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Direitos da mulher

Empresa na Índia oferece 'licença-menstruação' para funcionárias

Funcionárias da Zomato, na Índia, vão ter direito a tirar "licença-menstruação" - iStock
Funcionárias da Zomato, na Índia, vão ter direito a tirar "licença-menstruação" Imagem: iStock

De Universa, em São Paulo

11/08/2020 16h25

Uma das maiores empresas de entrega de comida na Índia, a Zomato, divulgou que vai oferecer para suas funcionárias uma "licença-menstruação" equivalente a dez dias por ano, de acordo com o site da CNN norte-americana.

A iniciativa é avaliada como um marco no país onde menstruar ainda é um assunto rodeado de tabus e preconceitos.

O fundador e diretor-executivo da empresa, Deepinder Goyal, disse que as mulheres e as pessoas trans vão ter direito a um dia de licença por ciclo menstrual.

Outras companhias já oferecem o benefício no país, mas a Zomato é a de maior visibilidade.

"Não deve haver nenhuma vergonha ou estigma associado ao pedido de licença por menstruação. Você deveria se sentir à vontade para dizer às pessoas em grupos internos ou em emails que está no seu dia de licença menstrual", comunicou Goyal aos trabalhadores da empresa.

Ele pediu, no comunicado, a qualquer pessoa que passe por "assédio desnecessário" ou "comentários de mau gosto" por pedir a licença, que se expresse abertamente e diga aos colegas do sexo masculino que "isso não deveria ser desconfortável para nós".

"Isso faz parte da vida, e embora não entendamos totalmente o que as mulheres passam, precisamos confiar nelas quando dizem que precisam descansar", afirmou Goyal.

"Eu sei que as cólicas menstruais são muito dolorosas para muitas mulheres — e temos que apoiá-las se quisermos construir uma cultura verdadeiramente colaborativa na Zomato."

"Impuras e sujas"

Na Índia, muitas mulheres não têm permissão para cozinhar ou tocar em ninguém durante a menstruação, período do mês em que são consideradas "impuras e sujas".

Por outro lado, há locais no país onde se tenta mudar essa cultura. É o caso do estado de Bihar, um dos mais populosos, onde é permitido que as mulheres tirem dois dias de licença por mês por "motivos biológicos".

A decisão da Zomato gerou um debate online, com algumas reclamações no Twitter de que as mulheres deveriam ter direito a 12 dias em vez de dez dias ao ano.

Outros discordaram da criação da licença, incluindo uma pessoa que disse que isso representava um "tratamento especial".

Outros alertaram que dar licença às mulheres por menstruação pode levá-las à discriminação de gênero no local de trabalho.

Esquemas semelhantes de licença já existem em várias províncias chinesas e em outros países da Ásia há anos. As mulheres no Japão têm licença menstrual concedida desde 1947.

Uma pesquisa lançada no ano passado com base em um estudo com 32.748 mulheres holandesas entre 15 e 45 anos de idade revelou que 81% disseram que foram menos produtivas como resultado de seus sintomas menstruais.

Os pesquisadores calcularam que, em média, as mulheres faltavam ao trabalho ou à escola 1,3 dia por ano devido ao período menstrual — e a perda de produtividade era equivalente a 8,9 dias por ano.

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