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Botânica francesa obrigada a se vestir de homem é homenageada pelo Google

27.jul.2020 - Google faz homenagem ao 280º aniversário de Jeanne Baret - Divulgação
27.jul.2020 - Google faz homenagem ao 280º aniversário de Jeanne Baret Imagem: Divulgação

De Universa, em São Paulo

27/07/2020 11h29

Uma mulher francesa, que hoje faria 280 anos, é a homenageada do Google em sua página de busca. Jeanne Baret, a primeira mulher a circum-navegar o globo, no século 18, foi botânica e muito aventureira: descobriu mais de 6.000 espécies de plantas em uma expedição.

Porém, como as mulheres eram proibidas, na época, de embarcar em alguns navios, Baret foi obrigada a se esconder em trajes masculinos para exercer seu ofício.

De acordo com o site El País, foi por meio dos pais, camponeses, que surgiu o interesse dela pelo universo das plantas. Companheira de um botânico do rei Luís 16, Commerson, foi ao lado dele que Baret viajou o mundo e ampliou seus conhecimentos.

Quando ele foi indicado para participar de uma expedição bancada pelo governo da França para buscar territórios desconhecidos, em 1766, Baret o acompanhou, mas vestida de homem, pois não teria sido autorizada a embarcar, já que mulheres não eram permitidas em navios da Marinha.

Baret passou a ser chamada de Jean e amarrava os seios com ataduras, embaixo de roupas bem largas, para ninguém saber que era uma mulher.

primavera - Arquivo pessoal/Evaldo Corrêa - Arquivo pessoal/Evaldo Corrêa
As flores da Primavera (Bougainvillea brasiliensis), descoberta por Jeanne Baret
Imagem: Arquivo pessoal/Evaldo Corrêa

A viagem teve escalas em lugares como Terra do Fogo, Taiti e Ilhas Maurício, onde a jovem Baret participou, ao lado de Commerson, da coleta de milhares de espécimes vegetais.

Em muitos momentos da viagem, Commerson teve problemas de saúde e foi Baret quem assumiu as funções de botânico-chefe. Ela fez algumas das coletas mais notáveis da expedição, embora o reconhecimento sempre tenha sido para o titular do posto.

Jeanne provavelmente merece o mérito da maior descoberta, a Bougainvillea brasiliensis, uma trepadeira com flores muito bonitas e de cores vibrantes, nativa da América do Sul, informa o El País.

Sua verdadeira identidade foi descoberta após dois anos de viagem, em 1768, mas seu trabalho na expedição já era tão significativo que ela não foi processada nem detida por ter mentido. Porém, foi obrigada, ao lado de Commerson, a deixar a expedição nas Ilhas Maurício, onde ele veio a falecer mais tarde.

Em 1774, Baret se casou com Jean Dubernat e completou a volta ao mundo em 1776, uma década após a partida da expedição.

Jeanne Baret chegou a Paris com uma coleção de mais de 6.000 espécies vegetais, e o próprio rei Luís 16 a parabenizou e lhe concedeu uma renda vitalícia pelo feito.

Doodle

A ilustração que mostra hoje Jeanne Baret em um navio, rodeada de flores da Bougainvillea brasiliensis — ou Primavera, um de seus nomes mais populares —, foi feita por Sophie Diao, de acordo com o site Dica App do Dia.

"Comecei reunindo referências que poderiam ser inspiradoras: mapas náuticos da década de 1760, amostras botânicas, ilustrações feitas anteriormente por Jeanne Baret", ela diz.

"Eu queria que o Doodle combinasse seu lado botânico com seu lado aventureiro. Ser a primeira mulher a circum-navegar o globo não é pouca coisa", afirma.

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