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Curto demais em 2019? Comprimento de vestido vira questão na moda francesa

Desfile Saint Laurent: um blazer e nada mais - Xinhua/Piero Biasion
Desfile Saint Laurent: um blazer e nada mais Imagem: Xinhua/Piero Biasion

Elisa Duarte

Colaboração para Universa

01/10/2019 18h58

Conhecido por suas criações que questionam os valores da moda, o estilista Demna Gvasalia, diretor artístico da Balenciaga, criou um vestido engana-mamãe. Em seu primeiro desfile para a maison francesa, a modelo Bella Hadid foi a responsável em mostrar a peça da coleção Primavera-Verão 2020, apresentada na Semana de Moda de Paris, no domingo (29).

Na parte da frente, o modelo é ombro a ombro, mas a parte de trás é uma bermuda ciclista, criando uma ilusão de ótica. Seria um jeito do estilista colocar em pauta as discussões sobre o mundo da moda ou apenas unir duas tendências em alta como o vestido de boate e a bermuda ciclista?

Gvasalia sabe traduzir a sociedade contemporânea — ao mesmo tempo que a bermuda torna o vestido mais prático, também deixa a peça mais pudica. É uma ironia ao conservadorismo? Ou simples inspiração nos shortinhos comumente usados por baixo dos vestidos colados que teimam em subir.

Novo puritanismo

Após sua estreia como estilista da Celine, em setembro do ano passado, Hedi Slimane teve uma troca de e-mails levada ao público durante o programa 5 Minutes de Mode, da TV francesa. Na conversa com o jornalista Loïc Prigent, ele se mostrou incomodado com os comentários relacionados ao comprimento das roupas que a marca apresentou no desfile verão 2019.

"É sempre muito peculiar, sinto que estamos falando de outra pessoa. Além disso, o espírito do desfile era leve e alegre, mas a leveza e a despreocupação são agora questionadas. Há política, conflitos de interesses, uma postura previsível, mas também exageros impressionantes de conservadorismo e puritanismo. As pessoas ficaram escandalizadas com os meus vestidos de noite. As mulheres não seriam mais livres para colocar minissaias, se assim o desejassem? Eles são livres para se vestir como quiserem", disse.

Independentemente das críticas, para o verão 2020, apresentado nessa semana em Paris, o estilista apostou em uma coleção comercial, clássica e certeira. Calças jeans ou de alfaiataria, camisas, coletes e blazers inspirados na moda dos anos 70. Nada curto, entretanto.

O belga Anthony Vaccarello da Saint Laurent acusa os críticos de puritanos. Em sua coleção primavera-verão 2020, Vaccarello defende a liberdade de criação. "Prefiro fazer política através de imagens, vídeos. 'É muito curto, é muito transparente', dizem. Eu odeio esse novo puritanismo que julga tudo", declarou em entrevista ao jornal francês Le Journal Du Dimanche.

Seu jeito de fazer política já gerou protestos como em 2017, quando uma de suas campanhas foi rotulada de pornô chic e a hashtag #YSLRetireTaPubDegradante", algo como "#RetireEssaPublicidadeDegradante", ganhou força no Twitter.

A moda influencia a sociedade e vice-versa. Para cada conquista, a probabilidade é que venha uma nova demanda. Mesmo com os avanços que vemos na passarela da Dior, por exemplo, a marca é constantemente cobrada por mais diversidade em seu casting — vide essa campanha abaixo, que contempla apenas mulheres brancas. Temporadas de moda são vitrines de consumo, mas também podem levar os consumidores à reflexão.

A semana de da moda prêt-à-porter parisiense termina nessa terça (1º), com o desfile da Louis Vuitton.

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