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'É um desafio fazer oposição não violenta', diz filósofa Judith Butler

A filósofa e professora americana Judith Butler - Target Presse Agentur Gmbh/Getty Images
A filósofa e professora americana Judith Butler Imagem: Target Presse Agentur Gmbh/Getty Images

De Universa, em São Paulo

08/06/2020 11h02Atualizada em 08/06/2020 16h30

A filósofa norte-americana Judith Butler, uma das pensadoras feministas mais importantes do mundo contemporâneo, acredita que a pandemia do novo coronavírus pode levar a "uma crítica mais vigorosa do capitalismo", ao mesmo tempo em que vai mostrar como são tratados os mais vulneráveis nesse sistema econômico.

Em entrevista à Marie Claire, ela defendeu que a única forma de combater regimes autoritários de poder é fazer "oposição não violenta".

Muito conhecida por sua ênfase na teoria queer e da identidade de gênero, Butler terá seu novo livro lançado no Brasil pela editora Boitempo no segundo semestre. Em "A Força da Não Violência", a autora afirma que "há formas que podem desmantelar o poder do Estado, por exemplo, de modo destrutivo no bom sentido e não violento".

"Acredito que o movimento feminista e o movimento antirracista têm desenvolvido alguns dos mais importantes modelos para o ativismo cooperativo. Eles devem ser o guia para o restante de nós", ela diz na entrevista.

"É sempre um desafio fazer uma oposição não violenta a um poder autoritário, e na maioria das vezes as pessoas confiam nas forças armadas para realizar um golpe. Mas essa é, como sabemos, uma opção muito perigosa. A única outra maneira é desenvolver laços fortes entre trabalhadores, sindicatos, mulheres, movimentos sociais, pobres, pessoas queer e trans, minorias raciais, indígenas e grupos comunitários", ela afirma.

Sobre a pandemia de covid-19, a filósofa acredita que "a especulação capitalista e o nacionalismo podem se intensificar".

"Assim que tivermos um tratamento antiviral ou uma vacina, veremos nações sendo 'donas' e tirando proveito dessas descobertas, negando acesso àqueles que não são seus cidadãos. Veremos ainda se os mais vulneráveis serão tratados primeiro ou se serão considerados dispensáveis. O vírus mostrou as desigualdades estruturais."

"Temos de empreender uma grande luta para estabelecer equidade social e econômica, garantindo saúde para todos, pois, sem esses ideais sociais, o vírus fará um estrago ainda maior. Posso ver o futuro nesses dois sentidos. Talvez a luta pela igualdade radical se intensifique."

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