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"Acho que minha filha adolescente já está transando. O que fazer?"

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Imagem: iStock

de Universa

23/03/2020 04h00Atualizada em 11/05/2020 10h37

"Desconfio que minha filha de 15 anos esteja transando com o namorado. Devo falar com ela, ou seria uma invasão de privacidade? Como ter certeza de que ela não está correndo riscos?"

Segundo a sexóloga Ana Canosa, psicóloga, educadora sexual e apresentadora do podcast Sexoterapia, a questão não tem nada a ver com privacidade. Ainda que o constrangimento seja inevitável, os pais devem perguntar e conversar com os adolescentes sobre sexo, para passar informações importantes e orientá-los sobre gravidez, prevenção de doenças, consentimento e mesmo sobre prazer.

Por que o adolescente não pode transar?

Ana explica ainda que a sexualidade dos filhos é um tema que envolve componentes sentimentais, o que torna sua abordagem ainda mais difícil. "Para os pais é um baque ver os filhos começando a namorar ou transar, pois é quase como perdê-los, aquela sensação de que não são mais nossos bebês", afirma. Além disso, os pais tendem a querer proteger os filhos, por saber que eles vão passar por dificuldades que os pais já passaram.

Ela adverte, no entanto, que é muito importante sempre se questionar sobre o porquê deveriam privar os adolescentes de fazer sexo. "Se é por medo de a garota engravidar, usa método contraceptivo. Será que é por achar o tema muito complexo? A vida é complexa, não justifica. Você acredita que eles devam casar virgens? Ok, nesse caso, é por uma questão de valor religioso. Se não é uma questão ideológica, por que não pode fazer sexo, se sexo é gostoso e dá prazer?"

Informação para as juventudes, no plural

A professora do ensino fundamental Roberta Gomide lembra ainda que o adolescente que está bem informado sobre sexualidade tem mais ferramentas para se precaver de abuso, tanto físico quanto emocional. Para que isso aconteça, portanto, os pais devem falar sobre o assunto com os filhos. "Os jovens precisam saber que têm de cuidar do corpo, que existem doenças sexualmente transmissíveis e como evitá-las", completa.

No Brasil, 70% dos jovens que não estudam nem trabalham são meninas, e, dessas, 58% já são mães. "Quando trabalhamos com educação e sexualidade, temos de olhar as adolescências, as juventudes no plural", diz Ana. "Falar sobre abstinência, que cada um tem seu tempo, não é a melhor abordagem. Falar sobre sexo envolve a conversa sobre prazer. Não adianta falar só de doença e gravidez, pois o adolescente não se conecta com isso. Ele está cheio de hormônios pensando em sexo."

Ajuda extra nas redes

Para os adolescentes

Em linguagem acessível e descontraída, a professora de biologia fala diretamente com adolescentes em seu canal "Hoje é dia D". Transformações do corpo, perda da virgindade, uso de camisinha e outros temas de interesse dos jovens são tratados em seus vídeos no Youtube.

Para os pais

A professora sexual Lena Vilela ajuda pais e professores a falar sobre sexo com adolescentes em seu canal no Youtube. Entre as dicas, como abordar questões como gravidez, doenças e violência sexual.

Acompanhe o Sexoterapia

Educação sexual é o tema do décimo quarto episódio do podcast Sexoterapia, um espaço criado por Universa para falar de sexo e relacionamento. Nesse episódio, as apresentadoras Marina Bessa, editora chefe de Universa, e Ana Canosa, sexóloga, recebem Roberta Gomide, professora do ensino fundamental 2 da Escola Bakhita, de São Paulo.

Sexoterapia está disponível no UOL, no Youtube de Universa e nas plataformas de podcasts, como Spotify, Apple Podcasts, no Castbox e Google Podcasts.

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