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RS: Venezuelana morre atingida por líquido corrosivo; ex queria dar "susto"

Imagem da casa onde morava a venezuelana Ariana Victoria Godoy Figuera - Divulgação/IGP
Imagem da casa onde morava a venezuelana Ariana Victoria Godoy Figuera Imagem: Divulgação/IGP

Hygino Vasconcellos

Colaboração para Universa, em Porto Alegre

13/12/2019 21h07

Uma venezuelana de 24 anos morreu hoje após ser atingida por um líquido corrosivo, em Caxias do Sul (RS), a 131 km de Porto Alegre. Ariana Victoria Godoy Figuera chegou a ser levada para atendimento médico, mas não resistiu aos ferimentos e morreu pouco antes das 7h.

Segundo a delegada Carla Zanetti, responsável pela investigação, a causa da morte foi asfixia em função das queimaduras provocadas pela substância. O ex-companheiro dela, suspeito do crime, se entregou à polícia.

A estrangeira chegava a sua casa por volta das 22h30 quando foi chamada no portão pelo ex.

"No momento que a vítima olhou, esta pessoa teria jogado um líquido no rosto de Ariana, que começou a gritar de dor e pedir ajuda", segundo a ocorrência policial.

A mãe da vítima correu até o portão e acionou o Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu), mas, devido à demora, chamou um carro por aplicativo e foi até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da zona norte. Devido à gravidade dos ferimentos, Ariana foi transferida para o Hospital Pompeia. Segundo a casa de saúde, a venezuelana deu entrada às 2h15 e o óbito foi registrado poucas horas depois.

"Susto" sem intenção de matar

O ex-companheiro disse à polícia que "queria dar um susto" em Adriana, mas que não tinha intenção de atingi-la com a substância. Afirmou ainda que estava com um pote na mão e que o líquido acabou espirrando nela.

O homem, que não teve a identificação revelada pela polícia, disse desconhecer qual era o tipo de substância que ele carregava, mas afirmou que era "forte" e utilizada em poda de árvores, como secante de plantas.

Investigadores da Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (Deam) conseguiram na justiça mandado de busca e apreensão na casa dele para localizar o pote e outros objetos considerados indícios do crime.

Peritos criminais estão analisando uma bolsa e as roupas da jovem para identificar a substância. O material foi recolhido pelo Posto de Criminalística de Caxias do Sul e encaminhado para o Departamento de Perícias Laboratoriais do Instituto Geral de Perícias (IGP) em Porto Alegre. Não há prazo para o resultado ser divulgado. Além da análise das peças, os servidores fizeram a perícia no local do crime.

O homem, que é brasileiro, disse que estava com a venezuelana havia menos de um ano. Os dois se conheceram em Roraima e o relacionamento terminou em janeiro deste ano. Com medo dele, a mulher decidiu se mudar para o Sul do país, onde vivia um irmão dela. Segundo a delegada Tatiana Bastos, coordenadora das 22 Delegacias Especializadas no Atendimento à Mulher do Rio Grande do Sul, ela não tinha medidas protetivas contra o ex.

Ariana deixa dois filhos - uma menina de 1 ano e um menino de 4 -, nenhum deles do relacionamento com o ex.

A polícia já conseguiu a prisão preventiva do homem, que ainda não tem advogado constituído.

Violência contra a mulher