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Sim, eu aceito: nº de casamentos desaba, mas cerimônia online garante união

Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

Carlos Madeiro

Colaboração para Universa

25/04/2020 04h00

O isolamento social provocado pela pandemia de coronavírus fez o número de casamentos alcançar o menor patamar no país em pelo menos cinco anos —2015 foi quando o portal da Transparência da Arpen Brasil (Associação dos Registradores de Pessoas Naturais) começou a divulgar os dados.

Em março, o país testemunhou 49.160 registros de casamento. Até então, o menor número de uniões tinha sido registrado em fevereiro de 2015, quando foram emitidas 53.783 certidões de casamento. Os dados estão disponíveis a partir de janeiro de 2015.

Você, noivo ou noiva do Brasil, terá de adiar a festa, mas não precisa adiar a celebração. Ao menos na parte civil, a a tecnologia vai dar uma forcinha para garantir que os casamentos sejam realizados em meio à pandemia da Covid-19.
O Conselho Nacional de Justiça autorizou que as cerimônias por videoconferência.

A regulamentação desses casamentos durante a pandemia —assim como de todos os serviços prestados por cartórios— seguem as diretrizes do provimento 95, de 1º de abril. "A norma prevê que atos registrais e notariais devem ser realizados, se possível, de forma eletrônica", informou o CNJ a Universa, ressalvando que a medida não menciona especificamente os casamentos.

Desmarcando às pressas

O casal pernambucano Marcelo Siqueira de Araújo, 40, e Denise Coutinho Guimarães, 37, foi dos primeiros a experimentar essa experiência virtual no país, antes mesmo de muitos outros estados entrarem em isolamento social.

Casamento realizado pela internet em cerimônia online - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal
"A festa seria no salão do edifício de minha irmã, para aproximadamente 60 pessoas, no dia 18 de março. No entanto, no dia anterior, Recife já tinha o início das intervenções, e uma das medidas era impedir aglomeração de pessoas", conta a recém-casada Denise.

Como as medidas permitiam reunião de até 50 pessoas, o casal primeiro correu para "desconvidar" os convidados do grupo de risco ou que precisariam viajar para a festa. "Mas não demorou muito para recebemos a notícia de que qualquer tipo de aglomeração estava proibida, e desmarcamos com os convidados e cancelamos os preparativos do jantar", lembra.

O que ela ainda não imaginava é que nem mesmo o fórum poderia recebê-los para a cerimônia civil. "Às 16h [do dia 17 de março] soubemos que o fórum estaria fechado também. Então soubemos que juiz faria o casamento a distância -só que teria que ser dali a poucos minutos. Fomos com a roupa que vestíamos: sandálias e bermuda. Quando chegamos, o pessoal do cartório perguntou se aceitaríamos casar virtualmente, olhamos um para outro e dissemos 'sim'", conta.

Apesar da forma inesperada, a cerimônia marcou a felicidade do casal. "Mesmo a cerimônia sendo virtual, realizamos nosso desejo. E foi muito divertida essa situação, bem diferente", diz Denise.

O jantar de casamento ocorreu, mas só com os pais e irmãos. "Cancelamos o que podíamos e ficamos com crédito para ser usado dentro de um ano. O que já estava pronto, pegamos, como foi o caso de bolo, doces e flores", conta Denise. "Decoramos a sala da minha irmã e fizemos nossa comemoração com a família. Mesmo diante de toda a mudança, estávamos muito felizes e com as pessoas que amamos."

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