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25 anos sem Jackie O: curiosidades sobre a 1ª dama mais famosa da história

Jacqueline Kennedy, primeira-dama dos Estados Unidos, em foto na Índia, em 1962 - AFP
Jacqueline Kennedy, primeira-dama dos Estados Unidos, em foto na Índia, em 1962 Imagem: AFP

Heloísa Noronha

Colaboração com Universa

19/05/2019 04h00

Em 19 de maio de 1994, enquanto dormia, Jacqueline Lee "Jackie" Bouvier Kennedy Onassis perdia uma batalha para o câncer linfático. Uma das mulheres mais icônicas do século 20 havia recebido o diagnóstico em janeiro, mas, apesar do otimismo, em abril, a doença avançou drasticamente e não havia muito o que fazer. Carismática, influente, elegante, dotada de um enorme traquejo social e idolatrada pelos norte-americanos, longe das aparições midiáticas, a mulher do 35º presidente dos Estados Unidos tinha suas dores, seus segredos e seus vícios. Confira, a seguir, algumas curiosidades sobre a mulher que definiu o conceito de primeira-dama e se transformou na mais famosa representante do título na história:

Berço esplêndido

Jacqueline nasceu em 1929 no seio de uma família tradicional da costa leste dos EUA e tinha ascendência irlandesa, escocesa e inglesa. Na infância, recebeu uma educação primorosa. Fez um intercâmbio para Paris nos anos 1940, onde estudou na consagrada Sorbonne, e mais tarde se graduou em Literatura Francesa em Washington. Ela adorava ler, pintar, escrever poemas e praticar hipismo. E, apesar dos sucessivos casos extraconjugais do pai, sempre teve uma relação melhor com ele do que com a mãe.

Primeiro emprego

Em 1951, começou a trabalhar para o jornal "Washington Times-Herald", onde assinava uma coluna para qual ouvia a opinião de pessoas sobre temas polêmicos. Um de seus entrevistados se tornaria o seu futuro marido: John F. Kennedy (1917-1963), então senador de Massachusetts. Jackie era comprometida, mas se encantou pelo jovem político.

Casamento a contragosto

Divulgação
Imagem: Divulgação
Jackie e John F. Kennedy se casaram em setembro de 1953 em Newport, Rhode Island, sob protestos da família dela, ciente da fama de "garanhão" em formação do político. O vestido de noiva foi criado por Ann Lowe, estilista muito famosa na época no Alabama, levou mais de 15 metros de tecido. Para acompanhar, Jackie usou uma mantilha que pertencera à avó. Seu pai bebeu demais e não compareceu à cerimônia. Quem a conduziu ao altar foi o padrasto.

Preservação da memória

Em 1961, após ter um papel bastante ativo na campanha, Jackie tornou-se uma das mais jovens primeiras-damas da história. Seu primeiro projeto foi restaurar a Casa Branca. Ela criou um projeto de lei, aprovado pelo Congresso, que estabelecia que as mobílias do local seriam propriedade da Instituição Smithsonian --uma forma de acabar com as reivindicações dos móveis de ex-presidentes. Ela escreveu pessoalmente cartas para pessoas que possuíam peças históricas, pedindo para que fossem doadas à Casa Branca. Em fevereiro de 1962, a então Senhora Kennedy apresentou os resultados de seu trabalho à CBS, que filmou o tour.

Ícone da moda

Dona de um senso de estilo impecável e apurado, Jackie moldou a estética refinada dos anos 1960. Não há um só livro de história da moda que se preza que não tenha em suas páginas uma imagem dela. Tailleurs e vestidos de corte impecável e monocromáticos, luvas, chapéus delicados e bolsas de mão compunham seu look de primeira-dama. Admiradora da alta-costura francesa, mandava confeccionar suas roupas nos Estados Unidos a fim de não ser considerada uma "traidora" pela nação. Os materiais, no entanto, eram encomendados de grifes como Chanel. Mais madura, passou a usar óculos escuros grandes, estampas étnicas, calças de alfaiataria e lenços nos cabelos. Em 2000, o The Metropolitan Musem of Art, em Nova York, dedicou uma exposição inteira às peças usadas por ela durante o período na Casa Branca.

Influência sutil

Refinada e culta, Jacqueline impôs sua sofisticação aos menus dos jantares na Casa Branca. E, para a lista de convidados, convocava artistas, escritores, cientistas, poetas e músicos para se misturarem aos políticos e diplomatas, a fim de tornar as conversas mais variadas e interessantes. Embora, pelo menos publicamente, a impressão era de que não interferia no governo do marido, nos bastidores sabia-se que a primeira-dama volta e meia dava sua opinião em certas decisões.

John e Jacqueline Kennedy em Georgetown, EUA, em 1954  - Orlando Suero / AP
John e Jacqueline Kennedy em Georgetown, EUA, em 1954
Imagem: Orlando Suero / AP

Avessa a escândalos

Típico casal 20 diante da imprensa, John e Jackie viviam uma rotina doméstica conturbada regada a álcool e a remédios. Ele a traía frequentemente, com diversas mulheres, mas Jackie nunca abriu mão do papel de mulher parceira e participativa. Uma das amantes mais famosas, Marilyn Monroe, chegou a ligar para Jackie na Casa Branca para falar que se casaria com Kennedy. Provavelmente farta das fofocas, a primeira-dama retrucou: "Formidável. Eu saio e você se encarrega de todos os problemas". A história consta no livro "Aqueles Belos Dias: O Último ano de Jack e Jackie", do jornalista Christopher Andersen. John era conhecido também como Jack e JFK. A hipótese de uma separação ou de um escândalo provocavam medo em Jackie.

Tailleur manchado de sangue

AP Photo/Jim Altgens
Imagem: AP Photo/Jim Altgens

No dia 22 de novembro de 1963, John Kennedy realizou um desfile a carro aberto na cidade de Dallas. Por volta de 12h30, foi assassinado com um tiro na cabeça. As imagens fatídicas do crime mostram a primeira-dama subindo no capô, fora de si, tentando recolher os pedaços do cérebro do marido. Ainda com manchas de sangue, o tailleur rosa que usava na ocasião é mantido num cofre climatizado no Arquivo Nacional dos Estados Unidos desde 2003 sob restrição e não pode ser visto até 2103. Estão guardados também o chapéu pillbox, os sapatos, a bolsa, uma blusa azul e um par de meias. No dia do crime, no avião de volta para Washington, um assessor do governo sugeriu que ela mudasse de roupa. Ela respondeu: "Deixe-os ver o que fizeram." Sua coragem e dignidade frente à tragédia foram alvo de admiração em todo o mundo. Os dias seguintes à viuvez do marido foram retratados no filme "Jackie" (2017), com Natalie Portman no papel-título.

Dores múltiplas

Além da morte trágica do marido, Jackie enfrentou outras perdas trágicas ao longo da vida. Primeiro, sofreu um aborto acidental em 1955. No ano seguinte, sua filha Arabella nasceu morta. Em agosto de 1963, seu último filho, Patrick, morreu dois dias depois do nascimento no berço, por síndrome da angústia respiratória do recém-nascido. As duas crianças que a acompanharam no funeral do marido são Caroline, diplomata e advogada que mora em Nova York, e John Jr., que morreu num acidente aéreo em 1999.

Nova relação

O armador grego bilionário, Aristóteles Onassis durante seu casamento com Jacqueline Kennedy em 1968 - Arquivo
O armador grego bilionário, Aristóteles Onassis durante seu casamento com Jacqueline Kennedy em 1968
Imagem: Arquivo

Cinco anos depois da morte de Kennedy, Jacqueline se casou com o magnata grego Aristóteles Onassis (1906-1975). A união ocorreu quatro meses e meio depois do assassinato de Bobby, seu cunhado (e amante, segundo algumas biografias), em Los Angeles. Ela foi morar na Grécia com o novo marido e bastante criticada por abrir mão da imagem de "viúva presidencial". O casamento teve vários períodos de tensão, já que Jackie e a enteada Christina não se entendiam. Quando morreu, Onassis planejava o divórcio. Seu último companheiro foi o industrial e mercador de diamantes Maurice Tempelsman.

Trabalhando fora

Meses antes de morrer, Jackie trabalhava como editora-assistente na Doubleday, uma das maiores editoras dos Estados Unidos, caçando novos autores e promovendo lançamentos de livros --que sempre foram uma grande paixão em sua vida. Levando uma vida relativamente "simples" em Nova York, sempre despertava curiosidade em quem a via trabalhando.

LIVROS CONSULTADOS:
"Memórias da Transgressão - Momentos da História da Mulher do Século XX", de Gloria Steinem
"O Guia das Curiosas" (Panda Books), de Marcelo Duarte e Inês de Castro

Errata: o texto foi atualizado
Ao contrário do escrito na matéria, Patrick não morreu asfixiado pelo próprio vômito, mas por síndrome da angústia respiratória do recém-nascido. A informação já foi corrigida.

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