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Insegurança e timidez? Eles contam segredos para fazer papo fluir pós match

Não sabe o que dizer no app? Eles dão dicas - iStock
Não sabe o que dizer no app? Eles dão dicas Imagem: iStock

Eligia Aquino Cesar

Colaboração para Universa

31/08/2019 04h00

Que o momento mais esperado por quem usa aplicativos de paquera é o match, não há a menor dúvida. Porém, se engana quem pensa ser esse o único entrave para que o interesse inicial gere um encontro. Muitos desses prováveis casais recém-formados não vão conversar sequer uma única vez após o match e, outros tantos, não conseguirão fazer com que o papo flua, e, dessa forma, o lance, que poderia ser promissor, não engrena.

Pensando em auxiliar as pessoas que não têm muitas habilidades na hora de abordar o crush ou para manter uma conversa interessante, o Badoo lançou a ferramenta "Perguntas chave". Não há inteligência artificial aqui. O foco é oferecer um facilitador para o usuário que se sentir perdido ao abordar alguém. São mais de cem perguntas diferentes, tais como "alguma pessoa desconhecida já mudou sua vida"? ,"você se considera uma boa pessoa?" ou "qual foi a última foto que você tirou?".

Para a psicóloga e educadora sexual Tatiana Presser a ferramenta pode ajudar, sim, no que ela chama de socialização virtual. "Acho engraçado as pessoas pensarem que não têm assunto em comum nos apps, já que estão ali paquerando. A conversa pode, por exemplo, girar em torno dos dois estarem 'no mesmo barco', no aplicativo de paquera procurando por alguém. A ferramenta que sugere perguntas não é profunda,mas, se for utilizada para quebrar essa primeira barreira e ajudar a chegar na pessoa que você quer paquerar, pode ser bem positiva".

Timidez que trava

Matheus Nascimento Georgeto, 22, é uma das pessoas que não consegue desenrolar o papo no app. "Quando chega nessa hora de conhecer melhor, perguntar coisas banais, como o que a pessoa curte fazer nas horas vagas, não sei mais como prosseguir. Se fosse pessoalmente ficaria com o rosto vermelho".

O técnico de enfermagem acredita que as ferramentas podem ajudar bastante usuários tímidos, como é o caso dele. "Eu sei dar dicas para as pessoas abordarem alguém, mas não consigo usá-las para mim. Ter esse tipo de ajuda seria legal, mas, para não ficar algo mecanizado, é preciso esforço para desenrolar a conversa. Do contrário, a paquera também não terá continuidade".

Matheus: a timidez pode travar a paquera - Arquivo pessoal
Matheus: a timidez pode travar a paquera
Imagem: Arquivo pessoal

Tatiana concorda com isso e acrescenta que o uso excessivo de ferramentas que auxiliem na paquera virtual faz com que as pessoas percam um pouco da facilidade que tinham no contato cotidiano. "A partir do momento que começamos a nos relacionar com o outro virtualmente, muito mais por meio de mensagem do que pessoalmente, também perdemos a questão social e as sutilezas", pontua.

Matheus conta que só arrisca dar o primeiro passo, "mesmo com medo de irritar o crush", se estiver bastante interessado, torcendo para que a outra pessoa seja mais desinibida que ele. Essa é a mesma estratégia de Andreza Aparecida de Oliveira, 30. A fotógrafa conta ter dificuldade em tomar a iniciativa, mas que tenta aproximação quando o perfil é muito interessante.

Dificuldade só no início

"Na maioria das vezes eu só manifesto interesse por meio do 'like'. Porém, quando quero muito que dê certo com alguém, olho bem as informações do perfil para puxar papo com base no que estiver ali, principalmente se for algo que a pessoa tenha em comum comigo, como, por exemplo, gostar de rock ou praticar jiu-jitsu", explica a jovem.

Andreza se diz dividida em relação às perguntas chave. "Por um lado, ajudaria aqueles que têm dificuldade em puxar papo a dar esse pontapé inicial. A pergunta seria uma entrada e assim você conseguiria desenvolver a conversa. Porém, se esse recurso for utilizado em exagero, perde um pouco a espontaneidade da conversa e o outro pode acabar percebendo isso. É um método legal, mas que deve ser usado com moderação".

Presser avalia que, como seres comportamentais, desaprendemos aquilo que conhecemos mais rápido do que aprendemos algo novo. "É uma mistura de estar com nossas ferramentas sociais bem enferrujadas e ao mesmo tempo sentir uma certa preguiça e não ter vontade de desenvolver alguma coisa. Acho que, para muitas pessoas, existe o conceito do 'vai enganando até rolar'. Funciona muito bem, acaba que, uma vez que se começa a usar uma ferramenta como as perguntas chave, ela vai fazer com que você consiga mesmo ter uma socialização virtual um pouco melhor".

A fala de Andreza vai ao encontro do que diz a psicóloga. "Meu interesse cresce conforme a conversa que tenho com a pessoa. Quando aparece alguém que tenha uma conversa muito óbvia, respondo, mas não tenho paciência para continuar conversando. Acho que isso me bloqueia quando penso em puxar papo, porque fico com medo de ser a pessoa chata, com o assunto óbvio. Talvez, se eu tivesse mais iniciativa, me sairia melhor nos apps, mas é assim que funciona pra mim", destaca a fotógrafa.

O segredo está nos detalhes

Maria Beatriz do Nascimento, 22, é o oposto de Matheus e Andreza. A corretora de seguros diz ter muita facilidade para conversar com quem conhece nos apps. "Procuro reparar bastante nas fotos, nas camisetas que a pessoa usa, um brinco diferente e tento puxar papo a partir desses detalhes, além de, claro, na descrição do perfil. Isso ajuda a conduzir a conversa, dá para fazer umas brincadeiras que levem a pessoa a se soltar e, a partir daí, continuar o bate-papo", ensina.

Maria acha assunto até na roupa que as pessoas usam nas fotos do app - Arquivo Pessoal
Maria acha assunto até na roupa que as pessoas usam nas fotos do app
Imagem: Arquivo Pessoal

Por se relacionar apenas com mulheres, Maria diz chamar a atenção o fato de muitas garotas serem mais fechadas, não conversarem tanto assim, mesmo tendo acontecido o match, que é a primeira sinalização que há interesse mútuo entre aquelas pessoas. "Às vezes é difícil chegar ao encontro porque a maioria tem receio. Muitas acabaram de sair de um relacionamento e estão procurando alguém para tapar aquele momento em que não querem pensar em absolutamente nada. Isso acaba atrapalhando muito, o assunto não rende".

Para Maria, a ferramenta funcionaria mais depois de algum contato com a pessoa que te interessa do que para dar início a uma conversa. Ela acredita que, dependendo da pergunta, se for feita no momento errado, pode levar a pessoa a se retrair em vez de se abrir. "Há várias formas de chamar a atenção de uma pessoa, conseguir que ela converse com você. O fundamental é encontrar primeiro um ponto em comum com quem te interessou, algo que faça a conversa fluir e que — quem sabe — leve a conversa para fora do aplicativo de paquera", finaliza.


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