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"Acho que minha filha adolescente já está transando. O que fazer?"

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Imagem: iStock

23/03/2020 04h00

"Desconfio que minha filha de 15 anos esteja transando com o namorado. Devo falar com ela, ou seria uma invasão de privacidade? Como ter certeza de que ela não está correndo riscos?"

Segundo a sexóloga Ana Canosa, psicóloga, educadora sexual e apresentadora do podcast Sexoterapia, a questão não tem nada a ver com privacidade. Ainda que o constrangimento seja inevitável, os pais devem perguntar e conversar com os adolescentes sobre sexo, para passar informações importantes e orientá-los sobre gravidez, prevenção de doenças, consentimento e mesmo sobre prazer.

Por que o adolescente não pode transar?

Ana explica ainda que a sexualidade dos filhos é um tema que envolve componentes sentimentais, o que torna sua abordagem ainda mais difícil. "Para os pais é um baque ver os filhos começando a namorar ou transar, poi é quase como perdê-los, aquela sensação de que não são mais nossos bebês", afirma. Outra dificuldade em admitir o início da vida sexual dos filhos é a tendência à proteção, por saber que eles vão passar por dificuldades que os pais já passaram: o medo de acertar e a insegurança em relação ao desempenho, no caso dos meninos, e com as meninas a preocupação de que o parceiro será alguém que irá cuidar dela, não irá magoá-la. Ela adverte, no entanto, que é muito importante sempre se questionar sobre o porquê deveriam privar os adolescentes de fazer sexo. "Porque vai engravidar? Então usa método contraceptivo. Porque é complexo? A vida é complexa, preciso de outra razão. Porque tem que casar virgem? Ok, aí é uma questão de valor religioso, respeito, está tudo bem. Se não é uma questão ideológica, por que não pode fazer sexo, se sexo é gostoso e dá prazer?", questiona.

Informação para as juventudes, no plural

A professora Roberta Gomide lembra ainda que o adolescente que está bem informado sobre sexualidade tem mais ferramentas para se precaver de abuso, tanto físico quanto emocional. Para que isso aconteça, portanto, os pais devem falar sobre o assunto com os filhos. "Os jovens precisam saber que têm de cuidar do corpo, que existem doenças sexualmente transmissíveis e como evitá-las", completa.


Em relação a abordar o assunto sob a ótica da prevenção da gravidez, embora essa seja uma questão muito importante para uma parcela da população, Ana lembra que para muitas meninas da periferia, ter filho é a salvação da vida. "Essas adolescentes moram em situações de muita privação, e engravidam para sair de casa, pois estão vivendo situações de violência, porque não têm onde dormir, etc. Nesses contextos, engravidar é ter alguma coisa, ter filho é quase um empoderamento", explica.

Ela cita uma estatística segunda a qual 70% dos jovens que não estudam nem trabalham são meninas, e dessas 58% já são mães. "Eu vou dizer o que para esse contexto de realidade do brasileiro? Quando trabalhamos com educação e sexualidade, temos de olhar as adolescências, as juventudes no plural", conclui. Por esse motivo, Ana diz que falar sobre abstinência, que cada um tem seu tempo, não é a melhor abordagem. "Lembrando que falar sobre sexo envolve a conversa sobre prazer. Não adianta falar só de doença e gravidez, pois o adolescente não se conecta com isso.Ele esta cheio de hormônios pensando em sexo".


Boxe: Ajudinha extra

Educadores sexuais falam sobre o tema com adolescentes e com seus pais no Youtube

Para os adolescentes: em linguagem acessível e descontraída, a professora de biologia fala diretamente com adolescentes em seu canal "Hoje é dia D". Transformações do corpo, perda da virgindade, uso de camisinha e outros temas de interesse dos jovens são tratados em seus vídeos no Youtube https://www.youtube.com/watch?v=ZUFj7NvvIj8

Para os pais: a professora sexual Lena Vilela ajuda pais e professores a falar sobre sexo com adolescentes em seu canal no Youtube. Entre as dicas, como abordar questões como gravidez, doenças, violência sexual, etc.
https://www.youtube.com/channel/UCTt80sS1QwVMUo0aN3n6LuA/videos

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