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Proibição de exibir anúncio de absorvente interno gera críticas na Irlanda

A propaganda mostra duas mulheres como se estivessem num programa de entrevistas, com a apresentadora explicando a importância de assegurar que o absorvente interno seja inserido corretamente - Reprodução/Youtube
A propaganda mostra duas mulheres como se estivessem num programa de entrevistas, com a apresentadora explicando a importância de assegurar que o absorvente interno seja inserido corretamente Imagem: Reprodução/Youtube

De Universa, em São Paulo

31/07/2020 08h33

A decisão de proibir a exibição de um anúncio de televisão de um absorvente interno na Irlanda foi criticada por diversas pessoas no país e chamada de "ridícula" e "desfavor".

No início do mês, a ASAI (Advertising Standards Authority for Ireland), autoridade que regula propagandas no país, publicou uma decisão sobre o anúncio do produto Tampax, após ter recebido 84 reclamações.

De acordo com o jornal britânico The Independent, o órgão afirmou que os reclamantes alegaram que o anúncio causou "ofensa geral", que era "humilhante para as mulheres", que incluía "insinuação sexual" e era "inadequado" para crianças que poderiam estar assistindo televisão.

A propaganda mostra duas mulheres como se estivessem num programa de entrevistas, com a apresentadora explicando a importância de assegurar que o absorvente interno seja inserido corretamente, para evitar desconforto, além de demonstrar como o aplicador dele funciona.

Acrescenta ainda que, se uma pessoa pode sentir o seu tampão, "pode significar que ele não está longe o suficiente". "Você precisa colocá-lo lá, meninas", adicionou.

Em sua decisão, a ASAI declarou que várias das reivindicações, incluindo a noção de que o anúncio é degradante para as mulheres, contêm insinuações sexuais e era inadequado para a televisão diurna, não foram acolhidas. O observador confirmou, no entanto, a alegação de que o anúncio causou "ofensa geral".

Em conclusão, o órgão disse que "a propaganda não deve ser executada no mesmo formato novamente".

Repercussão

Vários usuários do Twitter se mostraram decepcionados com a decisão. Um médico, segundo o jornal, expressou sua preocupação pelo fato de que a proibição do anúncio "reforça a ideia equivocada de que a menstruação é algo a não ser discutido".

"Ridículo que um anúncio de tampão que respondesse a lacunas no conhecimento fosse banido. Preocupada que apenas 84 conservadores tenham essa influência", escreveu uma usuária da rede social.

"Provavelmente o anúncio mais útil que eu já vi sobre produtos de menstruação. Que tal crescermos?", pontuou outra.

"Estou pensando muito sobre as 84 pessoas que tiveram tempo para reclamar com a ASAI sobre um anúncio de absorvente interno, em meio a uma pandemia global", disse uma mulher, em referência à pandemia do novo coronavírus.

Após a publicação da decisão da ASAI, a diretora-executiva da organização defendeu a decisão, dizendo que o número de reclamações "indicaria que (o anúncio) causou ofensa generalizada".

Ao programa Drivetime da RTÉ Radio One, Orla Toomey disse que nos últimos quatro anos e meio, "houve apenas sete anúncios que tiveram mais de 60 reclamações sobre eles".

"Não temos nenhuma objeção quanto à existência de anúncios do tipo educacional para qualquer produto. E certamente não para tampões. Mas é sobre como é feito, o conteúdo, o contexto e a maneira como é feito", argumentou.

"E, neste caso, até alguns de nossos queixosos foram positivos sobre o fato de haver uma mensagem educacional, mas não gostaram da maneira como a mensagem foi entregue. Eu acho que isso faz parte do problema", acrescentou.

Direitos da mulher