim pode influenciar em suas próximas relações - Acervo pessoal - Acervo pessoal
Nathy acha que a experiência ruim pode influenciar em suas próximas relações
Imagem: Acervo pessoal

"Conheci um rapaz por quem me apaixonei. No entanto, nos primeiros três anos de envolvimento, nós éramos apenas ficantes. Mesmo eu sendo apaixonada, postando fotos de nós dois juntos nas redes sociais e sendo fiel, ele não me apresentava para a família e nem me assumia como namorada.

No decorrer desse tempo, aconteceu muitas vezes de marcarmos de nos ver e ele só aparecer muito tempo depois do combinado. Não atendia ligações, sumia do Whatsapp e depois aparecia pedindo desculpas, dizendo que teve algum imprevisto. Isso me deixava muito insegura, porque dedicava meu tempo exclusivamente a alguém de quem gostava, enquanto essa pessoa podia estar fazendo qualquer outra coisa.

Por causa disso, comecei a investigar muito suas redes sociais. Via o perfil de amigos que postavam fotos em que ele aparecia e mostravam onde estava. Sem mostrar as provas, perguntava onde estava e ouvia uma mentira.

A primeira reação dele sempre era dizer que eu era maluca, paranoica. Uma vez, ouvi até que era uma psicopata. Quando eu mostrava a verdade, ele apenas se desculpava. Com isso, me sentia triste e inferior.

Depois de três anos, fui pedida em namoro, com direito a aliança. No entanto, meu comportamento de investigar tudo o que ele fazia era muito tóxico e a relação não deu certo. Hoje, entendo que fiquei com marcas daquele período e sei que vou precisar amadurecer para não repetir esse comportamento nas minhas futuras relações".

Nathy Naiana, 23 anos, lash designer e maquiadora, de São José dos Pinhais (PR)

"Quando namorávamos, eu era 'a doida'. Depois, descobri que era traída"

Sabrina entendeu através de terapia, que sua "cisma" estava correta - Acervo pessoal - Acervo pessoal
Sabrina entendeu através de terapia, que sua "cisma" estava correta
Imagem: Acervo pessoal

"Vivi um relacionamento no qual meu parceiro era completamente ausente. Ele nunca se importava com as minhas atividades, com aquilo que eu fazia. Por já ter sido traída, eu era naturalmente desconfiada, mas sempre que pedia explicações sobre algum assunto, ele dizia que eu era louca, que inventava histórias. Uma característica marcante da relação era que ele não me deixava pegar o dele celular por nada, em nenhuma situação.

Confusa com essa postura dele, fui ficando cismada. Encontrava às vezes seus papéis de trabalho e batia os horários nos quais ele saía de casa e chegava para começar seu turno.

Nesse meio tempo, comecei a fazer acompanhamento psicológico e vi que tinha todos os motivos do mundo para desconfiar. De fato, pouco tempo depois do nosso término, soube que ele dava em cima de diversas colegas profissionais e que já tinha me traído.

Como a nossa última briga foi feia, não tenho dúvidas de que ganhei a fama da 'namorada louca' entre seus amigos e até para as próximas namoradas". Sabrina Temoteo, 22 anos, estudante de Cianorte (PR)

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