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Nova marca de roupa reforça figura do traficante 'El Chapo' no México

Reuters
Imagem: Reuters

19/07/2019 09h35

O temido traficante de drogas Joaquín 'El Chapo' Guzmán, condenado na última quarta-feira à prisão perpétua nos Estados Unidos, é o protagonista de uma marca de roupas apresentada na feira Intermoda na cidade de Guadalajara, no oeste do México.

A linha de roupas e acessórios leva o sobrenome do narcotraficante e o número 701 - o lugar que a revista Forbes atribuiu ao criminoso na lista dos homens mais ricos do mundo - e foi desenhada por sua filha, Alexandrina Guzmán.

Os preços das peças vão de 701 pesos mexicanos (cerca de US$ 37) até 15 mil (US$ 790) e tiveram grande aceitação na feira horas antes da divulgação da sentença contra o narcotraficante em um tribunal de Nova York.

O porta-voz Gilberto de Anda disse à Agência Efe que a marca tem 13 anos de existência, mas esta é a primeira ocasião em que os 19 desenhos que fazem parte da primeira coleção são mostrados em um espaço de venda para o público.

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Imagem: Reuters

Gilberto explicou que a filha de 'El Chapo' foi quem teve a ideia de explorar a imagem de seu pai com a marca e vendeu os direitos para uma empresa de Guadalajara para que se encarregasse da distribuição comercial das roupas.

O porta-voz admitiu que as pessoas se interessaram pela marca por "curiosidade mórbida" e que o processo judicial que Guzmán enfrenta por narcotráfico e lavagem de dinheiro não tem nada a ver com a marca de roupa.

"Também desperta (curiosidade mórbida) obviamente, e o mórbido também vende, mas isso não nos preocupa, não nos interessa", acrescentou Gilberto.

Dezenas de curiosos se aproximaram do estande da marca na Intermoda. Alguns olhavam com incredulidade, enquanto outros compravam alguns acessórios. Um deles até perguntou com humor se a venda era só de roupas ou se também incluía armas.

O rosto do líder do Cartel de Sinaloa aparece nas paredes do estande, nas peças e até nas caixas onde as roupas são armazenadas.

Sua história é contada de forma resumida nas etiquetas que acompanham cada peça, evitando algumas passagens da mesma, e o criminoso é descrito como "um humilde vendedor de laranjas" e "um líder disposto e atento".

A coleção contém jaquetas, camisas e casacos para homens e blusas.

Todas levam um logotipo com as iniciais do narcotraficante mais famoso do mundo, algumas o seu rosto, outras incluem imagens de caveiras e do símbolo do peso mexicano e também o lema "Lord of the Mountains" ("Senhor das Montanhas", em tradução livre do inglês), como 'El Chapo' é conhecido em seu estado natal, Sinaloa.

Além das roupas, a marca comercializa acessórios como cintos, bolsas, pulseiras e recipientes para garrafas de licor que, segundo a publicidade da marca, são elaborados por detentos do penitenciária de Puente Grande, a mesma da qual 'El Chapo' fugiu em 2001.

"A ideia fundamental é obter recursos para uma associação civil que está sendo formada e que o que for comercializado, todo o lucro obtido, seja destinado a um fundo que fica em Puente Grande para ajudar aos que caíram no flagelo das drogas", garantiu o porta-voz.

Adriana Ituarte, encarregada de vendas, explicou para a Efe que a linha de roupas tem "desenhos exclusivos", que todas as peças são desenhadas e produzidas no México e a marca não tem nenhum vínculo com Guzmán.

"Nós o utilizamos como um personagem, é uma pessoa que vende, é uma marca. E, se nos deixam trabalhar, estamos aí", garantiu Adriana.

Durante a Intermoda, a empresa mexicana encontrou seus primeiros compradores nos Estados Unidos e os proprietários da marca esperam fechar mais convênios de distribuição até o fim do evento.

Caty Mendoza, dona da butique Ladyboss na Califórnia, nos Estados Unidos, comprou os direitos de distribuição da marca.

Segundo ela comentou com a Efe, chamaram sua atenção a qualidade das peças, os desenhos "ousados e elegantes", mas, antes de tudo, que o dinheiro arrecadado terá como fim a ajuda aos detentos.

Caty considera que a sentença nos Estados Unidos contra o poderoso traficante não afetará as vendas, pois não há relação entre o processo judicial e o negócio.

"Não acredito que terá qualquer influência o que vai acontecer com ele lá, é muito diferente o que está acontecendo com a marca agora. Isso é algo que foi feito para melhorar as coisas e eu sinto que é uma coisa boa", opinou a lojista americana.