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Mulher fica tetraplégica após agressão do marido; réu é julgado no Paraná

Cidnéia Aparecida Mariano foi agredida e asfixiada pelo ex-marido em abril de 2019 - Acervo pessoal
Cidnéia Aparecida Mariano foi agredida e asfixiada pelo ex-marido em abril de 2019 Imagem: Acervo pessoal

Abinoan Santiago

Colaboração para Universa, em Florianópolis

04/02/2021 14h40

A vida da auxiliar de enfermagem Cidnéia Aparecida Mariano, 34, virou do avesso nos últimos dois anos. Considerada uma mulher alegre e saudável, ela quase morreu após tentativa de feminicídio por asfixia. O ex-marido, Emerson Henrique de Souza, é réu e será julgado hoje pelo tribunal do júri da Comarca de Londrina (PR). Cidnéia escapou da agressão com vida, mas ficou tetraplégica.

O crime aconteceu em 8 de abril de 2019. Ambos viviam um relacionamento conturbado, de acordo com denúncia do MP (Ministério Público) do Paraná, o que levou Cidnéia a buscar o fim do casamento. Depois de tentar matá-la, ela a abandonou em uma estrada rural de Londrina.

Para a família, o júri é o início do fim de uma luta que dura desde o dia do crime. A asfixia impediu o cérebro de Cidnéia de receber oxigênio, causando a perda total dos movimentos das pernas e dos braços. A vítima também não consegue falar. Ela se comunica apenas com o movimento dos olhos e expressões pontuais do rosto.

"Ela não fala, nem se mexe, mas entende o que falamos. A Cidnéia sabe que o julgamento é hoje, tanto que se mostrou muito agitada nos últimos dias. Acreditamos que estava bastante ansiosa. Ele não matou, mas acabou com a vida da minha filha", comentou a mãe, Clotilde Marinho, de 64 anos, que acompanha o julgamento no Fórum de Londrina.

Os parentes dizem que, além de deixar Cidnéia tetraplégica, Emerson destruiu a família. A vítima tem quatro filhos, hoje com idades entre 5 e 18 anos. Eles se dividiram entre casas de parentes.

"A Cidnéia é totalmente dependente dos outros e não temos perspectivas de reabilitação. O grupo familiar da minha irmã acabou destruído, já que os filhos tiveram que se separar, perdendo o convívio entre os irmãos, o cuidado e carinho entre eles", disse a irmã, a socióloga Silvana Marinho, de 46 anos.

Denúncia e julgamento

O MP do Paraná ingressou com denúncia contra Emerson em 2019 pelos crimes de lesão corporal, ameaça e tentativa de feminicídio. Todos os delitos apontados foram aceitos pela Justiça para serem levados ao júri popular, que ocorre hoje, em Londrina.

Testemunhas de defesa e de acusação, além de Emerson, foram ouvidos. O réu respondeu apenas às perguntas dos advogados e preferiu ficar em silêncio nos questionamentos do Ministério Público. Ainda restam as sustentações orais, decisão do júri e sentença.

A defesa pede que Emerson seja julgado pelos crimes de lesão corporal e ameaça e a exclusão da acusação de tentativa de feminicídio. Isso, em tese, poderia diminuir a pena do réu, que está preso desde a semana do crime.

Para lesão corporal, a pena seria de até três anos, enquanto para ameaça de até seis meses. Já no caso de tentativa de feminicídio, o réu pode ser condenado a até 30 anos de reclusão, sem considerar as agravantes apresentadas pelo MP: motivo torpe e de forma cruel.

"Queremos que ele seja punido pelos atos praticados. O Emerson não cometeu a tentativa de feminicídio porque o réu poderia terminar o ato, matando-a, se quisesse, mas acabou desistindo de continuar", resumiu a Universa a advogada Nayara Andrade.

O promotor do caso, Ricardo Alves Domingues, da 14ª Promotoria de Londrina, informou, através de sua assessoria, que falaria sobre o caso somente após o julgamento. O júri não tem horário previsto para terminar.

A família aguarda por uma pena justa para o caso. "Eu só espero Justiça porque é isso que a gente quer, é a única coisa. Pedimos uma sentença que diminua um pouco a dor que esse crime deixou na nossa família", espera a mãe.