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Vídeo de Emilly, do BBB, mostra que mulheres agredidas precisam de suporte

Marcos Harter encurrala Emilly Araújo no BBB17 - Reprodução / TV Globo
Marcos Harter encurrala Emilly Araújo no BBB17 Imagem: Reprodução / TV Globo

De Universa*

27/08/2020 18h07

Um vídeo da ex-BBB Emilly Araújo, que foi vencedora do reality em 2017, veio a público e reforçou a necessidade de que a sociedade e o Estado intervenham em relações amorosas abusivas, reforçando com as vítimas os perigos que estão correndo. Na gravação, Emilly, que estava rumo à final do programa, é chamada pela produção para um cômodo isolado da casa e conversa com uma advogada sobre as agressões que sofreu por parte do então namorado, o médico Marcos Harter.

Nele, a profissional se apresenta e diz que representa a TV Globo. Em seguida, explica: "Por conta do seu último desentendimento com o Marcos, a Delegacia de Atendimento à Mulher sugeriu que nós viéssemos aqui falar com você e alertar, dizer a você que, enquanto mulher, você tem o direito, caso queira, a medidas protetivas de urgência. Se você se sentir ameaçada ou agredida, a partir de agora, você pode solicitar medidas protetivas contra o Marcos".

Durante uma das brigas do casal, que ficou marcada na história do programa, o médico colocou a jovem contra a parede e elevou o tom de voz com o dedo em riste próximo ao seu rosto. Após uma investigação, foram constatadas marcas de agressões físicas no braço de Emilly. Com isso, ele foi expulso do reality e foi indiciado por agressão.

O que chamou a atenção do público nas gravações foi a reação da participante, que ficou dividida entre a seriedade da situação e os sentimentos que nutria pelo médico na época.

Dúvida comum entre as vítimas

O medo de prejudicar o agressor é comum entre as vítimas de violência doméstica. A advogada e psicanalista Vanessa Paiva explica que, quando a agressão acontece, a maior parte das mulheres sente dois receios: o de ficar e o de ir embora. "Ao ficarem, elas sabem que estão em risco. Mas, se encerrarem a relação, perdem o projeto de felicidade, a relação perfeita com a qual sempre sonharam. Por isso, é comum que alimentem falsas esperanças de que o homem pode mudar e 'voltar a ser como era antes', quando tudo parecia mais feliz. Na fantasia delas, essa era uma época maravilhosa", explica.

Além disso, a proximidade com o agressor faz com que exista uma espécie de cortina de fumaça, que não permite que a vítima compreenda com clareza os fatos pelos quais está passando. Homens abusivos tendem a usar estratégias de manipulação para que suas companheiras sintam como se a culpa pelas agressões fosse delas. Por isso, a intervenção é tão importante: é através do diálogo com terceiros, sejam eles amigos, parentes ou autoridades policiais, que a mulher passa a ter uma visão menos contaminada da situação e ganha força para romper o ciclo.

As vítimas também se sentem mais amparadas quando podem contar com a ajuda de outras pessoas — e quando recebem auxílio psicológico. "Como foram vítimas de manipulação, estas mulheres precisam voltar a se sentir fortes, saber que têm voz e que suas opiniões, seus sentimentos e suas vontades importam", ressalta Vanessa.

* Com informações da matéria "Ele dizia que queria me proteger: como o cuidado evolui para agressão", publicada em dezembro de 2019.