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Danilo depende de Thelma em Amor de Mãe: o que fazer com parceiro assim?

Danilo não quer ser independente - João Cotta/Globo
Danilo não quer ser independente Imagem: João Cotta/Globo

Heloísa Noronha

Colaboração para Universa

21/12/2019 04h00

Para desgosto da ex-namorada, Amanda (Camila Márdila), Danilo (Chay Suede) é totalmente dependente de Thelma (Adriana Esteves) na novela global das 21h. A mãe faz absolutamente tudo para o rapaz, como cuidar de suas roupas e tratá-lo de uma maneira controladora e infantilizada.

Para piorar a situação, os dois trabalham juntos no restaurante da família — o que só reforça a dependência. Cansada de tanta falta de pulso, imaturidade e dificuldade de exercitar a autonomia do par, Amanda tomou uma decisão drástica e botou um ponto final no relacionamento — mesmo porque, o romance também era alvo de intromissões e pitacos da sogra.

Num cenário em que os jovens vêm adiando cada vez mais a hora de sair de casa, não é raro se deparar com alguns homens com o perfil de Danilo de "Amor de Mãe" por aí. E fica a dúvida: vale a pena insistir numa relação com um sujeito tão dependente da mãe? Quais as chances de isso dar certo?

Para a psicóloga Raquel Fernandes Marques, da Clínica Anime, de São Paulo (SP), um dos riscos de levar adiante o envolvimento com um homem na vida real assim está no fato dele exigir da namorada (ou futura mulher) o mesmo tratamento que recebe da mãe. "Como ele não reconhece sua dependência e acha normal viver como adolescente, tende a projetar na parceira a função materna", avisa. Outras mulheres acabam cedendo.

A observação da relação do par com a mãe é fundamental para estabelecer um parecer - e definir os rumos do romance. Segundo Denise Figueiredo, psicóloga e sócia-diretora do Instituto do Casal, em São Paulo (SP), se as atitudes da mãe atrapalham a forma como a pessoa leva a vida, isso já é um sinal e tanto.

"O amor e a proteção são adequados quando fluem de uma maneira que não interfere na escolha e na rotina do filho. Aqui no Instituto do Casal, observamos alguns casos que servem de alerta. Muitas mães se intrometem na vida dos filhos, em suas rotinas, suas escolhas e na forma como levam a vida a dois. O casal acaba sentindo esse exagero de forma muito clara, porém fica com receio de resolver por se tratar de uma mãe. Afinal, é o laço afetivo mais forte de qualquer indivíduo", comenta Denise.

Na opinião do psicoterapeuta e terapeuta de casal Luciano Passianotto, de São Paulo (SP), o que fazer depende muito do nível de consciência que o parceiro tem da relação com a mãe. "Existem três categorias. A primeira inclui aqueles que não têm noção alguma do quão doente é essa relação. Esse é o pior caso, já que a parceira vai precisar pontuar os prejuízos que ela causa para tentar torná-lo mais consciente. Na segunda, temos os que percebem a toxicidade do relacionamento, mas temem qualquer mudança. A namorada deve mostrar opções, tranquilizá-lo e encorajá-lo a mudar seu jeito de interagir com mãe. Na terceira estão os sujeitos que têm consciência e sabem que precisam mudar, mas não conseguem. Aqui é preciso incentivar a mudança de abordagem e estratégias para lidar com a questão", explica o especialista.

É fácil ficar com raiva do outro por defeitos e problemas tão visíveis, mas conhecer profundamente a cultura familiar do par desde a infância pode trazer mais compreensão para o casal. "É importante que ambos conversem sobre isso e troquem informações sobre a infância de cada um, como foi a educação, quais as alegrias e tristezas de cada época e antes de se conhecerem. Esses dados ajudam a ter um entendimento maior do porquê algumas coisas são como são", diz a psicóloga.

Quando insistir e quando desistir?

De acordo com Ellen Moraes Senra, psicóloga especialista em terapia cognitivo-comportamental, do Rio de Janeiro (RJ), se o incômodo surge é importante avisar ao parceiro que da forma que está não dá para continuar, pelo próprio bem dele. "Mostre o que ele tem a ganhar caso opte pela mudança de comportamento. Explique que não se trata de romper laços, mas sim de assumir escolhas e atitudes", pontua. E ressalta: "Evite competir com a mãe dele ou contrariá-la na frente dele. Bater de frente com ela só vai fazer com que já comece a batalha perdendo. Mantenha uma postura amistosa e vá modificando o que for possível modificar aos poucos. Tenha paciência", sugere.

O relacionamento não tem que ser um fardo, lembra Raquel. "Ninguém se relaciona para ser infeliz, mas é preciso lembrar que a felicidade é uma construção diária e que nossa decisão de não se irritar, amar acima dos defeitos e passar por cima do orgulho faz toda a diferença", diz. Portanto, se há amor e desejo de fazer dar certo, é preciso ajudar o par a estabelecer limites — o dependente precisa entender que tudo isso acontece porque ele permite.

A melhor estratégia depende muito da personalidade dos envolvidos e do quão importante é a relação. "A tática de evitar conflitos e 'comer pelas beiradas' torna a relação com a sogra mais civilizada, mas costuma ser ineficiente, pois tem um teor permissivo com situações mal resolvidas e conduz pouco incentivo às mudanças. Porém, o confronto direto tem um preço alto. Torna a relação bastante caótica, põe muita pressão para mudanças e provoca desgaste. Um extremo é a opção 'ou eu ou ela', que pode levar ao fim do relacionamento ou mudar a forma com que o filho se relaciona com a mãe", explica o terapeuta Luciano.

Instintivamente as pessoas tentam adivinhar de quem o parceiro gosta mais para avaliar se a relação vai funcionar ou não, mas se esquecem que o dependente vai sempre tentar equilibrar as coisas para ficar com ambas, sempre gerenciando os conflitos que, caso ele não mude, sempre existirão. Para saber se a relação pode dar certo, deve-se notar se os comportamentos visam mudança efetiva da situação.

Em alguns casos, porém, a dependência da mãe paira sobre a relação como um terceiro elemento, tornando a convivência do casal insustentável. Portanto, num nível estressante além do suportável é sinônimo de sabedoria entender que a situação não tem jeito e é melhor cair fora. Um exemplo é quando o parceiro fala que vai mudar, mas não há nenhum sinal visível de evolução.

"Às vezes o homem é tão apegado à mãe que prefere ficar brigado com a namorada do que ver a mãe contrariada e magoada. Com esse tipo de atitude, acaba se mostrando muito imaturo ainda para assumir uma casa e uma família. Se realmente não está dando para conviver com isso e o amor não está suportando mais, chegou a hora de cair fora. Um casal precisa ser cúmplice um do outro e tomar decisões juntos, o que é impossível diante de tal quadro", afirma Raquel. "Viver em queda de braço com a mãe do parceiro não é vida para ninguém. Além do mais, esse tipo de relação é toxica e poucas vezes tem espaço para outro tipo de relacionamento, o que a faria ser uma coadjuvante na sua própria relação", declara Ellen.

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