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Quebrar a tela do celular deu a ela uma ideia que a fez faturar R$ 1 milhão

Tatiana Moura com seu marido Felipe: o celular quebrado e o desemprego dele fizeram ela pensar em um novo negócio - Divulgação
Tatiana Moura com seu marido Felipe: o celular quebrado e o desemprego dele fizeram ela pensar em um novo negócio Imagem: Divulgação

Léo Marques

Colaboração para Universa

14/12/2018 04h00

A paulistana Tatiana Moura teve a sua primeira experiência com o empreendedorismo aos oito anos, quando atendia os clientes no bazar e papelaria da avó. Filha mais velha de quatro irmãos, ela conta que nunca teve um exemplo de família feliz. Não conviveu com o pai e sua infância foi marcada por desentendimentos com a mãe e o padrasto. Aos 15 anos ela saiu de casa e teve que aprender a se virar sozinha. 

Quando tinha 17, após se formar em Tecnóloga em Processamento de Dados, conseguiu seu primeiro emprego em uma multinacional no segmento de impressoras. Neste mesmo ano, ingressou na faculdade de Engenharia da Computação, mas, pouco tempo depois, descobriu que estava grávida e precisou trancar o curso --e, consequentemente, foi demitida da empresa. Porém, quatro meses depois do nascimento do seu primeiro filho, ela foi chamada de volta para trabalhar na companhia. Já aos 19 anos, assumiu um cargo de coordenadora de analista, cuidava da própria casa e educava uma criança sozinha. "Foi um tempo difícil. Tive que assumir tudo, aluguel, escola, carro e comida. O dinheiro realmente dava apenas para pagar as contas", lembra. 
 
Em 2004, ela entrou para uma empresa de desenvolvimento de sistemas, para atuar na área de qualidade do suporte, e lá fez carreira. Iniciou como analista de qualidade, passou pelas áreas de telecomunicações, infraestrutura, desenvolvimento e virou diretora de um projeto com grande destaque no mercado de trânsito no Brasil. Porém, com um novo casamento, a vontade de empreender aflorou em Tatiana. Ao longo dos cinco anos de casada, ela criou um e-commerce de roupas e um de bijuteria para tocar paralelamente ao emprego, mas nenhum obteve sucesso.

Um celular quebrado mudou tudo

O desemprego do marido, Felipe de Oliveira, exigiu um aperto grande das contas. "Ele passou um ano sem trabalho. Foi um momento muito delicado, pois Felipe já tinha 38 anos, sem faculdade, sem cargos de destaque no currículo, e uma recolocação seria impossível", conta. O primeiro estalo do negócio veio diante da quebra da tela do celular dele. O reparo custaria R$ 700, preço que eles acharam muito alto e que, naquele momento, não tinham a mínima condição de bancar. 

O conserto ficou para depois, mas o custo não saiu da cabeça de Tatiana. Era um preço muito elevado para um serviço que não lhe entregaria uma tela original. Isso despertou nela o interesse em aprender mais sobre o segmento de manutenção de celulares. Alguns cursos e muita pesquisa de mercado depois, ela descobriu um segmento pouco explorado: o da troca de vidro de smartphones. Foi quando ela decidiu apostar no setor e abrir a Fix Online, em maio de 2017. 

Nascimento da filha e da empresa

O começo das operações se deu dentro de casa. Na época, Tatiana estava grávida novamente, de Yeva, a primeira menina. Para começar o negócio, o casal vendeu o único carro que tinha e, com o valor de R$ 50 mil, compraram as primeiras máquinas e equipamentos. Logo no primeiro mês, conseguiram um lucro de R$ 5 mil e enxergaram no negócio um complemento da renda.

Felipe, Tatiana e os três filhos: Yeva e Liz, do atual casamento, e Marco, o primeiro filho, hoje com 16 anos - Divulgação
Felipe, Tatiana e os três filhos: Yeva e Liz, do atual casamento, e Marco, o primeiro filho, hoje com 16 anos
Imagem: Divulgação

Com o nascimento de Yeva, Tatiana teve de lidar com três grandes questões: a atenção que precisava dar a filha, o crescimento da empresa e também algumas demandas que o emprego dela exigia. "Foi um momento extremamente complexo e cansativo. A empresa em que trabalhava, apesar da licença maternidade, ainda me exigia bastante devido a minha responsabilidade frente à diretoria de um projeto. Então, minhas noites eram longas e precisava acordar cedo por diversas vezes para resolver problemas".

Ao mesmo tempo, a demanda da Fix Online foi aumentando e o casal viu que, para o crescimento ser ainda maior, necessitavam de uma loja física. "Procurei o ponto, aluguel, reformei, contratei funcionários e fiz divulgação. Tudo durante a licença maternidade", revela. Naquele momento, o negócio já tinha um movimento grande e, mesmo de casa, o marido dela passava o dia efetuando os reparos. 

A loja foi aberta em março de 2018, menos de uma semana depois de Tatiana voltar a trabalhar. "A partir desse momento, o movimento triplicou, pois a loja trouxe muita credibilidade ao negócio, e a minha carreira na empresa começou a ficar em jogo, pois realmente a Fix Online começou a exigir muito de mim", diz. 

Diante da situação, Tatiana fez uma escolha e, quatro meses depois da inauguração da loja deixou o cargo de diretora na empresa onde trabalhava há 15 anos. Com o acordo, ela conseguiu cerca de R$ 50 mil, valor que foi investido novamente em mais maquinário. 

"Levamos oito meses até chegarmos ao patamar de nos considerarmos especialistas"

Segundo Tatiana, esse é um ramo que ela enxerga muito potencial. "Pouquíssimas pessoas sabem, mas quando um celular cai e quebra, em 90% dos casos, só é necessário trocar o vidro, o que acarreta em uma economia significativa, que pode chegar a 70% do valor de um aparelho novo", e segue explicando: "Mas em todo o Brasil só há três assistências técnicas que trocam somente o vidro, sem a necessidade de mexer no LCD do aparelho, e a Fix Online é uma delas". Tatiana diz que uma das razões para o baixo número de assistências especializadas neste tipo de serviço é o custo do maquinário, que chega a R$ 50 mil. 

"Não é um investimento barato. Mas, mais complicado que o investimento, é a mão de obra. Levamos oito meses até chegarmos ao patamar de nos considerarmos especialistas em troca de vidro, pois o processo exige muita calma e concentração, para que fique perfeito".

Os valores para troca somente do vidro partem de R$ 250. Apesar de a loja ficar em São Paulo, o casal atende em todo o país, com recebimento e devolução de celulares via correio, sempre com seguro. 

Em um ano, a empresa já faturou R$ 1 milhão e a vida do casal mudou completamente. "Compramos um carro melhor e maior, até por causa dos filhos, mudamos para um apartamento grande, em região próxima à loja, e também já estamos expandindo a empresa, com a locação de um novo laboratório", comemora.