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Exposição em Londres celebra os 60 anos do "new look" da Dior

20/09/2007 14h59

LONDRES, 20 Set 2007 (AFP) - O "New Look", lançado há 60 anos por Christian Dior e que transformou a moda e inaugurou a "idade de ouro" da alta-costura, é celebrado em uma exposição em Londres que, mesmo antes da abertura, já está sendo festejada pelos estilistas londrinos.

O "New Look", que caiu como uma bomba - uma das boas após o terrível período de guerra - em uma manhã de inverno em fevereiro de 1947 durante o desfile do novato Christian Dior, "salvou a França", assegura Claire Wilcox, a curadora da exposição no Museu Victoria & Albert, que abre suas portas para o público neste sábado.

"Quando a ocupação nazista terminou, a França estava em estado de choque, e a alta-costura estava paralisada. Todas as maisons estavam fechadas", explicou Wilcox em um entrevista à AFP, pouco antes do baile de gala que levou ao Victoria & Albert na noite durante a semana figuras da moda como John Galliano e Kate Moss, outros artistas e celebridades.

A exposição, intitulada "A idade de Ouro da Alta-Costura: Paris e Londres 1947-1957" recorda, em fotos, filmes, centenas de trajes e acessórios, esse grande momento da alta-costura, onde brilharam Cristóbal Balenciaga, Jacques Fath e Pierre Balmain, entre outros. Mas a grande estrela desse período foi, verdadeiramente, Christian Dior.

"Dior foi um presente. Ele sabia o que as mulheres queriam: esquecer a guerra, a escassez, os uniformes militares, o racionamento. Todas queriam meias de náilon", explica a responsável pela mostra.

"O New Look de Dior, com suas cinturas de vespa e saias volumosas criando um silhueta jovem, feminina, bela e otimista, ofereceu isso a elas. Foi um grande momento para a França", acrescentou Wilcox, lembrando que este desfile, há quase 60 anos, inspirou Claire Snow, editora da revista Harper's Bazaar, uma das figuras mais importantes da época, a dizer a Dior: "Que revolução, querido. Sua roupa lançou um 'New Look'".

E assim a profecia se concretizou. Milhares de mulheres que não sabiam ao menos aonde ficava a Avenue Montaigne, sede da maison Dior, confeccionavam em suas máquinas de costura Singer cópias destes vestidos, apesar dos que iam contra o New Look, afirmando que esta moda não era patriótica, em tempos de escassez.

"O movimento lançado por Dior trouxe de volta os norte-americanos, que voltaram a comprar, e permitiu a recuperação da moda, uma indústria de grande importância para a economia da França", que está consagrada 80% à moda francesa e 20 % aos britânicos.

Wilcox acrescenta que Dior, além de ser um "modista genial, um homem muito sensível e culto", foi também um grande homem de negócios. "Morreu de ataque cardíaco, em 1957, mas havia criado um império com a maison Dior, que hoje está presente no mundo inteiro", com 60 marcas de moda e uma movimentação financeira de cerca de 16 bilhões de euros a cada ano, disse a curadora.

"Não só Dior, mas também o estilista Jacques Fath contribuiu para a recuperação da indústria. Ele tinha uma maison de muito sucesso, mas morreu muito jovem", acrescentou.

A mostra traz uma vitrine de bonecas parisienses do "Teatro da Moda", vestidas com criações de alta-costura; corseletes - essa incômoda peça necessárias para exibir o New Look - e centenas de vestidos de Balenciaga, Givenchy, Jacques Fath e Balmain, entre outros, que formam a coleção do museu e muitos dos quais são exibidos pela primeira vez.

Um deles - um vermelho grandioso chamado "Zemire", criado por Dior em 1954 -, foi descoberto em um porão úmido de Paris e comprado recentemente pelo museu em um leilão.

A mostra, visitada com muito interesse por estilistas que exibem suas coleções de primavera-verão 2008 durante a semana de moda londrina, não esquece as modelos da época, fotografadas por Cecil Beaton e Richard Avedon, ou os grandes empresários que financiaram as caras coleções dos estilistas.

No caso de Dior, foi Marcel Boussac, rico empresário têxtil, que investiu no estilista sem se preocupar com os gastos.

A mostra também não esquece as "pequenas fadas", costureiras que trabalham por horas a fio em vestidos cujo preço equivale ao salário de quase toda uma vida.

O "gran finale" da exposição fica por conta das criações de John Galliano, o grande e verdadeiro sucessor de Dior. "Creio que Dior teria gostado de Galliano", concluiu Claire Wilcox, que demorou três anos na organização da mostra. "Era meu sonho", diz a curadora.

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