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Automassagem: ela melhora a autoestima, aceitação e o prazer no sexo

Automassagem: será que melhora sua vida sexual? - iStock
Automassagem: será que melhora sua vida sexual? Imagem: iStock

Christiane Ferreira

Colaboração para Universa

29/01/2020 04h00

A masturbação pode ser muito saudável se for realizada de forma consciente, percebendo suas necessidades e sensibilidade. Mas esqueça os movimentos repetitivos concentrados apenas nos genitais, com o único objetivo de saciar a fome sexual. Segundo a terapeuta tântrica do Mundo Tantra, Bia Neppel, também coach de relacionamento e sexualidade, ao tocar seu próprio corpo com amor é possível perceber as necessidades e principalmente os bloqueios que dificultam o prazer.

Para a reeducadora sexual Camilla Pires, do @curadelas, homens e mulheres não foram ensinados que o corpo tem uma potência orgástica que vai muito além das partes íntimas. "Não é só estimular, gozar e pronto. Depois vem a culpa e uma sensação muito ruim."

É por meio do autoconhecimento que o diálogo com o parceiro ocorre de forma mais segura, consequentemente trazendo mais prazer. "Quanto mais nos sentimos livres para expandir a nossa capacidade orgástica, mais seguros e plenos ficamos. Crescemos com a ideia que o prazer e orgasmo estão associados aos genitais e com isso vamos limitando a nossa capacidade de sentir, nos contentando apenas com aqueles segundinhos de prazer ao atingir o clímax", afirma Bia Neppel.

Na prática tântrica, por exemplo, embora cada região seja mais sensível que a outra, todo o corpo deve ser estimulado por meio da automassagem, sempre com um creme ou óleo. Comece explorando os seios, peito, ventre, barriga e coxas, seguindo pelo restante da área corporal. O ritual pode ser feito durante o banho, quando o relaxamento é maior.

A área dos seios é bastante importante durante o processo de toque. É dentro do peito que as emoções estão guardadas. "Os seios funcionam como um portal, à medida que a pessoa se massageia é possível ressignificar dores e traumas, sentindo-se mais amorosa e aceitando a si mesma. Sugiro praticar dez minutos por dia na frente do espelho. Faça movimentos circulares de baixo para cima, envolva os seios e mamilos. Nesse momento é possível que venham memórias de relações passadas; se permita chorar se precisar", comenta Camilla Pires.

Com as pontas dos dedos, que Camilla diz que funcionam como antenas, desça pelo restante do corpo, cintura, nádegas, zonas erógenas, como uma reconexão com a sua sensibilidade. Passe pelas zonas erógenas, cada mulher tem a sua. Passe os dedos pela vulva, sinta como ela é. Observe-se, acaricie-se e deixe se reconectar consigo mesma. "A ideia da automassagem é sentir o corpo inteiro, às vezes quando perceber que for chegar ao orgasmo, segure e leve essa excitação contida pro seu dia."

Reter a energia do orgasmo é prática comum no tantra, bastante indicada para homens que não aprenderam a 'segurar' e foram ensinados desde crianças a se masturbar ou fazer sexo com a finalidade de ejacular. "O ato ejaculatório muitas vezes é confundido com o orgasmo, há sim a sensação prazerosa de alívio ao liberar o esperma, mas o clímax é muito mais amplo e intenso. Por isso ensinamos os homens a experimentar segurar mais e perceber como o auge do prazer pode ser muito maior. Para alguns casais, sugerimos que façam sexo e se estimulem muito, porém o homem deve segurar a ejaculação, podendo liberá-la apenas no terceiro dia para que ele possa perceber a diferença em seu corpo ao acumular energia", afirma Bia Neppel.

Ao tirar a atenção da ejaculação, o parceiro automaticamente terá de inventar formas para estimular e dar prazer a sua parceira e para si mesmo. Aliado aos estímulos, a respiração mais lenta também contribui para reter a energia.

Na hora de seguir um 'voo solo', a respiração é a chave de tudo. Ao fazê-la de forma consciente é mais fácil dissolver as emoções e as armadilhas da mente que impedem de estar no presente. A sensibilidade cresce e torna-se possível ampliar as sensações orgásticas. Fazer inspirações mais lentas pelo nariz e expirar o ar pela boca, dando mais ênfase na expiração, como se fosse jogar fora o que não serve mais, liberando espaço para o novo e para a energia vital. No momento da automassagem vale criar um clima favorável e confortável, com incensos, velas e música.

Em busca do prazer perdido

Aliada a uma ajuda especializada, como a terapia tântrica ou terapia sexual, a automassagem ajuda a liberar traumas e bloqueios reprimidos desde a infância, melhorando o prazer como um todo.

A estudante de massoterapia Camila de Souza Minharro, 30 anos, foi em busca de autoconhecimento em um momento difícil de sua vida, quando teve um relacionamento difícil de superar, há três anos. Passou a olhar para dentro de si, praticou meditação e foi em busca de se conhecer melhor.
Ela fez uma mentoria de nove encontros, em que pôde se deparar com traumas e bloqueios reprimidos, que aos poucos foram liberados por meio da automassagem.

"Eu senti uma conexão amorosa comigo mesma. Percebi que não tocava meu corpo com carinho, mas de uma forma mecânica. Não tinha sensibilidade nenhuma nos seios, por exemplo. Sei que há muitos bloqueios para serem quebrados, principalmente memórias da infância, questões de relacionamentos anteriores, que viraram uma bola de neve. Sempre aprendi que a mulher deveria agradar ao homem, que seu prazer estava em segundo plano. Tinha baixa autoestima, achava que tinha que ter o corpo perfeito, estar depilada para satisfazer meu parceiro. Veja que quando a gente se enxerga diferente, o outro passa a ter outro olhar", afirma a estudante.

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