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Victoria's Secret: 3 razões que levaram a grife a cancelar seu famoso desfile anual

Em 2001, transmissão do desfile atingiu ápice de 12,4 milhões de espectadores - Getty Images
Em 2001, transmissão do desfile atingiu ápice de 12,4 milhões de espectadores Imagem: Getty Images

Redação - BBC News Mundo

25/11/2019 14h46

Os "anjos" da Victoria's Secret não vão levantar voo neste ano e ficarão sem seu tradicional desfile de moda na passarela, depois que a companhia de lingerie anunciou o cancelamento do evento pop.

A empresa matriz da marca, L Brands, afirmou que era importante fazer "evoluir" sua estratégia de marketing.

"Estamos descobrindo como avançar com o posicionamento da marca e comunicar melhor para os nossos clientes", explicou Stuart Burgdoerfer, diretor financeiro da L Brands, em uma conversa telefônica com investidores.

O desfile contava com supermodelos vestidas com lingeries bastante elaboradas. O evento foi um marco na carreira de nomes como Tyra Banks, Heidi Klum e Miranda Kerr.

Mas o que levou a companhia a desistir do evento? Veja três motivos abaixo.

Bella Hadid é uma das muitas supermodelos que desfilaram para a Victoria's Secret - Getty Images
Bella Hadid é uma das muitas supermodelos que desfilaram para a Victoria's Secret
Imagem: Getty Images

1. A audiência

A transmissão televisiva do desfile começou em 1995 e logo se tornou um importante evento da cultura pop que conseguia atrair a atenção de milhões de espectadores a cada ano.

Com o passar do tempo, a expectativa crescia antes do evento, que contou com a presença de cantores durante o desfile, trajes coloridos e as características asas de anjo dos looks.

Em 2001, a transmissão do programa atingiu seu auge, atraindo 12,4 milhões de telespectadores.

A empresa matriz da marca, L Brands, anunciou que a estratégia de marketing precisava evoluir - Getty Images
A empresa matriz da marca, L Brands, anunciou que a estratégia de marketing precisava evoluir
Imagem: Getty Images

Mas o interesse passou a cair nos últimos anos.

A audiência da transmissão da rede televisiva ABC atingiu 4,98 milhões de espectadores em 2017 e chegou a 3,27 milhões no ano seguinte, um recorde negativo, segundo dados do site TV by the Numbers.

O diretor financeiro da L Brands admitiu a investidores que a baixa audiência foi um dos motivos que levaram ao cancelamento do evento.

2. Escândalos e polêmicas

Nos últimos três anos, o tradicional desfile começou a receber críticas de espectadores que o consideravam ultrapassado, sexista e pouco diverso.

Em 2018, o então diretor de marketing da marca, Ed Razek, sugeriu em uma entrevista à revista Vogue que modelos transexuais não deveriam fazer parte do evento.

A declaração gerou uma ampla reação negativa, e o executivo foi obrigado a pedir desculpas. No início deste ano, ele deixou a empresa.

A empresa também enfrentou polêmica no ano passado por não incluir em seus desfiles mais modelos com corpos de tamanhos diferentes.

A Victoria's Secret foi acusada de preservar um padrão único e inatingível de beleza e de sexualizar suas modelos.

Mudanças de comportamento em torno da aceitação do próprio corpo tem afetado indústria da moda - Getty Images
Mudanças de comportamento em torno da aceitação do próprio corpo tem afetado indústria da moda
Imagem: Getty Images

"Existem dois elementos na indústria de lingerie que estão afetando a popularidade das marcas: conforto e pensamento positivo sobre o corpo", disse à BBC News Jo Lynch, editora de lingerie da WGSN, empresa de consultoria que antecipa tendências no mundo da moda.

Por muitos anos, a Victoria's Secret contratou apenas modelos magras e altas para serem a imagem de sua marca, deixando de lado a diversidade de corpos em todo o mundo.

A empresa tentou assinar com modelos de pele escura e de diferentes origens étnicas; no entanto, ainda impunha o estereótipo de magreza como sinônimo de beleza.

Os jovens consumidores passaram a "apreciar uma ampla variedade de formas, tamanhos, etnias e idades", explica Lynch.

De uma maneira ou de outra, modelos que parecem mais reais ganharam terreno.

A L Brands também foi atingida pela publicidade negativa em torno da amizade do fundador da marca, Les Wexner, com o bilionário americano Jeffrey Epstein, que se suicidou na prisão em agosto deste ano. Ele aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual e pedofilia.

Wexner havia empregado Epstein como assessor, mas eles cortaram laços em 2007.

3. Baixas vendas

Em 2018, a L Brands registrou queda de quase 40% nas vendas, virando uma decepção em Wall Street - Getty Images
Em 2018, a L Brands registrou queda de quase 40% nas vendas, virando uma decepção em Wall Street
Imagem: Getty Images

As vendas da empresa caíram nos últimos anos e, apesar de ainda estar em primeiro lugar nos Estados Unidos entre as marcas de roupas íntimas para mulheres, a Victoria's Secret enfrenta dificuldades.

A empresa tem tentado uma estratégia que aposta em redução de preços, mas resta saber se vai funcionar, pois parece que os investidores perderam a confiança.

Em 2018, a queda nas vendas foi de 40%, tornando a L Brands uma das grandes decepções de Wall Street.

Existem várias razões para o desempenho ruim. Entre elas, a maioria das lojas Victoria's Secret está localizada em shoppings, que por sua vez vêm sendo afetados negativamente pelas vendas na internet, o que seria refletido diretamente em suas vendas em lojas físicas.

Segundo a consultoria Ibisworld, a expectativa é que as vendas da empresa cresçam anualmente 1% nos próximos cinco anos.

A Victoria's Secret também enfrenta a concorrência de lojas de departamento, startups e marcas de lingerie que saíram na frente oferecendo opções de produtos para mulheres que não estavam dentro do público-alvo da empresa.

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