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Por que aceitamos (e como lidar) com valentões como Chiclete, de A Dona

Vivi Guedes (Paolla Oliveira) e Chiclete (Sergio Guizé) em cena na novela - Reprodução/Globo
Vivi Guedes (Paolla Oliveira) e Chiclete (Sergio Guizé) em cena na novela Imagem: Reprodução/Globo

Lucas Vasconcellos

Colaboração para Universa

23/08/2019 04h00

Quem acompanha A Dona do Pedaço já presenciou diversas cenas de agressividade de Chiclete, personagem de Sérgio Guizé. No passado ex-matador, ele hoje, namorado de Vivi Guedes (Paolla Oliveira), age com truculência no dia a dia. É o típico valentão, que se impõe por meio de palavras ríspidas e postura física bruta.

Chiclete é um reflexo de adultos que encontramos no dia a dia, em diversos ambientes: chefes, colegas de trabalhos, familiares? Pessoas que se impõe colocando medo nas outras. Quem está ao redor, pode até agir naturalmente, tentando minimizar tais atitudes. "Cada pessoa tem um tipo de personalidade e algumas são mais agressivas no tato social, impositivas e usam isso como uma forma de obter controle sobre o mundo que a acerca", comenta o psicólogo, doutor em neurociência do comportamento e diretor do Centro de Atenção à Saúde Mental - Equilíbrio (CASME) Yuri Busin.

Os motivos para que um adulto haja dessa maneira são diversos, como relata Busin, mas podem indicar que o indivíduo foi uma criança que sofreu muito bullying -- e quando crescido decidiu se portar como o agressor -- ou que é fruto de um ambiente externo em que a violência ou a rispidez fossem comuns no trato social, e ele aprendeu que esse é o correto.

Fato é: posturas assim acuam quem está ao redor. "Quem sente medo acaba agindo de maneira mais contida, por receio de contrariar. Acuado, suporta essa pessoa geralmente por conta da posição que o valentão exerce na sociedade. É uma questão de autopreservação, coisa que fazemos o tempo todo para nos livrarmos de situações em que encontramos riscos", explica o profissional.

Vale a pena encarar?

Confrontar uma pessoa que se coloca como bruta não é simples. "Ser 100% passivo em alguma situação da vida não é saudável. É preciso racionalizar o quanto vale a pena encarar ou não a situação de frente, mas tem momentos que, independentemente do medo, precisam ser enfrentados. Já em outras, o ganho por bater de frente é mínimo, por isso cada situação é uma", pontua Yuri.

Caso você tenha um Chiclete no seu círculo pessoal ou profissional, uma maneira de explicar que isso incomoda você, é sendo direto na fala -- embora pessoas assim não aceitem bem esse tipo crítica, alerta Busin. Outra forma, como recomenda, é ir se aproximando, tirando um pouco da agressividade lentamente, mostrando como quem está no entorno enxerga aquela atitudes e outras formas de lidar (essa, inclusive, é a forma que Vivi Guedes escolheu para viver ao lado do namorado).

Se essa é uma batalha que você não quer enfrentar, deixa para lá: "Quando atitudes do tipo ferem você intimamente, causam um sofrimento muito grande e são brigas que não valem a pena, a melhor solução é se afastar de vez. Mas vale a pena lembrar que, pessoas com personalidades explosivas sempre vão existir na sociedade. Às vezes, tais personalidade não se encaixam em determinado ambiente. Por isso, precisamos aprender a lidar com elas, porque nem sempre dá para se desvencilhar disso. Para ficar mais forte diante disso, é preciso buscar amparo na terapia, por exemplo. Um psicólogo pode auxiliar a entender o porquê de tanto medo e dar ferramentas para lidar com isso", finaliza Yuri Busin.

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