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Juliana Lohmann diz que revelou estupro para incentivar outras denúncias

A atriz Juliana Lohmann foi vítima de estupro aos 18 anos e viveu um relacionamento abusivo depois - Reprodução/Instagram @julohmann
A atriz Juliana Lohmann foi vítima de estupro aos 18 anos e viveu um relacionamento abusivo depois Imagem: Reprodução/Instagram @julohmann

De Universa, em São Paulo

24/07/2020 09h40

Juliana Lohmann, de 30 anos, afirmou que revelou o estupro que sofreu aos 18 anos motivada pelo desejo de inspirar outras mulheres a denunciar seus casos. Em entrevista à Celina, do Globo, a estrela de "Joia Rara" e "I Love Paraisópolis" defendeu a importância de se falar sobre isso para que outras vítimas possam identificar o que viveram.

"Expus meu relato no intuito de que outras mulheres possam identificar situações de abuso mais rápido e, assim, denunciar o quanto antes", explicou. "Quanto mais a gente falar sobre esse assunto mais vamos perceber que o abusador pode ser aquele seu amigo, ou aquele cara super família, com imagem de bom moço, ou até algum parente", afirmou.

Para Juliana, as vítimas de casos como o dela podem demorar muito tempo para conseguir denunciar — e até mesmo entender que foi vítima de um crime. "Tudo no na nossa sociedade patriarcal é feito pra mulher duvidar de si mesma. Somos sempre as loucas, as que estão de TPM, as que só querem atenção porque estão carentes, taxadas de histéricas", disse.

"Se eu tivesse denunciado quando podia, talvez essas outras parceiras do mesmo abusador não tivessem sofrido o que sofreram. Entendi que não adiantava ser a favor dos direitos das mulheres só no discurso, era preciso agir", afirmou.

"E, até quando a mulher tem certeza e se posiciona, duvidam da sua palavra, questionam seu comportamento, sua roupa, ratificam qualquer argumento que continue validando a cultura do estupro. Naturalizamos assédios, abusos e comportamentos que reproduzem a cultura machista e alimentam uma masculinidade extremamente violenta e que mata milhares de mulheres cotidianamente", declarou.

"Eu tinha acabado de completar 18 anos quando fui abusada sexualmente, tinha me mudado para o Rio de Janeiro e estava entendendo como me posicionar profissionalmente sem minha mãe. Não sabia o que era feminismo, relação de poder, estrutura patriarcal", contou ao Globo.

Caso de Juliana

Na semana passada, Juliana revelou que foi vítima de estupro de um diretor de cinema quando tinha 18 anos. Somente hoje, aos 30, ela consegue entender que não foi culpada pelo crime. Em depoimento à revista Claudia, ela conta que o agressor foi "um famoso" do cinema, que a convidou para fazer teste para um novo filme.

"Ele me ligou e me chamou diretamente. Era em São Paulo e eu sou do Rio de Janeiro. Perguntei se podia levar minha mãe. Não, ele não poderia pagar mais uma passagem. Pediu desculpas. Fui mesmo assim. Era a primeira vez que viajava sozinha, me senti uma desbravadora de novos horizontes", lembra.

Relacionamento abusivo

A atriz contou ainda que viveu um relacionamento abusivo depois do caso de estupro e demorou bastante tempo para entender a situação em que se encontrava. "Vivi a angústia que toda mulher vive quando está sob violência doméstica e manipulação psicológica", relatou.

"Transitava entre ter medo de morrer, ter medo de contar para alguém, me sentir culpada, aceitar as desculpas dele e acreditar que ele ia mudar, até outro episódio de violência acontecer de novo", disse. "Mesmo quando entendi um pouco melhor os absurdos que tinha vivido, tentava silenciar tais memórias".

Foi o feminismo que ajudou Juliana a perceber a gravidade das coisas que ela tinha vivido. "Quando soube que outras namoradas do homem que me relacionei também tinham sofrido abusos, tudo fez sentido. A culpa definitivamente não era minha", afirmou. "Por isso é tão importante ouvirmos as mulheres e validarmos seus discursos."

Violência contra a mulher