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Testemunhas ouvidas no 3º dia de julgamento dizem que Spitzner não se matou

Em março de 2019 Manvailer prestou depoimento no Tribunal de Justiça do Paraná -  Reprodução/TJ-PR
Em março de 2019 Manvailer prestou depoimento no Tribunal de Justiça do Paraná Imagem: Reprodução/TJ-PR

Lorena Pelanda

Colaboração para Universa, em Curitiba

06/05/2021 22h08

O investigador de polícia Marco Aurélio Jacó foi ouvido nesta quinta-feira (06) por quase oito horas no terceiro dia de julgamento do biólogo Luís Felipe Manvailer, no Fórum de Guarapuava (PR). A testemunha narrou como foram as primeiras investigações da morte da advogada Tatiane Spitzner, em 2018.

No dia do crime, o investigador dormia no apartamento da namorada, que fica no mesmo local, mas não percebeu a movimentação. Na manhã seguinte, ao chegar na delegacia, ele ficou sabendo da situação e retornou ao prédio para pedir as imagens das câmeras de segurança ao síndico e começar a ouvir as testemunhas.

Marco Aurélio foi perguntado diversas vezes pela defesa de Manvailer como se deu o andamento inicial das investigações, principalmente sobre o momento em que Tatiane caiu do quarto andar do prédio. Quatro jurados também fizeram perguntas, duas delas sobre o consumo de bebida alcoólica antes da briga. O investigador disse que exames comprovaram a ingestão de álcool pelo casal. Ele afirma que chegou à conclusão de que a morte não se tratava de suicídio devido a todos os indícios apurados e que Tatiane foi estrangulada e depois jogada da sacada.

O advogado da família de Tatiane e assistente de acusação do Ministério Público do Paraná, Gustavo Scandelari, afirma que até agora a defesa não trouxe provas de que ela se suicidou. "A defesa de Manvailer opta por uma versão que agride a memória da vítima e da família, dizendo que ela era uma chantagista emocional. Algo mais uma vez lamentável por parte dos argumentos da defesa e que confirma que a versão do réu preso é absolutamente improcedente", reclama Scandelari.

A defesa do réu agora sustenta que Tatiane não mais se jogou, e, sim, caiu da sacada enquanto se utilizava de chantagem emocional para conseguir acesso às mensagens no celular do marido, após uma briga. O advogado Claudio Dalledone Júnior afirma que não se trata de uma mudança de versão, mas, do resultado de novos estudos feitos pela defesa. "Utilizando de uma estratégia emocional para conseguir o conteúdo das mensagens, ela acabou se acidentando e caiu do prédio. Isso está claro dentro dos autos. Não é uma mudança de versão. É amadurecimento, estudo e conhecimento dos fatos, coisa que a acusação não tem", reforça Dalledone

No começo da noite foi a vez do perito do Instituto Médico Legal Obadias de Souza ser questionado na sessão. Ele era chefe do instituto e respondeu questões técnicas. Na época, ele pediu para que o corpo de Tatiane voltasse para o IML para que uma necropsia fosse feita. De acordo com o perito, o exame inicial foi feito somente na parte externa do corpo, sem a avaliação dos órgãos e tecidos dos ferimentos, já que o auxiliar de necropsia era inexperiente. Por isso, ele pediu que a análise fosse refeita. O exame mais completo, segundo ele, foi fundamental para decretar a causa da morte da advogada por asfixia mecânica por esganadura.

O julgamento desta quinta-feira foi marcado por fotos e vídeos fortes que mostram, por exemplo, Manvailer levando o corpo da esposa até o apartamento e limpando os vestígios de sangue espalhados no elevador e imagens do corpo já no IML. Neste momento, a família que acompanha o julgamento desde o começo, se retirou da sala. A defesa também apresentou imagens de câmeras de segurança do bar onde foi a comemoração de aniversário de 32 anos do biólogo, local que teria começado a discussão do casal momentos antes da morte da advogada.

Previsão é que o resultado saia somente no fim de semana

Até agora, sete testemunhas foram ouvidas. Ainda faltam prestar depoimento: Antônio Marcos Machado, que mora perto do apartamento que ocorreu o crime, o delegado de plantão, Wellington Daikubara, os investigadores Leandro Dobrychtop e Joanez Gaspar, o policial militar Newton Albach e André Manvailer, que é irmão do réu. Três assistentes técnicos também vão ser ouvidos.

Nos próximos dias o réu será interrogado e, em seguida, a defesa e acusação finalizam os argumentos de cada um. Por fim, é feita a votação secreta entre os sete jurados, todos homens, escolhidos por sorteio e o anúncio do veredito pelo juiz. O júri popular começou na última terça-feira (04). A previsão é que o resultado saia somente no fim de semana.

O réu é acusado por homicídio qualificado (por motivo fútil; mediante asfixia e meio cruel; e feminicídio) e fraude processual, por alterar a cena do crime. Se condenado, Luís Felipe Manvailer pode ser punido com pena de 12 a 30 anos de prisão.