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Mãe acusa médicos de gordofobia e de cortarem orelha do filho durante parto

O bebê Noah Samuel teve a orelha cortada durante o parto - Arquivo pessoal
O bebê Noah Samuel teve a orelha cortada durante o parto Imagem: Arquivo pessoal

Tatiana Campbell

Colaboração para o UOL, no Rio

04/09/2020 14h46

O trabalho de parto de Isabella Kelly Pereira Aparecido, 22, no Hospital Municipal Rocha Faria, em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, foi traumático. Ela acusa membros da equipe médica de fazerem comentários gordofóbicos sobre o seu corpo e de cortarem a orelha do bebê, Noah Samuel, durante a cesariana.

A Secretaria Municipal de Saúde do Rio informou que a direção da unidade vai apurar com rigor e ouvir toda a equipe que participou da cirurgia. Com relação ao machucado na orelha do bebê, a pasta confirmou o caso e disse que o recém-nascido foi avaliado por um cirurgião pediátrico.

"Você deveria comer menos hambúrgueres"

Isabella Aparecido contou que os constrangimentos começaram ainda no início da cirurgia.

Durante a cesariana uma das médicas me disse que eu precisava fazer uma dieta, logo em seguida o anestesista começou a reclamar de cansaço, que estava com sono e começaram a falar frases de baixo calão entre eles ao longo da cirurgia. Eu escutei muita coisa. Depois da cesariana eu fiquei aguardando e nisso uma médica me disse que na próxima gravidez eu deveria comer menos hambúrgueres. Eu na hora dei um sorriso sem graça, mas a médica voltou a falar que não estava brincando, que estava falando sério. Ela disse que eu não poderia ter esse corpo com a minha idade.

Corte na orelha

Logo depois de voltar para o quarto com o filho, Isabella Aparecido descobriu o corte na orelha do bebê. Ela disse que só depois de questionar por diversas vezes, os médicos disseram que o machucado ocorreu durante a cesariana.

"Depois de eu muito questionar, porque ficavam alegando que aquilo era má formação da gravidez, uma médica veio até mim e disse que na cirurgia, na hora que o médico estava usando a pinça para abrir a minha barriga, a pinça perfurou a orelha do meu filho", disse a mãe.

Após este episódio, o menino foi levado para a Unidade de Terapia Intensiva do hospital. Porém, a falta de informação também deixou a família preocupada. Segundo Isabella Aparecido, a equipe chegou a falar que Noah ficaria na UTI para que o machucado não infeccionasse, depois os médicos disseram que fariam uma sutura no machucado, já em outro momento alegaram que poderiam dar um ponto na orelha do bebê. Por fim, decidiram por fazer um curativo e enfaixaram a cabeça da criança.

Hospital será processado

A família informou que procurou um advogado para tomar as medidas cabíveis e querem entrar com um processo contra o hospital. O pai de Isabella, José Aparecido, disse que os médicos agiram de má fé e por isso decidiram tomar essa atitude.

"Vamos dar entrada em um processo. A princípio nem íamos fazer isso se tivessem agido com boas intenções, mas começaram a privar minha filha de ver a criança, colocaram várias desculpas, uma delas era de que o menino estava vomitando, outras que não estava mamando. Decidimos abrir um processo com o hospital. Não só pelo corte e pelo atendimento, mas também pelo bullying".

O outro lado

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde confirmou que o corte na orelha da criança foi durante a cirurgia. A pasta disse ainda que a internação do recém-nascido na UTI não tem relação com o corte, mas sim com outros quadros detectados, como dificuldades para mamar e refluxo. Confira a nota na íntegra:

"O bebê da Sra. Isabella Kelly Pereira Aparecida sofreu o corte no momento do parto, como foi explicado à mãe. O recém-nascido foi avaliado por um cirurgião pediátrico neonatal, que descartou necessidade de sutura. Por ser pequeninho, a melhor forma de se fazer um curativo neste caso é enfaixando a cabecinha. A internação do menino na UTI neonatal não tem relação ao corte, mas sim a outros quadros apresentados, como dificuldade para mamar e refluxo. A mãe está acolhida pela equipe da maternidade, recebendo todas as informações sobre o quadro. Nada está sendo omitido dela. Sobre o relato da paciente de ter ouvido frases ofensivas de médicos durante a cesariana, a direção da unidade vai apurar com rigor e ouvir a paciente e toda a equipe que participou da cirurgia. A direção da unidade está a disposição da paciente para mais esclarecimentos".