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Influencer compartilha críticas: "Magra ou gorda, qualquer corpo incomoda"

Camila Monteiro fala sobre corpo feminino e emagrecimento no Instagram  - Reprodução/Instagram
Camila Monteiro fala sobre corpo feminino e emagrecimento no Instagram Imagem: Reprodução/Instagram

Nathália Geraldo

De Universa

12/05/2020 15h37Atualizada em 12/05/2020 20h04

Não cumprir a lista infinita (e irreal) de características físicas que são embaladas como "perfeitas" por muitas pessoas nas redes sociais, principalmente as conhecidas como "musas fitness", fez a influenciadora Camila Monteiro (@camilamonteiro) sofrer ataques relacionados a seu corpo no Instagram. Em recente episódio, Camila — que tem 2,3 milhões de seguidores na rede e está pesando menos da metade do que já pesou na vida — recebeu uma mensagem de uma seguidora dizendo que ela deveria perder mais 10 quilos.

Ela compartilhou recentemente em seu perfil um compilado das críticas que recebeu. Os comentários vão desde "antes você estava super gorda, agora parece anoréxica!", passando por "cuidado com o que vai comer aí na Disney, daqui a pouco vai estar enorme novamente" a "ainda está precisando perder uns 30 quilos"

A prática de depreciar alguém por conta de sua aparência se chama "body shaming". Para Universa, Camila conta que o ataque vem de todos os lados e em todas as fases da sua vida. Seja gorda, no processo de emagrecimento ou magra. "Quando eu era gorda, diziam que eu só me aceitei porque não conseguia emagrecer. Agora que emagreci, e mostro uma gordura localizada, é uma afronta. Qualquer corpo incomoda e é motivo de chacota."

Camila Monteiro é alvo de 'body shaming'

Segundo Camila, até chegar ao peso atual foram três processos de emagrecimento. Diagnosticada com compulsão alimentar, a influenciadora decidiu que perder peso era uma escolha relacionada, no caso dela, à saúde física e emocional. Ela conta que, por dificuldades de mobilidade, não conseguia amarrar os sapatos, se higienizar corretamente, sofria com dificuldades circulatória e teve trombose. Era comum não conseguir respirar bem ao realizar tarefas.

Para perder peso, recorreu à ajuda de um time de profissionais: psicólogo, psiquiatra, nutricionista. "Não era a estética que me incomodava. Porque foi justamente no momento em que eu pensei: não vou esperar ficar magra para viver. Então, saía, ia ao cinema, supermercado".

Sem romantizar o emagrecimento

Camila diz que parar de romantizar o processo de emagrecimento foi fundamental para ter a perda de peso de forma equilibrada — mudar alimentação, por exemplo, não foi da noite para o dia, segundo ela — e não deixar a autoestima estética abalada, especialmente quando se publica fotos do corpo no Instagram. "A gente vê foto de antes e depois dos corpos, e acha que aquilo é uma vitória de alguém. Só que isso deixa marcas: estria, excesso de pele, flacidez, por exemplo".

São essas cicatrizes — "que contam a história do corpo" — que Camila acredita ser o alvo da maioria dos ataques que recebe no Instagram.

O fato de eu mostrar gordura localizada afronta, até mesmo uma mulher magra. Porque ela pode pensar: como ela tem isso e se aceita, se nem eu me aceito?

No Instagram, chuva de críticas

Camila divide com seus seguidores parte do preparo de suas refeições, fotos e vídeos de rotina. A relação com a rede social — em que a imagem vale mais —, no entanto, não foi sempre amistosa. "Eu criei um perfil há sete anos, quando era o boom das musas fitness. Foi quando conheci Gabriela Pugliesi e tantas outras. E aquilo despertava o desejo de emagrecer — ainda mais porque a gente teoricamente acompanhava tudo que elas faziam.

"Naquela época, perdi mais de 50 quilos, e resolvi migrar esse conteúdo sobre corpo que eu fazia já no Facebook para o Instagram. Só que quando eu engordava, eu sumia da rede. Só voltava quando perdia bastante peso. Gorda, eu só postava foto de rosto, de prato", comenta.

Ela atribui esse comportamento de criticar a aparência da outra a diversos fatores, entre eles, o de ela precisar corresponder à aparência esperada pelas seguidoras. "Me questionavam como eu seria inspiradora, se eu era uma pessoa gorda e fracassada por não emagrecer. Só que mulheres falarem isso me assusta: a gente já sofre para entrar no padrão, vê o tempo inteiro na TV o que é considerado bonito; desde crianças somos influenciadas ao ver as capas de revista. Parece que você nunca vai estar suficientemente bonita e aceitável para alguém."

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