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Ela expõe corpo sem retoques na web: "Beleza não tem a ver com pele lisa"

Gabriella Camello usa Instagram para falar de autoestima estética e normalizar marcas do corpo - Reprodução/Instagram
Gabriella Camello usa Instagram para falar de autoestima estética e normalizar marcas do corpo Imagem: Reprodução/Instagram

Nathália Geraldo

De Universa

04/10/2020 18h30

"Dança, seu bumbum balança, tu desce, balança...". Se o corpo de cada pessoa é diferente, e tem seu próprio formato, com texturas e marcas de pele variadas, não é errado dizer que o refrão do funk "Balança", de WC no BEAT, Pedro Sampaio e Gabriel Gimenez, contempla muito bem aquelas que não seguem o "padrão de beleza" do bumbum durinho. E, entre mulheres, podem ser muitas.

Uma delas é a publicitária Gabriella Camello, que publicou no Instagram um vídeo em que aparece dançando a música com o corpo "sem retoques". A ideia, como explicou a criadora de conteúdo para Universa, é naturalizar o fato de que corpos (e, especialmente, bumbuns) podem ter celulite, estria e flacidez. E que está tudo bem mostrá-los assim nas redes sociais. Afinal, por que isso incomoda?

Mudança no corpo, libertação de padrões

Depois de passar por uma cirurgia bariátrica, seguida de reeducação alimentar e nova rotina de atividades físicas, a criadora de conteúdo Gabriella Camello viu seu corpo se moldar a um novo peso. Foram 60 kg eliminados nesse processo, que durou três anos, e que resultaram em marcas que ela não tinha antes.

Surgiram flacidez, estrias, celulite e a cicatriz da intervenção cirúrgica. Ela ainda fez abdominoplastia e mamoplastia para tirar as sobras da pele depois da cirurgia. "Eu brinco dizendo que sou toda remendada".

E, como muitas mulheres que são pressionadas pelos padrões estéticos, tentou apagar o que muita gente vê como "imperfeição". "Fui muito refém dessas coisas. Fazia tratamentos severos para apagar as estrias, que ardiam minha pele. Até que pensei: 'Por que e para quem estou fazendo tudo isso?".

O sofrimento, assim, deu lugar à libertação dos estereótipos e da busca incessante pelo corpo perfeito inatingível. "E quando você passa por um processo de se detestar muito, como eu passei, as marcas se tornam muito pequenas diante de tudo que se quer viver. Foi quando eu decretei: 'Cansei de me esconder por causa do meu corpo, de usar só roupa preta, de esconder meus braços. Tenho estria, celulite e não vale deixar de viver por isso."

Gabriella Camello - Reprodução/Instagram - Reprodução/Instagram
No Instagram, Gabriella compartilha fotos de seu corpo e exalta as marcas da pele, como estrias e celulite
Imagem: Reprodução/Instagram

Corpo da mulher nas redes: desmistificando a "perfeição"

No processo de valorização de autoestima, Camello, então, passou a buscar referências de quem era mais real em contraponto à imagem de "mulheres perfeitas" que aparecem no feed do Instagram.

"No Instagram, a gente costuma ver fotos de pessoas consideradas perfeitas. E elas são lindas. Mas, eu vejo influenciadoras que têm estrias na barriga e as acho lindas também. Até porque beleza não tem a ver com um corpo liso. A mulher fica mais bonita ainda por ser original", pontua a criadora de conteúdo. "E a gente está passando por um processo de normalização dos corpos reais".

Gabriella Camello pose - Reprodução/Instagram - Reprodução/Instagram
Poses diferentes, mesmo corpo: criadora de conteúdo mostra como imagem "fake" se espalha nas redes sociais
Imagem: Reprodução/Instagram

Não à toa, surgem cada vez mais perfis e influenciadoras que expõem o corpo feminino como ele é naturalmente — a jornalista Danae Mercer, do Reino Unido, é uma delas. No Brasil, o Movimento Corpo Livre também levanta o debate sobre autoestima estética e fim da gordofobia.

Em um momento em que estava isolada em casa, com sintomas leves da covid-19, a influenciadora resolveu usar sua própria experiência de vida e imagem para falar sobre autoaceitação com outras mulheres. Foi quando colocou o bumbum para balançar em uma publicação no Instagram.

"Até diria: 'Que bom que ele balança! Ter flacidez é normal! Ter celulite é normal!", escreveu na legenda.

Com mais de 49 mil visualizações, o vídeo recebeu muitos comentários. "Recebi críticas principalmente de homens. Um deles disse que minha bunda parecia de gelatina, e que ele preferia as que ficam durinhas com agachamento. Só que eu faço agachamento, amo musculação. O movimento, para mim, é para fortalecer meu corpo. Não é para ele. Aliás, quem é para preferir algo no meu corpo?".

Por outro lado, mulheres celebraram a iniciativa da publicitária de desmistificar o que se entende como "corpo bonito". "Elas se identificam muito, falam que agora têm coragem de usar biquíni. E outras até escreveram que o meu 'estilo' de bunda é o melhor para dançar funk".

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