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Tenho o hábito de me masturbar. Isso pode atrapalhar o sexo com meu marido?

de Universa

11/12/2019 04h00

Depende. Se a sua vida sexual anda boa, se você tem desejo e é feliz na cama com o seu parceiro, não tem por que se preocupar. "Agora, se você anda sem libido, muito cansada, sem desejo pelo seu companheiro, descarregar a tensão sexual na masturbação pode fazer com que falte energia sexual para ir atrás do outro", explica Ana Canosa, sexóloga e apresentadora do podcast Sexoterapia.

A masturbação, no entanto, é um hábito saudável e natural para todas as mulheres —não só as solteiras. "Masturbação é um instrumento de autoconhecimento. É o capítulo 1 da nossa sexualidade. Ela é fundamental para que a gente entenda nossos limites, nossos desejos, o que gosta e o que não gosta", diz Mariana Stock, fundadora da Casa Prazerela.

Mas é normal me masturbar mesmo sendo casada?

O conceito de masturbação como substituição —se masturbar por não ter um parceiro— é um equívoco. "A masturbação é, na verdade, uma prática complementar", diz Ana. "É possível, e extremamente normal, ter um parceiro ou parceira sexual, estar muito feliz e realizada sexualmente com ele e, ainda assim, usufruir da masturbação."

Isso porque as duas práticas sexuais são muito diferentes. Em uma relação sexual existe outra pessoa. Há troca, afetividades, são outros os tipos de satisfações, papeis e descobertas em jogo. A masturbação, por outro lado, é algo que você faz por você, para satisfazer as suas necessidades apenas, sem ter que se preocupar com o outro.

O meu parceiro não aceita que eu me masturbe

É comum que os homens não saibam lidar com a informação de que suas parceiras se masturbem — e tenham prazer — sem eles. Historicamente, a prática da masturbação feminina foi muito mais reprimida do que a masculina. Só no final do século 19 começou-se a entender que a masturbação não provocava doenças, que era algo natural.

"Mas aí os papeis sociais e a dupla moral sexual já tinham sido estabelecidos", diz Ana. "As mulheres estavam restritas ao espaço privado, tinham que se casar virgens, tinham que ter um status passivo e não podiam ser donas da sua sexualidade —sexo por prazer era uma coisa do homem", explica Ana. Nesse contexto, a masturbação feminina passou a ser vista como algo muito estranho, já que entendia-se a mulher como um ser sem desejo, para quem o sexo tinha uma finalidade meramente reprodutiva. E essa crença resiste até hoje.

Alguns homens têm dificuldade, até mesmo, de aceitar que sua parceira se masturbe com ele, durante uma relação sexual. "As razões vão além do ciúme, tem a ver com a masculinidade frágil. Os homens são muito vulneráveis, concentram o seu poder na sua varinha mágica. Quando as mulheres ganham repertório e ampliam suas possibilidades de ter prazer, coloca o poder do homem em risco", diz Mariana.

Uma bobagem. Porque, na medida em que a mulher descobre as potencialidades do seu corpo, todo mundo ganha. "Quando os homens se derem conta de que todo mundo pode gozar mais e melhor e que a masturbação só faz esse encontro ficar mais potente, eles também se sentirão mais seguros e fortalecidos", diz Mariana.

Acompanhe o Sexoterapia

Masturbação é o tema do sexto episódio do podcast Sexoterapia, um espaço criado por Universa para falar de sexo e relacionamento.

Nesse episódio, as apresentadoras Marina Bessa, editora chefe de Universa, e Ana Canosa, sexóloga, recebem Mariana Stock, terapeuta orgástica e fundadora da Casa Prazela.

A primeira temporada do podcast Sexoterapia tem oito episódios. O programa estará disponível no UOL, no Youtube de Universa e nas plataformas de podcasts, como Spotify, Apple Podcasts, no Castbox e Google Podcasts.

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